terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

FILHAS DA CARIDADE NA CASA DE SANTA MARTA – ROMA


São Vicente de Paulo e Santa Luísa de Marillac queriam que as Filhas da Caridade fossem Filhas da Igreja e Filhas da Paróquia e que colaborassem, onde fossem enviadas, com a pastoral da Igreja local “para agradar a Deus”.

No final do século XIX, elas foram chamadas à Casa Santa Marta, no Vaticano, pelo Papa Leão XIII para diversos serviços que evoluíram ao longo dos anos (cuidados dos doentes, acolhida de peregrinos, refeitório dos funcionários, dispensário). Desde esta data, as Irmãs estão presentes no ‘Domus Sanctae Marthae’. A sua presença em Santa Marta reflecte a fidelidade da Companhia à Igreja e a sua obediência ao Soberano Pontífice.



A construção que data de 1996 substituiu o Hospital de Santa Marta edificado em 1891 a pedido do papa Leão XIII para servir de abrigo para vítimas de uma pandemia de cólera. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939 -1945)  foi utilizada para refugiar judeus e embaixadores de países que tinham cortado relações diplomáticas com a Itália. Hoje, a residência construída sob o pontificado de João Paulo II, continua a ser administrado pelas Filhas da Caridade de S. Vicente de Paulo.

Durante o Conclave de 2005 (eleição de Bento XVI) e no que aconteceu em 2013 (eleição do Papa Francisco), elas também contribuíram, discretamente, na preparação material da Casa Sta Marta, onde tiveram a graça de rezar com os Cardeais e acolher, na alegria e na fé, o novo Papa e receber sua bênção.

O Papa Francisco decidiu continuar a viver na Casa de Santa Marta no Vaticanoonde se instalou para o conclave, em vez de mudar para o apartamento papal,no palácio apostólico.

O Papa Francisco quis ficar em Santa Marta, por gostar de estar perto das pessoas. Todas as manhãs, celebra Eucaristia na Capela de Sta Marta, na qual propõe as suas reflexões, sempre muito incisivas e apropriadas.

(ATS)


terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Igrejas cristãs assinalam semana de oração pela «unidade»

«Chamados a proclamar os altos feitos do Senhor» é o tema das celebrações que decorrem entre 18 e 25 de janeiro.

A Comissão Ecuménica Diocesana do Porto vai promover diversas iniciativas na semana de oração pela unidade, entre hoje e 25 de janeiro, um “tempo importante” para celebrar e testemunhar este movimento com a cidade. “As Igrejas Cristãs do Porto, com sensibilidade ecuménica, assumem a busca da unidade desejada por Jesus, como parte integrante da sua missão, desde longa data”, explica um comunicado enviado à Agência ECCLESIA.

A Comissão Ecuménica Diocesana do Porto informa que a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, com o tema ‘Chamados a proclamar os altos feitos do Senhor’, começa com a celebração na Igreja Metodista do Mirante, na Praça Coronel Pacheco, às 21h30 de hoje. Nesta celebração de abertura vai ser lançado o ‘Roteiro Ecuménico de Oração’, com propostas ecuménicas para o ano 2016, abertas a quem pretende saber mais sobre “as tradições eclesiais e suas propostas”.

Do programa preparado para esta semana na Diocese do Porto destacam-se também duas celebrações ecuménicas na quarta-feira: No Mosteiro de Bande, em Paços de Ferreira, promovida pela Irmãs Carmelitas e pela vigararia local, às 21h00; e a Oração de Taizé na igreja das Taipas, no Porto, promovida pelos jovens das Igrejas Cristãs.

A celebração ecuménica nacional é na igreja Presbiteriana da Figueira da Foz e conta com a participação dos hierarcas das Igrejas, no dia 23 de janeiro, às 15h00. ‘Chamados a proclamar os altos feitos do Senhor’ é o tema da Semana de Oração pela Unidade dos Cristão de 2016, inspirando na Primeira Carta de S. Pedro (I Pedro 2,9).

Os textos para este Oitavário, de 18 a 25 de janeiro, foram preparados por um grupo de representantes de diversas regiões da Letônia, por iniciativa do arcebispo católico de Riga, e as palavras e expressões usadas foram retiradas da Tradução Ecuménica da Bíblia. Como introdução ao tema - Chamados a proclamar os altos feitos do Senhor – é apresentado o “mais antigo batistério” da Letónia com origem em São Meinhard, “o grande evangelizador” deste país, que agora situa-se no centro da catedral luterana de Riga, a capital, proveniente da Catedral de Ikskile.

“O local do batistério, bem perto da bela cátedra esculpida da catedral, fala com eloquência do vínculo entre batismo e pregação, assim como do chamado a proclamar os altos feitos do Senhor, dirigidos a todos os batizados”, explica o guião do Oitavário.

A Letónia apresenta-se como uma “ponte” entre as tradições católicas, protestantes e ortodoxas e seis tradições religiosas têm reconhecimento oficial, e segundo dados oficiais de 2011: 34,3% são luteranos; 25,1% católicos; batistas, 19,4% ortodoxos ou Velhos-Crentes e o judaísmo.

A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos começou a celebrar-se em 1968 e teve como primeiro tema ‘Para o louvor de sua glória’ (Efésios 1,14).
Portugal preparou o material do Oitavário de 1996 que teve como tema ‘Eis que estou à porta e bato’ (Apocalipse 3, 14-22) e encontro preparatório realizou-se em Lisboa.

CB/OC - Porto, 18 jan 2016 (Ecclesia)


sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

“Cuidar das pessoas» é o objetivo
do Refeitório das Filhas da Caridade”

2016 - Ano Nacional de Combate ao Desperdício Alimentar

A irmã Celeste Lopes, das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, é desde maio de 2005 o rosto do serviço aos mais frágeis e menos favorecidos da sociedade no Refeitório Beata Rosália Rendu acolhendo todos os credos e culturas.


“A este refeitório chegam pessoas de todas a raças, todas as cores, todas as religiões e fazem a refeição em média 35 a 40 pessoas. Depois há um grupo de famílias que apoiamos, cerca de 25 agregados com 33 crianças até aos 19 anos”, explica a religiosa na entrevista pulicada na mais recente edição do Semanário digital ECCLESIA.

Este serviço social surgiu para apoiar refugiados e migrantes sem documentos quando “acabaram as grandes obras da construção civil”, em 2005, contextualiza a irmã Celeste Lopes.

Um alerta geral dado a todas as províncias da Companhia das Filhas da Caridade para que se “adaptassem às novas pobrezas”, mesmo estando na génese desta congregação a assistência aos pobres.


O refeitório Beata Rosália Rendu, no Campo Grande, em Lisboa, surgiu de um acordo com o Serviço dos Jesuítas aos Refugiados – Portugal (JRS) e o então ACIME (Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas) há 11 anos.

“Eles (JRS) tinham a missão de acompanhar a nível jurídico, médico e as religiosas ficaram com uma das partes principais, a humana, assinala a irmã Celeste Lopes. “Muitas vezes eles chegavam aqui e pareciam tudo menos pessoas humanas porque a rua é a mãe de todos os vícios e eles metem-se em muitos vícios. Muitos conseguiram recuperar”, conta.

10 anos após a sua fundação, o refeitório Beata Rosália Rendu, em 2015, serviu 49.116 refeições, mais ou menos 150 por dia. Para além das refeições quem procura o refeitório das Vicentinas pode também fazer a higiene pessoal e lavar a roupa: “Eles enchem a máquina, tiram a roupa, estendem e cuidam dela. Eu apenas coloco a máquina a lavar”.

Portugueses, migrantes e refugiados de “diferentes culturas e religiões” são os utentes do refeitório e, a irmã Celeste Lopes, “se não vierem referenciados” como muçulmanos ou hindus, por exemplo, informa-se sobre os cuidados a ter com cada um. “A partir daí respeito sempre e tenho comida feita à parte para lhes servir”, afirma, tirando a carne de porco e a de vaca da ementa de muçulmanos e hindus, respetivamente.

O regulamento está afixado na parede do refeitório e o primeiro “dever” é «zelar pela tranquilidade e não criar conflitos» mas há sempre conflitos entre raças, religiões mas ali existe uma “civilização de irmãos”.

A Assembleia da República declarou 2016 como o Ano Nacional de Combate ao Desperdício Alimentar, e recomendou ao Governo 15 medidas.


Para a irmã Celeste Lopes “devia existir” uma sensibilização “muito grande” nas escolas, colégios, restauração, e, mesmo instituições do Estado, contra o desperdício e crítica quem não dá comida a quem precisa preferindo coloca-la no lixo obrigando “as pessoas a irem lá busca-la”. “É uma forma desumana, acho que é provocar a baixeza do ser humano”,acrescenta a religiosa das irmãs de São Vicente de Paulo.


Lisboa, 15 jan 2016 (Ecclesia) – CB/OC

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Jornada da Infância Missionária 2016
lembra crianças da América Latina

As Obras Missionárias Pontifícias promovem a 6 de Janeiro (ou na quadra da Epifania) a Jornada da Infância Missionária 2016 tendo como lema ‘Com as crianças da América falamos de Jesus’, para transmitir por palavras a “experiência interior do encontro” com Cristo.



“Na festa da Epifania, com os Magos, procuramos Jesus para estar com Ele. É bom ver o ser humano à procura de Deus. É bom ver que somos capazes de escutar a voz de Deus que fala ao coração dos homens”, explicam as Obras Missionárias Pontifícias (OMP).

No guião desta iniciativa, que começou com a preparação para o Natal, esperam que o dia 6 de Janeiro possa ser vivido com “alegria” e que a “Estrela de Belém” ilumine “os caminhos de todas as crianças do mundo inteiro”. “Uma bela maneira de aprender a falar de Jesus é a oração onde aprendemos a louvar a Deus, a dizer-lhe obrigado, a agradecer e a pensar nos outros. Unidos a Jesus, procuramos o que Ele procura, amamos o que Ele ama”, desenvolve.

As OMP apelam a ajudar todas as crianças da América a “falar de Jesus” e sublinham que como os Reis Magos, que “viram uma estrela e seguiram-na”, hoje os pais são estrelas que conduzem as crianças ao encontro com Jesus.
“Eles [pai e mãe] são quem nos conduz à fé mediante a sua educação, que continuam a guiar-nos pelos caminhos do Evangelho, onde, dia a dia, aprendemos a ser ‘discípulos missionários’, onde escutamos o que Ele nos diz para depois o anunciar como convém”,assinalam as Obras Missionárias Pontifícias.

‘Com as crianças da América falamos de Jesus’, é o lema da jornada da Infância Missionária para 2016, a penúltima etapa de um périplo pelos cinco continentes que em 2017 termina na Europa depois de ser dedicado à Ásia em 2013; África em 2014 e a Oceânia em 2015. “Durante estes cinco anos vamos vivendo a experiência de Procurar Jesus; Encontrar Jesus; Seguir Jesus; Falar de Jesus e Acolher a todos como Jesus”, contextualiza o guião desta iniciativa da Infância Missionária.

O cartaz este ano usa a cor vermelha que simboliza a terra que “vai da Amazónia até a Patagónia e ao México, abarcando todo o continente americano” e que significa “paixão, energia, excitação”.
“No âmbito cristão, o vermelho é a cor do Espírito Santo e do martírio. É a cor do Amor que nos leva a falar de Jesus com entusiasmo e alegria. As crianças a transbordar de alegria anunciam, com paixão, umas às outras aquele Jesus que passa como que vindo dos seus corações e que caminha ao encontro das crianças”, desenvolvem as Obras Missionárias Pontifícias.

Lisboa, 05 jan 2016 (Ecclesia)

domingo, 27 de dezembro de 2015

49º Dia Mundial da Paz
Mensagem do Papa Francisco


01 de Janeiro de 2016

Vence a indiferença e conquista a paz


1. Deus não é indiferente; importa-Lhe a humanidade! Deus não a abandona! Com esta minha profunda convicção, quero, no início do novo ano, formular votos de paz e bênçãos abundantes, sob o signo da esperança, para o futuro de cada homem e mulher, de cada família, povo e nação do mundo, e também dos chefes de Estado e de governo e dos responsáveis das religiões. Com efeito, não perdemos a esperança de que o ano de 2016 nos veja a todos firme e confiadamente empenhados, nos diferentes níveis, a realizar a justiça e a trabalhar pela paz. Na verdade, esta é dom de Deus e trabalho dos homens; a paz é dom de Deus, mas confiado a todos os homens e a todas as mulheres, que são chamados a realizá-lo.


Conservar as razões da esperança

2. Embora o ano passado tenha sido caracterizado, do princípio ao fim, por guerras e actos terroristas, com as suas trágicas consequências de sequestros de pessoas, perseguições por motivos étnicos ou religiosos, prevaricações, multiplicando-se cruelmente em muitas regiões do mundo, a ponto de assumir os contornos daquela que se poderia chamar uma «terceira guerra mundial por pedaços», todavia alguns acontecimentos dos últimos anos e também do ano passado incitam-me, com o novo ano em vista, a renovar a exortação a não perder a esperança na capacidade que o homem tem, com a graça de Deus, de superar o mal, não se rendendo à resignação nem à indiferença. Tais acontecimentos representam a capacidade de a humanidade agir solidariamente, perante as situações críticas, superando os interesses individualistas, a apatia e a indiferença.


Dentre tais acontecimentos, quero recordar o esforço feito para favorecer o encontro dos líderes mundiais, no âmbito da Cop21, a fim de se procurar novos caminhos para enfrentar as alterações climáticas e salvaguardar o bem-estar da terra, a nossa casa comum. E isto remete para mais dois acontecimentos anteriores de nível mundial: a Cimeira de Adis-Abeba para arrecadação de fundos destinados ao desenvolvimento sustentável do mundo; e a adopção, por parte das Nações Unidas, da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, que visa assegurar, até ao referido ano, uma existência mais digna para todos, sobretudo para as populações pobres da terra.
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quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

8 de Dezembro: Dia Santo, dia Grande

1 – SOLENIDADE DA IMACULADA CONCEIÇÃO
O dogma da Imaculada Conceição estabelece que Maria foi concebida sem mancha de pecado original e foi proclamado pelo Papa Pio IX, no dia 8 de Dezembro de 1854, na Bula Ineffabilis Deus, que diz: “Declaramos, pronunciamos e definimos que a doutrina que sustenta que a Santíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua concepção, foi por singular graça e privilégio de Deus omnipotente em previsão dos méritos de Cristo Jesus, Salvador do género humano, preservada imune de toda mancha de culpa original, foi revelada por Deus, portanto, deve ser firme e constantemente crida por todos os fiéis” (DS 2803)

O título litúrgico da Imaculada Conceição que os católicos invocam, professa uma prerrogativa concedida unicamente a Nossa Senhora: Maria foi concebida sem a mancha do pecado original. O título expressa, portanto, que a mãe de Jesus é toda santa, a cheia de graça, desde o momento da sua concepção. A declaração dogmática não introduz, contudo, nenhuma novidade no património da fé da Igreja, mas ratifica de modo definitivo e solene uma verdade que estava presente na consciência da Igreja. O valor doutrinal desta festividade aparece na prece da celebração litúrgica, que sublinha o privilégio concedido à Mãe de Deus - “Ó Deus, que pela Imaculada Conceição da Virgem preparaste ao teu Filho uma morada digna dele...”.

Em 1830 há registos da aparição de Nª Senhora a Sta Catarina Labouré, a quem mandou cunhar uma medalha com a efígie da Imaculada e as palavras: “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós”. Esta medalha, difundida aos milhões em todo o mundo, suscitou grande devoção a Maria Imaculada, induzindo muitos bispos a solicitar ao Papa a definição do dogma, que já estava a ser vivido pelos fiéis desde há muitos séculos atrás. Quatro anos após a proclamação do dogma, tiveram lugar as aparições de Lourdes, consideradas pela Igreja como uma confirmação do mesmo. Maria ao falar no dialecto local, disse: “Que soy era Immaculada Councepciou” – “Eu sou a Imaculada Conceição”.

Imaculada Conceição e Portugal: Em Portugal, o culto foi oficializado por D. João IV, primeiro rei da dinastia de Bragança, que foi aclamado quando se iniciava a festa de Imaculada Conceição. Nas cortes celebradas em Lisboa no ano de 1646, declarou D. João IV que tomava a Virgem Nossa Senhora da Conceição por padroeira do Reino de Portugal. Já no séc. XV o Rei D. Duarte fala desse título de Maria, desenvolvendo-se toda uma teologia que levou a que, no ano de 1646, D. João IV, depois da restauração de Portugal, deponha a coroa do Reino aos pés de Maria, em Vila Viçosa(Ecclesia)
2 - O CONCÍLIO VATICANO II ENCERROU HÁ 50 ANOS

A Igreja Católica assinala hoje, dia 8 de Dezembro, os 50 anos do encerramento do II Concílio do Vaticano (1962-1965), acontecimento que marcou o catolicismo contemporâneo na sua identidade e na sua relação com a sociedade.

O professor José Eduardo Borges de Pinho, da UCP, no contexto dos 50 anos do Concílio Ecuménico Vaticano II assinala que há “dificuldade” em situar a Igreja face às suas orientações mas “indiscutivelmente” a vida eclesial tem presente esses “frutos”. “No dia-a-dia da nossa vida na Igreja estamos mergulhados em muitas coisas que são fruto do Concílio, nem damos propriamente conta disso”. Destacam-se a “celebração litúrgica”, a “importância fundamental” dos leigos ou a “colegialidade episcopal”.

Borges de Pinho frisa que “indiscutivelmente” há muitos aspetos da vida da Igreja que são concretizações desta assembleia, ainda que “muita gente não tenha uma consciência” disso. “Hoje a tarefa que temos não é mais fácil porque há problemas que se tornam mais percetíveis. Temos de ser criativos para nos perguntarmos o que é aquilo que Deus pede hoje como cristãos católicos na receção do concílio, na sua aplicabilidade prática”.

 “Nem tudo o que na altura se sonhou já foi concretizado e sentimos que há limites, fragilidades da nossa própria vida eclesial que realmente poderiam e deveriam estar já superadas que não estão”. Neste contexto, o professor catedrático da Faculdade de Teologia recordou, por exemplo, a colegialidade episcopal que “foi um tema complicado”, a realidade dos cristãos leigos onde se deram passos “muito significativos, mas ainda muito pequenos” para o que pode e deve ser uma Igreja “verdadeiramente responsável no seu conjunto”. Destaca ainda que a palavra “diálogo” é um “elemento-chave” do Concílio Vaticano II, a começar pelo “acolhimento de Deus”. “Não há outra forma de anunciar o Evangelho senão numa atitude de diálogo”. (Ecclesia)


3 - JUBILEU DEDICADO À MISERICÓRDIA
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Em Março, o Papa Francisco decidiu proclamar um “jubileu extraordinário”, com início a 8 de Dezembro, centrado na “misericórdia de Deus”. “Será um Ano Santo da Misericórdia. Queremos vivê-lo à luz da palavra do Senhor: ‘Sede misericordiosos como o Pai’.

Francisco explicou que a iniciativa nasceu da sua intenção de tornar “mais evidente” a missão da Igreja de ser “testemunha da misericórdia”. O Papa defendeu que “ninguém pode ser excluído da misericórdia de Deus” e que a Igreja “é a casa que acolhe todos e não recusa ninguém”. “As suas portas estão escancaradas para que todos os que são tocados pela graça possam encontrar a certeza do perdão. Quanto maior é o pecado, maior deve ser o amor que a Igreja manifesta aos que se convertem”.



É o 29.º jubileu na história da Igreja Católica, um Ano Santo extraordinário. “É um caminho que começa com uma conversão espiritual e temos de seguir por este caminho”.

A misericórdia é «a arquitrave que suporta a vida da Igreja». Por isso, deve ser reproposta «com novo entusiasmo e com renovada acção pastoral» à humanidade do nosso tempo. É desta consciência que nasce a iniciativa de celebrar o Ano santo da misericórdia: um «tempo extraordinário de graça» e de «regresso ao essencial», define-o Francisco na Bula de proclamaçãoMisericordiae vultus (Rosto de Misericórdia), entregue solenemente durante a celebração que teve lugar na tarde de 11 de Abril, na basílica de São Pedro.

«Chegou de novo para a Igreja o tempo de assumir o anúncio jubiloso do perdão», explica o bispo de Roma, reiterando que «a credibilidade da Igreja passa pela estrada do amor misericordioso e compassivo». A bula recorda que o jubileu terá início no dia 8 de Dezembro, dia em que se celebra a Solenidade da Imaculada Conceição e o 50º aniversário do encerramento do Concílio Vaticano II, com a abertura da «porta da misericórdia» em São Pedro e, em seguida, nas basílicas papais e inclusive nas catedrais, santuários ou igrejas particulares espalhadas pelo mundo, como «sinal visível da comunhão da Igreja inteira».

O fio condutor e «lema» do Ano Santo - que termina a 20 de Novembro de 2016, dia da solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo, “rosto vivo da misericórdia do Pai”- será a palavra do Senhor: «Misericordiosos como o Pai». Entre os sinais peculiares da experiência jubilar, a bula indica sobretudo a peregrinação, as obras de misericórdia corporais e espirituais, o sacramento da penitência e a indulgência. Além disso, serão enviados «missionários da misericórdia», chamados a pregar «missões ao povo». (Ecclesia)

“Neste Ano Jubilar, que a Igreja se faça eco da Palavra de Deus que ressoa, forte e convincente, como uma palavra e um gesto de perdão, apoio, ajuda, amor. Que ela nunca se canse de oferecer misericórdia e seja sempre paciente a confortar e a perdoar. Que a Igreja se faça voz de cada homem e mulher e repita com confiança e sem cessar ‘Lembra-te, Senhor, da tua misericórdia e do teu amor, pois eles existem desde sempre’ (Sl 25, 6) ” (n.º 25).