sexta-feira, 24 de março de 2017

Sacerdote moncorvense que trouxe os Padres Vicentinos para Portugal homenageado em Moncorvo


Uma vida plena em várias dimensões. Foi assim que o bispo diocesano, D. José Cordeiro, descreveu o percurso do Pe José Gomes da Costa, nascido fez domingo 350 anos em Torre de Moncorvo mas que um acaso encaminharia para a vida da Igreja, tendo-se afirmado como uma das maiores personalidades no seu tempo.

Ao despedir-se de uns amigos que partiam de barco para Itália não conseguiu livrar-se da ressaca a tempo e acordou já a caminho de Nápoles. Acabaria por ser ordenado padre em Áquila, tornando-se no responsável pela introdução dos Missionários Vicentinos em Portugal.
O Pe. José Gomes da Costa foi homenageado pela diocese e pelo município moncorvense durante a eucaristia de domingo, onde foi apresentado um seu retrato recuperado. “Vai ser exibido no museu de Arte Sacra de Moncorvo”, garantiu o autarca Nuno Gonçalves. Também foi apresentada o projeto de recuperação de uma praça à qual será dado o nome deste ilustre moncorvense. “Esta praça enquadra-se como elemento de ligação à rua Martins Janeira, que se tornará num espaço de convívio entre dois bairros”, sublinhou o autarca
D. José Cordeiro assinalou a data na sua homilia. “Pode ler-se na Nota Pastoral da CEP sobre os quatro séculos de evangelização e três de presença em Portugal da Congregação da Missão: «Os filhos de S. Vicente de Paulo entraram em Portugal em começos do século XVIII. Foi apoiado num breve de Clemente XI que autorizava a erigir a Congregação da Missão no reino de Portugal que o padre José Gomes da Costa (1667-1725), natural de Torre de Moncorvo, e superior da casa de Monte Célio, em Roma, onde tinha ingressado na congregação vicentina, chegou a Lisboa, em novembro de 1716, para dar início à fundação”.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Missão quaresmal em Santo António de Taunton

Nós, paroquianos da Igreja de Santo António de Taunton MA, queremos agradecer ao Senhor Padre Álvaro Cunha por nos ter feito uma maravilhosa semana de pregação, nesta Quaresma de 2017. Um muito obrigado pelo seu modo de explicar as coisas, simples e acessível, que fez com que todos entendessem a sua mensagem.
Foram noites maravilhosas, especialmente quando falou da caridade que devemos ter uns com os outros. Também quando falou sobre a Senhora de Fátima e explicou como se deve rezar o terço e o sentido dos mistérios.  Foram ensinamentos que não vamos esquecer. Que Deus o abençoe, e aos padres vicentinos, para continuar na sua missão.
Também queremos agradecer ao nosso Padre William Rodrigues por o ter convidado.
Um muito obrigado.


Daniel Almas

sexta-feira, 17 de março de 2017

Faleceu o Pe Agostinho Teixeira de Sousa

Partida para a última Missão!

Com a maior das tristezas partilho a notícia do falecimento do nosso confrade e grande missionário vicentino, Padre Agostinho Teixeira de Sousa (20-07-1955/17-03-2017).
Quando vim para os EUA, para as pregações quaresmais em algumas das comunidades portuguesas, este horizonte da sua partida me marcava, e agora se confirma.

É com a maior das tristezas que não me será possível participar no seu funeral.
Mas ele sabe que estou presente! Presença que sempre foi a dele ao longo da minha caminhada, desde a sua ordenação no Monte de Santa Quitéria, passando por tantas experiências de vida e de missão, até ao início do seu último degrau no caminho da cruz. 
À Província Portuguesa da Congregação da Missão, na pessoa do Visitador, bem como aos seus familiares, os meus pêsames. 
Escolhi esta foto, pois diz a vida do meu confrade e amigo Pe Agostinho! 

Obrigado por tudo, e agora a recompensa do nosso bom Deus!


Pe Álvaro Cunha, CM

sábado, 11 de março de 2017

Retiro para Senhoras de Ludlow, EUA

            Igreja Nossa Senhora De Fátima, Ludlow, EUA

Para quem tem passado a maior parte da sua vida ao serviço de ajuda às missões Portuguesa, esta grande senhora, D. Ilda Santos, com o apoio dos Padres Vicentinos, resolveu criar um retiro para mulheres, que se organiza todos anos na primeira semana da Quaresma. Desde então, para mim é um estar sempre presente e, já lá vão muitos os anos!

É como retirar-me para o deserto, apenas por algumas horas e, aí estar em contacto direto com Deus na meditação, no silêncio, na paz, e no amor. Assim como o carro sem gasolina não trabalha, também eu sinto a grande necessidade de atestar o meu coração para poder caminhar o resto do ano. O retiro é isto para mim!

Este ano de 2017 foi o Pe Álvaro Cunha, que mais uma vez nos acompanhou. 

Um muito obrigado à Congregação da Missão, neste Ano dos 400 anos do Carisma Vicentino, por nos disponibilizar todos os anos um padre que acompanha os nossos retiros.


Isabel Costa Nogueira

segunda-feira, 6 de março de 2017

CARTA DA QUARESMA do SUPERIOR GERAL

CONGREGAZIONE DELLA MISSIONE CURIA GENERALIZIA
SUPERIORE GENERALE
A todos os membros da Família Vicentina  
Queridos irmãos e irmãs,  
 A graça e a paz de Jesus estejam sempre connosco!
Ao iniciar esta carta, gostaria de aproveitar a ocasião para agradecer-lhes de todo coração pelos numerosos votos natalinos e de feliz Ano Novo que recebi pelos correios, por e-mail e através dos diferentes meios de comunicação social. Admiro o testemunho e o serviço heroico de todos, nos momentos difíceis e nas longínquas regiões do mundo. Meu coração está com cada um, acompanhando-os todos os dias com os meus pensamentos e minhas orações. 
O tempo da Quaresma está próximo!
Na Carta do Advento, meditei sobre a “Encarnação” como um dos principais mistérios da espiritualidade de São Vicente de Paulo. Na Carta da Quaresma deste ano, gostaria de refletir sobre o mistério da “Santíssima Trindade”, como outro dos principais mistérios da espiritualidade de São Vicente.
São Vicente escreveu nas Regras comuns da Congregação da Missão: “Como, segundo a Bula de ereção da nossa Congregação, devemos venerar de maneira particular os inefáveis mistérios da Santíssima Trindade e da Encarnação, procuraremos cumprir isto com o maior cuidado e, se puder ser, de todas as maneiras, mas principalmente executando estas três coisas: 1ª fazendo frequentemente do íntimo do coração atos de fé e religião sobre estes mistérios; 2ª oferecendo todos os dias à sua glória algumas orações e obras pias e principalmente celebrando as suas festas com solenidade e com a maior devoção que pudermos; 3ª trabalhando com toda vigilância para, com instruções e exemplos nossos, infiltrar nos ânimos dos povos o conhecimento, honra e culto deles” (Regras Comuns da Congregação da Missão, X, 2).  
Nas Constituições da Congregação da Missão, podemos ler: 
“Como testemunhas e anunciadores do amor de Deus, devemos ter devoção e prestar culto, de modo especial, aos mistérios da Trindade e da Encarnação” (Constituições IV, 48). Qual é a mensagem da Santíssima Trindade para mim, pessoalmente, para a Comunidade onde vivo, a Congregação ou o grupo ao qual pertenço, para minha família, para as pessoas às quais Jesus me envia a servir?
Jesus nos ajuda a compreender a Santíssima Trindade: a identidade, a missão e o desígnio do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Jesus nos ajuda a compreender a relação que existe entre as três Pessoas, o vínculo íntimo que as une, a influência da Trindade tanto sobre cada pessoa, individualmente, quanto sobre a sociedade como um todo.
À medida que, com a graça de Deus, descobrimos e desenvolvemos um vínculo indissolúvel entre a Trindade e cada pessoa, entre a Trindade e a Comunidade, entre a Trindade e a humanidade, aproximamo-nos cada vez mais do modelo perfeito de “relações” que são os componentes fundamentais de nossas vidas. Nós não fomos criados como ilhas, separadas umas das outras, mas sim, como seres sociais e como família, de tal forma que, no âmago do nosso ser, somos um com Deus, ou seja, um com a Trindade e, um entre nós.
A Trindade permanece um mistério para nós. Jesus nos transmitiu o que sabemos sobre o Pai, o Filho e o Espírito. Jesus nos apresentou a Trindade como o modelo perfeito de “relações”.
Nossa reflexão sobre a Trindade deve estar acompanhada pela vontade e o objetivo de encarnar este modelo perfeito de “relações” na situação da vida concreta na qual me encontro, na Comunidade onde vivo, na Congregação ou no grupo ao qual pertenço, na minha família, com as pessoas às quais Jesus me envia a servir.
A Santíssima Trindade é o modelo perfeito de “relações”! Jesus nos mostra o ideal.
A relação recíproca entre o Pai e o Filho. A relação recíproca entre o Pai e o Espírito. A relação recíproca entre o Filho e o Espírito. A relação Pai, Filho e Espírito.
O que podemos contemplar nestas “relações”?
1) Podemos ver que a atenção está sempre voltada para a outra pessoa e não sobre si mesma. 2) Podemos ver que a prioridade é sempre dada à outra pessoa e não a si mesma. 3) Podemos ver que o louvor, a gratidão, a admiração são sempre dados à outra pessoa e não a si mesma. 4) Podemos ver que cada uma das três Pessoas da Trindade expressa sempre a necessidade de colaborar com a outra para realizar a missão. 5) Podemos ver que cada uma das três Pessoas da Trindade sempre expressa claramente que agir sozinha seria insuficiente e ineficaz para cada uma delas.
O que o modelo das relações no íntimo da Trindade revela sobre a minha própria vida: a) minha relação com Deus, b) minha relação com a Comunidade, c) minha relação com minha família, d) minha relação com aqueles aos quais Jesus me envia para servir?
Dado que nós não somos ilhas, mas pertencemos à família humana, as “relações” são uma parte inseparável da nossa missão. O modelo ideal da Trindade que Jesus nos deixou é o modelo a seguir.
São Vicente de Paulo fez do modelo ideal da Santíssima Trindade, um dos fundamentos de sua espiritualidade. Neste tempo de Quaresma, somos convidados a avançar para aproximarmo-nos do modelo perfeito de “relações” que Jesus nos oferece.
Se cada um de nós der prioridade ao outro, colocá-lo antes de si mesmo, antes dos próprios desejos, dos próprios interesses, antes das próprias aspirações; se cada um prestar atenção ao outro, compartilhar o tempo, os pensamentos, as experiências, as dificuldades, as dúvidas, os sofrimentos, as alegrias, etc., seguindo o modelo perfeito de “relações da Trindade”, então alguém fará o mesmo por cada um de nós. Assim, ganhará forma um conjunto maravilhoso e milagroso de relações onde, juntos, realizaremos a missão confiada por Jesus da melhor maneira e o mais eficaz possível.
Para nos ajudar a meditar sobre este modelo perfeito de “relações” sirvamo-nos de duas outras passagens de São Vicente sobre a Trindade, assim como de uma breve reflexão do Padre Getúlio Mota Grossi, CM:
“Firmemo-nos nesse espírito, se quisermos ter em nós a imagem da adorável Trindade, se quisermos ter uma santa semelhança com o Pai, com o Filho e com o Espírito Santo. O que é que opera a unidade e a pluralidade uniforme em Deus senão a igualdade e a distinção das três pessoas? E o que o seu amor engendra senão a sua semelhança? E se entre eles não reinasse o amor, que coisa existiria de amável, diz o bem-aventurado Bispo de Genebra. A uniformidade existe, portanto, na Santíssima Trindade: o que deseja o Pai, o Filho também o quer; o que faz o Espírito Santo, fazem-no o Pai e o Filho. Agem do mesmo modo. Têm um só e mesmo poder e uma só e mesma operação. Aí temos a origem da perfeição e nosso modelo. Tornemo-nos uniformes. Seremos muitos como se fôssemos somente um, e teremos a santa união na pluralidade. Se já as possuímos em parte e não o bastante, peçamos a Deus o que nos falta, e vejamos em que nos diferenciamos uns dos outros a fim de procurar assemelhar-nos todos e nos igualar, pois a semelhança e a igualdade geram o amor, e o amor, tende à unidade. Esforcemo-nos todos por ter os mesmos afetos e a mesma acolhida às coisas que se fazem ou se permite que sejam feitas entre nós” (Conferência 206 de 23 de maio de 1659 sobre a uniformidade, SV XII, 261-262).
“Enfim, vivei juntas, como tendo um só coração e uma só alma (Atos, 4,32), de modo que, por essa união de espírito, sejais uma verdadeira imagem da unidade de Deus, como vosso número representa as Três Pessoas da Santíssima Trindade. Para isso, rogo ao Espírito Santo, que é a união do Pai e do Filho, seja igualmente vosso espírito; vos dê uma profunda paz, nas contradições e nas dificuldades que não podem deixar de ser frequentes junto aos pobres. Lembrai-vos também que ali está vossa cruz, com a qual Nosso Senhor vos chama para si e seu repouso. Todo o mundo aprecia o vosso trabalho e as pessoas de bem não descobrem na terra outro trabalho mais honroso nem mais santo, quando é feito com devoção” (Carta de 30 de julho de 1651 à Irmã Ana Hardemont, em Hennebont, SV, IV, pág. 278-279).
A devoção de São Vicente à Santíssima Trindade não era um exercício intelectual, mas um apelo de seu coração. Ela o conduziu e nos conduz, enquanto Congregação que ainda vive o carisma do Fundador, a uma dupla experiência:
a) Imitar as relações entre as três Pessoas. “Como Igreja e com a própria Igreja, é na Trindade que a Congregação encontra o supremo princípio de sua ação e de sua vida” (Constituição II, 20). Somos chamados a ser a imagem da Trindade, Deus-Amor misericordioso e compassivo (cf. Conferência 152 de 6 de agosto de [1656] sobre o Espírito de Compaixão e de Misericórdia, Coste XI, pág. 340), Deus dos pobres, Deus dos últimos, dos mais frágeis, aos quais somos destinados pelo nosso carisma. Isto vale para nós, vale para as Filhas da Caridade e toda a Família Vicentina.
Chamados à unidade no amor, à uniformidade na pluralidade, à comunhão de vida, à união mútua na diversidade dos dons, animados pelo Espírito Santo; enviados como Jesus à caridade missionária evangelizadora dos pobres; um carisma inspirado pelo Espírito a São Vicente e herdado do Santo Fundador por nós, como dom à Companhia, somos desafiados à fidelidade criativa ao carisma, no seguimento de Jesus, Evangelizador dos pobres.
b) Consequentemente, nossa devoção à Trindade, como a de São Vicente deve estar indissoluvelmente ligada à missão (cf. Conferência 118 de 23 de maio de 1655, repetição da oração, Coste XI, págs. 180-182), ao anúncio do mistério do amor de Deus pelos pobres para salvá-los (cf. ibid., pág. 181). O Verbo Encarnado enviado pelo amor do Pai (cf. Jo 3, 16), concebido pelo Espírito Santo (cf. Lc 1,35), no seio da Virgem Maria e ungido pelo mesmo Espírito para anunciar a Boa-Nova aos pobres. No rosto de Jesus, Verbo Encarnado, presente nos pobres, São Vicente viu a mais perfeita manifestação do amor de Deus (Jo 3,16; 14,9), o amor privilegiado de Deus Uno e Trino aos últimos deste mundo (Getúlio Mota Grossi, CM).  Celebramos o aniversário dos 400 anos do carisma de São Vicente de Paulo. Que este ano jubilar nos traga abundantes frutos! Com uma total confiança na Providência, pela intercessão de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, de São Vicente de Paulo e todos os santos e bem-aventurados da Família Vicentina, prossigamos o caminho interior rumo a nós mesmos, e exterior rumo as nossas Comunidades, nossa família e as pessoas às quais Jesus nos envia a servir, em direção àqueles que talvez ainda não conheçam o carisma ou àqueles lugares onde o carisma ainda não criou raízes.
Espero e rezo para que as celebrações da Semana Santa, da Páscoa e do tempo pascal deste ano, tragam consigo um aumento de alegria e de sentido para cada um de nós e para nossa missão ao mesmo tempo que meditamos sobre a Trindade e caminhamos em direção ao modelo perfeito de “relações”.    Continuemos a rezar uns pelos outros!
Seu irmão em São Vicente, 
Tomaž Mavrič, CM Superior geral

quinta-feira, 2 de março de 2017

ENCONTRO DE COLABORADORES DA MISSÃO – ACHADA - MADEIRA

O Encontro dos Colaboradores da Missão Vicentina, na Achada-Gaula, no dia 19 de Fevereiro, decorreu da melhor forma, e o P. Gonçalo conseguiu cativar as pessoas com o seu jeito simples e transparente. 

Depois do acolhimento, o P. Gonçalo, começou por fazer uma referência à pessoa do P. Nóbrega que, em Agosto último, nos disse um adeus tão rápido e inesperado. Esta forma de iniciar o encontro o que caiu bem aos presentes. Depois, falou um pouco do Carisma Vicentino, da comemoração dos 400 anos do Carisma Vicentino em Portugal, indo à essência do mesmo com exemplos simples, mas muito concretos, captando a atenção e o interesse da assembleia presente, formada por mais ou menos umas trinta pessoas. 

No final desta exposição do P. Gonçalo houve espaço para sugestões e perguntas das quais passo a descrever. 
1) Necessidade de que o Carisma Vicentino e todos os eventos pensados e calendarizados ao longo deste Ano jubilar, vividos no Continente, também deviam e devem ter lugar e dinamização na Madeira, pois a história da Congregação da Missão, das Filhas da Caridade e da Família Vicentina, passa pela “pérola do Atlântico” …
2) Tal ideia e desafio surgem, porque é mais fácil deslocar-se à Ilha uma ou duas pessoas do que daqui poderem ir aos eventos já do nosso conhecimento...
3) Que haja alguma sensibilização na Ilha da Madeira, em diferentes paróquias tais como: Monte, Livramento, Estreito de Câmara de Lobos.... e outras. Esta poderia ser uma boa oportunidade para fazer uma excelente promoção vocacional, pois daqui saíram e saem ainda hoje algumas vocações e quem sabe?...A semente lançada hoje poderá vir a dar frutos, pois ninguém ama aquilo que não conhece....

Seguiu-se a Missa em memória do P. Nóbrega na igreja paroquial. Aí, estavam mais pessoas que aguardavam a chegada do grupo para também participarem na Eucaristia. Apesar de não se ter preparado qualquer guião ou folha, depressa se escolheram os cânticos. Foi uma celebração bem festiva, tal como era do gosto do P. Nóbrega, embora faltasse a viola, instrumento que sempre o acompanhou nestas andanças...
Por fim, culminou com um lanche preparado pelos presentes e de forma muito especial dinamizado pela D. Madalena (irmã) e Madalena (sobrinha) do P. Nóbrega, que fizeram questão de estarem presentes até ao fim. 

O sentimento que me fica, é que de junto de Deus, o P. Nóbrega continua a fazer a diferença. Certamente, com a sua oração por todos aqueles que ele amava, sentiu-se uma força muito grande por parte dos seus familiares mais próximos, e essa coragem só podia vir do Alto...

Ir. Maria Zita Mendes, FC

quarta-feira, 1 de março de 2017

Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2017


A Quaresma é um novo começo, uma estrada que leva a um destino seguro: a Páscoa de Ressurreição, a vitória de Cristo sobre a morte. E este tempo não cessa de nos dirigir um forte convite à conversão: o cristão é chamado a voltar para Deus «de todo o coração», para não se contentar com uma vida medíocre, mas crescer na amizade com o Senhor. Jesus é o amigo fiel que nunca nos abandona, pois, mesmo quando pecamos, espera pacientemente pelo nosso regresso a Ele e, com esta espera, manifesta a sua vontade de perdão.
A Quaresma é o momento favorável para intensificar a vida espiritual através dos meios santos que a Igreja nos propõe: o jejum, a oração e a esmola. Na base de tudo isto está a Palavra de Deus, que somos convidados a ouvir e meditar com maior assiduidade neste tempo. Aqui gostaria de me deter, em particular, na parábola do homem rico e do pobre Lázaro (cf. Lc 16, 19-31). Deixemo-nos inspirar por esta página tão significativa, que nos dá a chave para compreender como agir para alcançarmos a verdadeira felicidade e a vida eterna, exortando-nos a uma sincera conversão.

1. O outro é um dom
A parábola começa com a apresentação dos dois personagens principais, mas quem aparece descrito de forma mais detalhada é o pobre: encontra-se numa condição desesperada e sem forças para se levantar, jaz à porta do rico e come as migalhas que caem da sua mesa, tem o corpo coberto de chagas que os cães vêm lamber. Enfim, o quadro é sombrio e o homem é degradado e humilhado.
A cena revela-se ainda mais dramática, se se considera que o pobre se chama Lázaro: um nome carregado de promessas, que literalmente significa «Deus ajuda». Assim, este personagem não é anónimo, tem traços muito precisos e apresenta-se como um indivíduo a quem podemos associar uma história pessoal. Enquanto que para o rico ele é invisível, torna-se conhecido e quase familiar para nós, torna-se um rosto; e, como tal, um dom, uma riqueza inestimável, um ser querido, amado, recordado por Deus, apesar da sua condição concreta ser a duma escória humana.
Lázaro ensina-nos que o outro é um dom. A justa relação com as pessoas consiste em reconhecer com gratidão o seu valor. O próprio pobre à porta do rico não é um empecilho fastidioso, mas um apelo a converter-se e a mudar de vida. O primeiro convite que nos faz esta parábola é o de abrir a porta do nosso coração ao outro, porque cada pessoa é um dom, seja o nosso vizinho seja o pobre desconhecido. A Quaresma é um tempo propício para abrir a porta a cada necessitado e nele reconhecer o rosto de Cristo. Cada um de nós encontra-o no próprio caminho. Cada vida que vem ao nosso encontro é um dom e merece acolhimento, respeito, amor. A Palavra de Deus ajuda-nos a abrir os olhos para acolher a vida e amá-la, sobretudo quando é frágil. Mas, para se poder fazer isto, é necessário tomar a sério também aquilo que o Evangelho nos revela a propósito do homem rico.

2. O pecado cega-nos
A parábola põe em evidência, sem piedade, as contradições em que se encontra o rico. Este personagem, ao contrário do pobre Lázaro, não tem um nome, é qualificado apenas como «rico». A sua opulência manifesta-se nas roupas que usa, de um luxo exagerado. De facto, a púrpura era muito apreciada, mais do que a prata e o ouro, e por isso estava reservada para os deuses e os reis. O linho fino era um linho especial que ajudava a conferir à posição da pessoa um caráter quase sagrado. Assim, a riqueza deste homem é excessiva, até porque era exibida todos os dias de modo habitual: «Fazia todos os dias esplêndidos banquetes». Entrevê-se nele, dramaticamente, a corrupção do pecado, que se realiza em três momentos sucessivos: o amor ao dinheiro, a vaidade e a soberba.
O apóstolo Paulo diz que «a raiz de todos os males é a ganância do dinheiro» (1 Tm 6, 10). Esta é o motivo principal da corrupção e fonte de invejas, litígios e suspeitas. O dinheiro pode chegar a dominar-nos até ao ponto de se tornar um ídolo tirânico (cf. EG, 55). Em vez de ser um instrumento ao nosso dispor para fazer o bem e exercer a solidariedade com os outros, o dinheiro pode-nos subjugar, a nós e ao mundo inteiro, numa lógica egoísta que não deixa espaço para o amor e dificulta a paz.
Depois, a parábola mostra-nos que a ganância do rico torna-o vaidoso. A sua personalidade vive de aparências, fazendo ver aos outros aquilo que se pode permitir. Mas a aparência mascara o vazio interior. A sua vida está prisioneira da exterioridade, da dimensão mais superficial e efémera da existência (cf. ibid., 62).
O degrau mais baixo desta deterioração moral é a soberba. O homem veste-se como se fosse um rei, simula a posição de um deus, esquecendo-se que é um simples mortal. Para o homem corrompido pelo amor das riquezas, nada mais existe além do próprio eu e, por isso, as pessoas que o rodeiam não entram no seu olhar. Assim, o fruto do apego ao dinheiro é uma espécie de cegueira: o rico não vê o pobre esfomeado, chagado e prostrado na sua humilhação.
Olhando este personagem, compreende-se por que motivo o Evangelho é tão claro ao condenar o amor ao dinheiro: «Ninguém pode servir a dois senhores: ou não gostará de um deles e estimará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro» (Mt 6, 24).

3. A Palavra é um dom
O Evangelho do homem rico e do pobre Lázaro ajuda-nos a prepararmo-nos bem para a Páscoa que se aproxima. A liturgia de Quarta-Feira de Cinzas convida-nos a viver uma experiência semelhante à que faz de forma tão dramática o rico. Quando impõe as cinzas sobre a cabeça, o sacerdote repete estas palavras: «Lembra-te, homem, que és pó da terra e à terra hás de voltar». De facto, tanto o rico como o pobre morrem, e a parte principal da parábola desenrola-se no além. Os dois personagens descobrem subitamente que «nada trouxemos ao mundo e nada podemos levar dele» (1 Tm 6, 7).
Também o nosso olhar se abre para o além, onde o rico tem um longo diálogo com Abraão, a quem trata por «pai» (Lc 16, 24.27), dando mostras de fazer parte do povo de Deus. Este detalhe torna ainda mais contraditória a sua vida, porque até agora nada se tinha dito da sua relação com Deus. Com efeito, na sua vida não havia lugar para Deus, sendo ele mesmo o seu único deus.
Só no meio dos tormentos do além é que o rico reconhece Lázaro e queria que o pobre aliviasse os seus sofrimentos com um pouco de água. Os gestos solicitados a Lázaro são semelhantes aos que o rico poderia ter feito, mas nunca fez. Abraão, porém, explica-lhe: «Recebeste os teus bens na vida, enquanto Lázaro recebeu somente males. Agora, ele é consolado, enquanto tu és atormentado» (v. 25). No além restabelece-se uma certa equidade e os males da vida são contrabalançados pelo bem.
A parábola continua apresentando uma mensagem para todos os cristãos. De facto o rico, que ainda tem irmãos vivos, pede a Abraão que mande Lázaro avisá-los; mas Abraão respondeu: «Têm Moisés e os Profetas; que os oiçam» (v. 29). E face à objeção do rico acrescenta: «Se não dão ouvidos a Moisés e aos Profetas, tão-pouco se deixarão convencer, se alguém ressuscitar dentre os mortos» (v. 31).
Deste modo se manifesta o verdadeiro problema do rico: a raiz dos seus males é não escutar a Palavra de Deus; isto levou-o a deixar de amar a Deus e, consequentemente, a desprezar o próximo. A Palavra de Deus é uma força viva, capaz de suscitar a conversão no coração dos homens e de orientar de novo a pessoa para Deus. Fechar o coração ao dom de Deus que fala tem como consequência fechar o coração ao dom do irmão.

Amados irmãos e irmãs, a Quaresma é o tempo favorável para nos renovarmos no encontro com Cristo vivo na sua Palavra, nos Sacramentos e no próximo. O Senhor – que nos quarenta dias passados no deserto venceu as ciladas do Tentador – indica-nos o caminho a seguir. Que o Espírito Santo nos ajude a realizar um verdadeiro caminho de conversão, para redescobrir o dom da Palavra de Deus, ser purificados do pecado que nos cega e servir Cristo presente nos irmãos necessitados. Encorajo todos os fiéis a expressar esta renovação espiritual, participando também nas Campanhas de Quaresma que muitos organismos eclesiais, em várias partes do mundo, promovem para fazer crescer a cultura do encontro na única família humana. Rezemos uns pelos outros para que, participando na vitória de Cristo, saibamos abrir as nossas portas ao frágil e ao pobre. Então poderemos viver e testemunhar em plenitude a alegria da Páscoa.