terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Ordenação Diaconal do João Miguel Silva Soares, CM


Filho de João Soares e Maria Goreti Vaz da Silva, nasceu na Freguesia de Creixomil, Guimarães, a 13 de maio de 1993. É natural da Paróquia de Santa Maria de Vila Fria, Felgueiras, Diocese do Porto. Entrou no Seminário menor na Casa do Amial, no Porto, a 13 de setembro de 2009, onde fez o Secundário e os dois primeiros anos do curso de Teologia na Universidade Católica do Porto. Iniciou o Seminário Interno (Noviciado) a 14 de setembro de 2013 em Nápoles, Itália. Fez o seu estágio pós Seminário Interno em Santiago do Cacém, onde se dedicou sobretudo ao acompanhamento de atividades missionárias. Desde setembro de 2014 a 2017 esteve colocado na Comunidade de Salamanca, onde estudou Teologia na Universidade Pontifícia, desta mesma cidade. No ano de 2016 realizou uma experiência missionária em Moçambique, em colaboração com os Padres Vicentinos de Moçambique.  No Ano de 2017 foi colocado na Casa de Viseu, para realizar o seu estágio Pastoral e concluir os estudos teológicos, nomeadamente a dissertação em Teologia. Emitiu Votos Perpétuos no dia 17 de março de 2018. Neste momento prepara-se para a receção a Ordenação Diaconal, que terá acontecerá no dia 9 de dezembro, às 15,30h, na Sé Catedral de Viseu.


Mensagem do Advento Superior Geral

A todos os membros da Família Vicentina

A graça e a paz de Jesus estejam sempre connosco!
Na minha primeira carta para a festa de São Vicente, há dois anos, escrevi sobre São Vicente de Paulo, místico da Caridade. Quando refletimos sobre São Vicente como um místico da Caridade e, neste sentido, tentamos seguir o seu exemplo, devemos nos lembrar que ele não foi um místico tal como a Igreja costuma descrever no sentido comum do termo. Vicente de Paulo foi místico, mas um místico da Caridade. Com os olhos da fé, ele viu, contemplou e serviu Cristo na pessoa dos pobres. Quando tocava as feridas das pessoas marginalizadas, acreditava estar tocando as chagas de Cristo. Quando atendia as mais profundas necessidades deles, estava convicto de que adorava ao seu Senhor e Mestre.
Neste tempo do Advento, falarei sobre uma das principais fontes na qual, como místico da Caridade, Vicente bebeu: a oração diária. Ele exortou todos os grupos que fundou ou frequentou: os membros leigos da Confraria da Caridade, os Padres e os Irmãos da pequena Companhia da Congregação da Missão, as Filhas da Caridade, as Damas da Caridade e os Padres das Conferências das terças-feiras, a beber diariamente na fonte da oração.
Uma das frases mais citadas de São Vicente, tirada de uma conferência dada aos membros da Congregação da Missão, expressa com eloquência a atitude de Vicente:
Dai-me um homem de oração e ele será apto para tudo. Poderá dizer com o Santo Apóstolo: “Tudo posso naquele que me sustenta e me conforta” (Fl 4,13). A Congregação da Missão subsistirá enquanto o exercício da oração nela for fielmente praticado, porque a oração é como uma fortaleza inexpugnável que protegerá os missionários contra toda a sorte de ataques” 
Vicente falava da oração quotidiana. Ele afirmou aos seus seguidores:
Ora, avante, demo-nos todos à prática da oração, pois, por meio dela nos vêm todos os bens. Se perseveramos na vocação, será graças à oração. Se tivermos bom êxito em nossos encargos, será graças à oração. Se não cairmos no pecado, será graças à oração. Se permanecermos na caridade, se nos salvarmos, tudo isso será graças a Deus e à oração. Assim como Deus nada recusa à oração, quase nada concede sem a oração.
Para encorajar seus filhos e filhas a fazer a oração, ele utilizou muitas metáforas comumente empregadas por autores espirituais de sua época, dizia-lhes que a oração é para a alma o que o alimento é para o corpo. Ela é uma “fonte de juventude” onde somos revigorados. É um espelho no qual vemos todas as nossas imperfeições e nos ajustamos para nos tornarmos mais agradáveis a Deus. É um refrigério em meio a nossa difícil luta quotidiana no serviço dos pobres. Ela é uma pregação que fazemos a nós mesmos, disse Vicente aos missionários. É um livro de recursos para o pregador, no qual pode-se encontrar as verdades eternas e transmiti-las ao povo de Deus. Ela é um doce orvalho, que refresca a alma a cada manhã, disse Vicente às Filhas da Caridade.
Vicente aconselhava Santa Luísa de Marillac a formar bem as Irmãs jovens para a oração. Ele deu muitas conferências práticas sobre esse assunto. Assegurava as Irmãs que, de fato, a oração é muito fácil, é como se conversássemos com Deus durante meia hora. Ele dizia que se alguns são felizes pelo fato de falar com o rei, deveríamos nos alegrar em poder falar com Deus, de coração para coração, todos os dias.
Para Vicente, a oração é uma conversa com Deus, com Jesus, na qual expressamos nossos sentimentos mais profundos (ele chamou esta oração de “afetiva”) e buscamos saber o que Deus nos pede a cada dia, particularmente, em nosso serviço aos pobres. Ela se caracteriza por uma profunda gratidão a Jesus pelas inúmeras dádivas recebidas, especialmente, pela nossa vocação de servir os pobres. Da oração brotam resoluções sobre a maneira como poderíamos melhor servi-los no futuro. Para alguns, e até mesmo para muitos, ela dá lugar a uma contemplação silenciosa do amor que Jesus tem por nós e de seu amor pelos pobres e, isto nos impulsiona a lançar “raios de amor” que “penetram os céus” e tocam o coração de Nosso Senhor.
Para Vicente, o principal assunto da oração era a vida e o ensinamento de Jesus. Ele enfatizou que deveríamos voltar-nos incessantemente aos “mistérios” da humanidade de Jesus: seu nascimento, seu relacionamento com Maria e José, os acontecimentos do seu ministério público, seus milagres, seu amor preferencial pelos pobres. Vicente nos exortava a meditar as ações e os ensinamentos de Jesus nas Escrituras. Entre os ensinamentos de Jesus, Vicente chama a atenção especialmente para o Sermão da Montanha. Acima de tudo, recomendou a oração centrada na paixão e na cruz de Jesus.
O método que São Vicente ensinou foi o de São Francisco de Sales, fazendo apenas leves modificações. Vicente era mais sóbrio que Francisco de Sales quando falava sobre a utilização da imaginação. Embora valorizasse a oração afetiva, insistiu vigorosamente na necessidade de resoluções práticas. Em particular, nas conferências às Filhas da Caridade, ele mesclava de modo agradável a sabedoria espiritual e o bom senso. Ele alertou as Irmãs sobre o cultivo de “belos pensamentos” que não levam a nada. Preveniu os sacerdotes contra a utilização da oração como um período para o estudo especulativo.
O método proposto por São Vicente de Paulo comporta três etapas:
1. Preparação
  1. Primeiramente, colocar-se na presença de Deus. Isso pode ser feito de diferentes maneiras: considerar Nosso Senhor presente no Santíssimo Sacramento, pensar em Deus como Rei do universo, refletir sobre a presença de Deus em nosso coração.
  2. Depois, pedir ajuda para rezar bem.
  3. Finalmente, escolher um assunto para a oração, tal como um mistério da vida de Jesus, uma virtude, uma passagem das Escrituras ou um dia de festa.
2. Corpo da oração
  1. Meditar sobre o assunto escolhido.
  2. Se o assunto é uma virtude, buscar os motivos para amar e praticar esta virtude. Se for um mistério da vida de Jesus, por exemplo, a paixão, imaginar o que aconteceu e meditar sobre o seu significado.
  3. Ao meditar, expressamos a Deus o que está em nosso coração (por exemplo, o amor de Cristo que tanto sofreu por nós, o dissabor do pecado, a gratidão). Basicamente, Vicente encorajou seus seguidores a:
  • Refletir sobre o assunto da oração,
  • Identificar as motivações da escolha,
  • Tomar resoluções concretas para praticá-lo.
3. Conclusão
Agradecer a Deus pelo momento de oração e pelas graças recebidas. Apresentar a Deus as resoluções tomadas. Depois, pedir ajuda para realizá-las.
A oração diária é um elemento indispensável da nossa espiritualidade. São Vicente tinha absoluta convicção da sua importância em nossa vida e serviço junto aos pobres. Ele a qualificou como “alma de nossas almas” e pensava que sem a oração, seríamos incapazes de perseverar diante das dificuldades inerentes ao nosso serviço aos mais abandonados.
Através desta carta do Advento, quero encorajar cada membro da Família Vicentina a se comprometer ou a continuar a se empenhar na oração diária. Cada Instituto de Vida Consagrada dentro da Família Vicentina tem suas próprias Constituições e Estatutos, onde estão descritas as práticas da sua vida de oração, inclusive o tempo a ser consagrado à oração diária. Gostaria também de estimular os ramos leigos da Família Vicentina para empenharem-se quotidianamente a fazer a oração, mesmo que seja por um curto período de cinco a dez minutos.
Vicente reconheceu que existem várias maneiras de fazer a oração e incentivou a sua prática. Certamente, alguns utilizarão outros métodos, além do ensinado com frequência por ele e que descrevi anteriormente. Muito embora possamos empregar outros métodos de oração, faz-se necessário conhecer e guardar na mente o método que São Vicente de Paulo nos deixou. Afinal, o mais importante é envolver a mente e o coração na conversa meditativa com Jesus e, que a façamos quotidianamente e com perseverança.
  • A lista dos assuntos frequentes de meditação que São Vicente de Paulo nos deixou é longa:
  • a relação de Jesus com Deus Pai
  • seu amor efetivo e compassivo pelas pessoas marginalizadas
  • o Reino que anunciou
  • a comunidade que formou com os Apóstolos
  • sua oração
  • a presença do pecado no mundo e em nós
  • a prontidão de Jesus em perdoar
  • o poder de curar
  • a atitude de servo
  • o amor pela verdade/simplicidade
  • a humildade
  • a sede de justiça
  • o profundo amor humano por seus amigos
  • o desejo de trazer a paz
  • o combate contra a tentação
  • a cruz
  • a ressurreição
  • a obediência de Jesus à Vontade do Pai
  • a mansidão de Jesus
  • a mortificação
  • o zelo apostólico
  • a pobreza
  • o celibato
  • a obediência
  • a alegria e ação de graças de Jesus.
Todos esses assuntos estão relacionados a nossa missão junto aos pobres. Todos eles nos ajudarão a seguir Vicente, místico da Caridade. Que maravilhosa oportunidade nos foi dada para reavivar a oração diária que, a partir deste Advento, permanecerá como parte da nossa vida espiritual até a nossa partida desta terra para a eternidade!
Que nossa oração seja sempre fundamentada na Bíblia, nas leituras da liturgia diária. Não passemos o tempo da oração a ler um livro espiritual. Temos a possibilidade de fazer nossa leitura espiritual em outro momento do dia.
Meditar, significa colocar-se diante de Deus, diante de Jesus, através de sua Palavra. Significa colocar o nosso coração totalmente à disposição de Jesus, permitindo-Lhe que fale connosco enquanto O ouvimos. Significa permanecer em atitude de escuta ao que Jesus quer nos comunicar diariamente. Significa confiar na Providência para lutar contra todas as tentações de evitar ou omitir a oração quotidiana. Significa simplesmente estar com Jesus todos os dias no silêncio da nossa mente e do nosso coração, mesmo que nossa mente permaneça vazia e que tenhamos a impressão de que nada aconteceu, de que perdemos meia hora sem nada fazer, pois Jesus não nos comunicou nenhuma ideia, nenhum sentimento ou mensagem. Significa simplesmente acreditar no modo de comunicação de Jesus com Deus Pai. Muitas vezes, Jesus passou a noite inteira em oração. Significa simplesmente manifestar a Jesus nosso amor total por Ele, pelo simples fato de estar em sua presença, prontos para acolher a qualquer momento e conforme a Providência julgar oportuno, a mensagem que Jesus quer nos comunicar. Significa simplesmente estar lá todos os dias, prontos, para o momento que Jesus julgará apropriado, para não deixar passar o momento da graça, para não perder a visita de Jesus.
Durante os seus últimos anos, Vicente pronunciava, cada vez mais, palavras entusiasmadas sobre o amor de Deus. Claramente, elas emanavam da sua oração. No dia 30 de maio de 1659, ele rezou em voz alta durante uma conferência aos missionários:
“Consideremos o Filho de Deus. Oh! Que coração de caridade! Que chama de amor! Meu Jesus, dizei-nos vós mesmo, um pouco, por bondade. Quem vos tirou do céu para virdes sofrer a maldição da terra, tantas perseguições e tormentos que aqui sofrestes? Ó Salvador! Ó fonte de amor descido até a nós e humilhado até a um infame suplício. Quem assim mais amou o próximo do que vós? Viestes expor-vos a todas as nossas misérias, tomar a forma de pecador, levar uma vida de sofrimentos e sofrer uma morte vergonhosa. Existe, por acaso, um amor semelhante ao vosso? Mas quem poderia amar de um modo tão eminente e nobre como vós? Só Nosso Senhor amou as criaturas a esse extremo de deixar o trono do seu Pai para vir tomar um corpo sujeito às enfermidades. E para que? Para estabelecer entre nós, por seu exemplo e por sua palavra, a caridade para com o próximo. Foi esse amor que o crucificou e que gerou esse fruto admirável de nossa redenção. Ó meus Senhores, se tivéssemos um pouco desse amor, permaneceríamos de braços cruzados? Deixaríamos morrer aqueles aos quais pudéssemos assistir? Oh! Não, a caridade não pode ficar inativa. Aplicai-nos à salvação e consolação do próximo” .
Poucos santos foram tão ativos como São Vicente, contudo, suas ações brotavam de sua profunda imersão em Deus, em Jesus. Quão afortunados somos por ter um Fundador tão extraordinário!
Que Deus os cubra com suas bênçãos durante este tempo do Advento.
Seu irmão em São Vicente,
Tomaž Mavrič, CM
Superior geral

terça-feira, 13 de novembro de 2018

SEMANA DOS SEMINÁRIOS DIOCESANOS


A Igreja em Portugal vai celebrar a Semana de Oração pelos Seminários Diocesanos de 11 a 18 de novembro de 2018. É uma oportunidade e um tempo de graça para rezarmos e refletirmos sobre a vocação sacerdotal. O Seminário na vida de uma Diocese é uma Instituição de extrema importância. É chamado o “Coração da Diocese”, por isso, deve merecer por parte dos cristãos o cuidado e o interesse especial de todos. O nosso carinho e dedicação pelos Seminários é algo que identifica a vida da Igreja e dos seus fiéis. Os cristãos rezam pelos seus Seminários e por aqueles jovens que neles vivem embebidos dum verdadeiro espírito sacerdotal, pois da sua qualidade e autenticidade depende a vitalidade de uma Diocese. Só com pastores bem formados a nível humano, psicológico, espiritual, moral, teológico, científico e pastoral, seguindo as orientações da Igreja podemos ter bons e santos pastores, que em comunhão com os consagrados e os leigos edificarão o Reino de Deus.

É preciso investir mais e melhor na pastoral familiar, juvenil e vocacional. É urgente que padres e leigos tomemos consciência da importância e valor do Seminário como casa de formação e acompanhamento, onde os jovens e adultos com uma vida humana e espiritual de qualidade, façam o seu percurso de amadurecimento e discernimento vocacional. Precisamos de trabalhar mais com as famílias para que se tornem o espaço privilegiado das vocações, escutar os jovens na Igreja, na escola, no trabalho e nos espaços de lazer, para que se alguns sentirem o chamamento de Deus à vocação sacerdotal tenham a coragem de responder sim ao chamamento de Cristo, o Bom Pastor.

Porém, não basta existir uma casa a que chamamos Seminário, um serviço do Pré-Seminário bem organizado, um Seminário em Família, uma equipa que trabalha com os jovens e vocações, é preciso irmos mais longe e perguntar ao Senhor da Messe o que devemos fazer de mais e melhor neste campo da pastoral vocacional. Esta é uma pergunta que todos temos de fazer, nenhum agente pastoral pode ficar de fora. A missão de cuidar das vocações sacerdotais é do bispo, dos presbíteros, dos diáconos, dos consagrados, da família, dos catequistas, dos animadores pastorais, afinal é de toda a Igreja. É por isso que Jesus nos recorda: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos, pedi ao dono da messe que mande trabalhadores para a sua messe”.

Faço vos um apelo e confio na vossa generosidade, oração, partilha e testemunho cristão. Sem bons padres, bons consagrados e leigos, uma diocese particular não se renova nem cumpre a sua missão diante de Deus, pois todos somos chamados a uma vida nova no Espírito, que é uma vida de Santidade, como nos pede o Papa Francisco.
Rezemos para que, com o exemplo de santidade e fidelidade de Maria, os nossos Seminários cumpram a sua missão e os nossos jovens sintam o apelo a serem sacerdotes para bem da Igreja e conforto da humanidade fragilizada. Rezemos também pelos professores e formadores dos nossos Seminaristas e por todos os benfeitores do nosso Seminário.

Viseu, 6 de novembro de 2018
+ António Luciano dos Santos Costa, Bispo de Viseu

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

VOCAÇÃO E MISSÃO

Celebramos o Dia Mundial das Missões em pleno Sínodo dos bispos sobre a “Os Jovens, a Fé e o Discernimento Vocacional”. Neste contexto o Papa propõe como tema para esta jornada missionária “Juntamente com os jovens, levemos o Evangelho”. O eco deste Dia Mundial das Missões é mais forte este ano, porque a Conferência Episcopal Portuguesa decidiu propor um Ano Missionário, como resposta ao apelo do Papa Francisco de fazer de outubro de 2019 um Mês Missionário Extraordinário.  

O dia das missões é um forte apelo a pensar no que somos e fazemos para levar por diante o apelo de Jesus. Ninguém pode sentir-se dispensado de oferecer a sua colaboração ao serviço da missão de Cristo, que continua na Igreja. Este dia missionário tem de ser também momento de pensar naqueles missionários que, até sabendo das dificuldades, partiram na aventura de pregar o evangelho. Naqueles que souberam escutar o chamamento de Deus. E temos de dar graças!

Mas não podemos ficar só por aqui. Todos somos chamados a colaborar na obra das missões. E podemos fazê-lo de muitas formas. Através da oração, da ajuda económica, do empenho em conhecer o trabalho dos missionários. Mas alguns poderão concretizá-lo através da sua própria vida, como missionário ou missionária.

Todos temos de tomar consciência que nós somos a Igreja missionária. A missão hoje depende também do nosso testemunho e da nossa.

Pe Álvaro Cunha 

terça-feira, 2 de outubro de 2018

PEREGRINAÇÃO FAMÍLIA VICENTINA


MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O DIA MUNDIAL DAS MISSÕES


«Juntamente com os jovens, levemos o Evangelho a todos»

Queridos jovens, 
juntamente convosco desejo refletir sobre a missão que Jesus nos confiou. Apesar de me dirigir a vós, pretendo incluir todos os cristãos, que vivem na Igreja a aventura da sua existência como filhos de Deus. O que me impele a falar a todos, dialogando convosco, é a certeza de que a fé cristã permanece sempre jovem, quando se abre à missão que Cristo nos confia. «A missão revigora a fé» (Carta enc. Redemptoris missio, 2): escrevia São João Paulo II, um Papa que tanto amava os jovens e, a eles, muito se dedicou.
O Sínodo que celebraremos em Roma no próximo mês de outubro, mês missionário, dá-nos oportunidade de entender melhor, à luz da fé, aquilo que o Senhor Jesus vos quer dizer a vós, jovens, e, através de vós, às comunidades cristãs.

A vida é uma missão
Todo o homem e mulher é uma missão, e esta é a razão pela qual se encontra a viver na terra. Ser atraídos e ser enviados são os dois movimentos que o nosso coração, sobretudo quando é jovem em idade, sente como forças interiores do amor que prometem futuro e impelem a nossa existência para a frente. Ninguém, como os jovens, sente quanto irrompe a vida e atrai. Viver com alegria a própria responsabilidade pelo mundo é um grande desafio. Conheço bem as luzes e as sombras de ser jovem e, se penso na minha juventude e na minha família, recordo a intensidade da esperança por um futuro melhor. O facto de nos encontrarmos neste mundo sem ser por nossa decisão faz-nos intuir que há uma iniciativa que nos antecede e faz existir. Cada um de nós é chamado a refletir sobre esta realidade: «Eu sou uma missão nesta terra, e para isso estou neste mundo» (Papa Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 273).

Anunciamo-vos Jesus Cristo
A Igreja, ao anunciar aquilo que gratuitamente recebeu (cf. Mt 10, 8; At 3, 6), pode partilhar convosco, queridos jovens, o caminho e a verdade que conduzem ao sentido do viver nesta terra. Jesus Cristo, morto e ressuscitado por nós, oferece-Se à nossa liberdade e desafia-a a procurar, descobrir e anunciar este sentido verdadeiro e pleno. Queridos jovens, não tenhais medo de Cristo e da sua Igreja! Neles, está o tesouro que enche a vida de alegria. Digo-vos isto por experiência: graças à fé, encontrei o fundamento dos meus sonhos e a força para os realizar. Vi muitos sofrimentos, muita pobreza desfigurar o rosto de tantos irmãos e irmãs. E todavia, para quem está com Jesus, o mal é um desafio a amar cada vez mais. Muitos homens e mulheres, muitos jovens entregaram-se generosamente, às vezes até ao martírio, por amor do Evangelho ao serviço dos irmãos. A partir da cruz de Jesus, aprendemos a lógica divina da oferta de nós mesmos (cf. 1 Cor 1, 17-25) como anúncio do Evangelho para a vida do mundo (cf. Jo 3, 16). Ser inflamados pelo amor de Cristo consome quem arde e faz crescer, ilumina e aquece a quem se ama (cf. 2 Cor 5, 14). Na escola dos santos, que nos abrem para os vastos horizontes de Deus, convido-vos a perguntar a vós mesmos em cada circunstância: «Que faria Cristo no meu lugar?»

Transmitir a fé até aos últimos confins da terra
Pelo Batismo, também vós, jovens, sois membros vivos da Igreja e, juntos, temos a missão de levar o Evangelho a todos. Estais a desabrochar para a vida. Crescer na graça da fé, que nos foi transmitida pelos sacramentos da Igreja, integra-nos num fluxo de gerações de testemunhas, onde a sabedoria daqueles que têm experiência se torna testemunho e encorajamento para quem se abre ao futuro. E, por sua vez, a novidade dos jovens torna-se apoio e esperança para aqueles que estão próximo da meta do seu caminho. Na convivência das várias idades da vida, a missão da Igreja constrói pontes intergeracionais, nas quais a fé em Deus e o amor ao próximo constituem fatores de profunda união.
Por isso, esta transmissão da fé, coração da missão da Igreja, verifica-se através do «contágio» do amor, onde a alegria e o entusiasmo expressam o sentido reencontrado e a plenitude da vida. A propagação da fé por atração requer corações abertos, dilatados pelo amor. Ao amor, não se pode colocar limites: forte como a morte é o amor (cf. Ct 8, 6). E tal expansão gera o encontro, o testemunho, o anúncio; gera a partilha na caridade com todos aqueles que, longe da fé, se mostram indiferentes e, às vezes, impugnadores e contrários à mesma. Ambientes humanos, culturais e religiosos ainda alheios ao Evangelho de Jesus e à presença sacramental da Igreja constituem as periferias extremas, os «últimos confins da terra», aos quais, desde a Páscoa de Jesus, são enviados os seus discípulos missionários, na certeza de terem sempre com eles o seu Senhor (cf. Mt 28, 20; At 1, 8). Nisto consiste o que designamos por missio ad gentes. A periferia mais desolada da humanidade carente de Cristo é a indiferença à fé ou mesmo o ódio contra a plenitude divina da vida. Toda a pobreza material e espiritual, toda a discriminação de irmãos e irmãs é sempre consequência da recusa de Deus e do seu amor.

Hoje para vós, queridos jovens, os últimos confins da terra são muito relativos e sempre facilmente «navegáveis». O mundo digital, as redes sociais, que nos envolvem e entrecruzam, diluem fronteiras, cancelam margens e distâncias, reduzem as diferenças. Tudo parece estar ao alcance da mão: tudo tão próximo e imediato... E todavia, sem o dom que inclua as nossas vidas, poderemos ter miríades de contactos, mas nunca estaremos imersos numa verdadeira comunhão de vida. A missão até aos últimos confins da terra requer o dom de nós próprios na vocação que nos foi dada por Aquele que nos colocou nesta terra (cf. Lc 9, 23-25). Atrevo-me a dizer que, para um jovem que quer seguir Cristo, o essencial é a busca e a adesão à sua vocação.

Testemunhar o amor
Agradeço a todas as realidades eclesiais que vos permitem encontrar, pessoalmente, Cristo vivo na sua Igreja: as paróquias, as associações, os movimentos, as comunidades religiosas, as mais variadas expressões de serviço missionário. Muitos jovens encontram, no voluntariado missionário, uma forma para servir os «mais pequenos» (cf. Mt 25, 40), promovendo a dignidade humana e testemunhando a alegria de amar e ser cristão. Estas experiências eclesiais fazem com que a formação de cada um não seja apenas preparação para o seu bom-êxito profissional, mas desenvolva e cuide um dom do Senhor para melhor servir aos outros. Estas louváveis formas de serviço missionário temporâneo são um começo fecundo e, no discernimento vocacional, podem ajudar-vos a decidir pelo dom total de vós mesmos como missionários.
De corações jovens, nasceram as Pontifícias Obras Missionárias, para apoiar o anúncio do Evangelho a todos os povos, contribuindo para o crescimento humano e cultural de muitas populações sedentas de Verdade. As orações e as ajudas materiais, que generosamente são dadas e distribuídas através das POMs, ajudam a Santa Sé a garantir que, quantos recebem ajuda para as suas necessidades, possam, por sua vez, ser capazes de dar testemunho no próprio ambiente. Ninguém é tão pobre que não possa dar o que tem e, ainda antes, o que é. Apraz-me repetir a exortação que dirigi aos jovens chilenos: «Nunca penses que não tens nada para dar, ou que não precisas de ninguém. Muita gente precisa de ti. Pensa nisso! Cada um de vós pense nisto no seu coração: muita gente precisa de mim» (Encontro com os jovens, Santiago – Santuário de Maipú, 17/I/2018).

Queridos jovens, o próximo mês missionário de outubro, em que terá lugar o Sínodo a vós dedicado, será mais uma oportunidade para vos tornardes discípulos missionários cada vez mais apaixonados por Jesus e pela sua missão até aos últimos confins da terra. A Maria, Rainha dos Apóstolos, ao Santos Francisco Xavier e Teresa do Menino Jesus, ao Beato Paulo Manna, peço que intercedam por todos nós e sempre nos acompanhem.

Vaticano, 20 de maio – Solenidade de Pentecostes – de 2018.
FRANCISCO

domingo, 23 de setembro de 2018