quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Peregrinação às Fontes Vicentinas

Enquadrado nas várias atividades programadas para este Ano Jubilar, dos 400 anos do carisma vicentino e os 300 anos da presença da Congregação da Missão em Portugal, a Família Vicentina está a organizar uma Peregrinação aos lugares vicentinos. Estão abertas as inscrições para a Peregrinação às Fontes Vicentinas.

Apresenta-se um resumo da informação. Chamo atenção para os prazos da inscrição: é necessário obter confirmação, até ao final do mês de fevereiro.

Há duas opções de viagem: uma de autocarro, em julho, e outra de avião, em setembro. 

VIAGEM EM AUTOCARRO: 22 A 30 DE JULHO DE 2017 

Preço: 670 €  (por pessoa em quarto duplo / mínimo de 45 pessoas) *Quarto individual sujeito a acréscimo no valor final. 


ALGUNS LOCAIS A VISITAR:  Rue du Bac (Capela da Medalha Milagrosa) | Rue de Sèvre (Capela de S. Vicente de Paulo) | Paróquia de Clichy | Chatillon-surChalaronne (Châtillon-lès-Dombes) | Folleville | Santuário de Lourdes | Casa de S. Vicente (Dax) | Igreja de Baptismo de S. Vicente (Dax) | Notre Dame de Buglose | Chateau-l’Êveque | Túmulo de Frederico Ozanan e Rosália Rendu | Priorado Saint Lazare  

OUTROS LOCAIS OPCIONAIS: Torre Eiffel | Les Invalides | Sacré Coeur | Champs Elisyees | Arc du Triomphe | Catedral Notre Dame de Paris | Disneyland Paris Bateau Mouche | Église de la Saint Madeleine | Louvre | Moulin Rouge  


Dia 22 04h00: Saída de Lisboa Paragens: Burgos, S. Sebastian, Bordéus. Alojamento: Bordéus com jantar incluído. 

Dia 23 Pequeno-almoço no hotel. Paragens: Chateau L’Êveque, Limoges, Orleães, Chartres, Paris. Alojamento: em Paris com jantar incluído. 

Dia 24 Pequeno-almoço no hotel.  Visita a Paris.  Alojamento: em Paris com jantar incluído. 

Dia 25 Pequeno-almoço no hotel.  Visita a Paris.  Passeio Noturno de Barco no rio Sena (OPCIONAL) Alojamento: em Paris com jantar incluído. 

Dia 26 Pequeno-almoço no hotel.  Visita à Disney. (OPCIONAL) Alojamento: em Paris. 
Dia 27 Pequeno-almoço no hotel.  Paragens: Folleville, Chatillon-sur-Chalaronne, Lyon. Alojamento: em Lyon com jantar incluído. 

Dia 28 Pequeno-almoço no hotel.  Paragens: Avignon, Lourdes. Alojamento: em Lourdes, com jantar incluído. 

Dia 29 Pequeno-almoço no hotel.  Visita a Lourdes e Dax. Alojamento: em Dax com jantar incluído. 

Dia 30 Pequeno-almoço no hotel.  Visita a Dax.  Paragem: Salamanca, Lisboa. 

Preço: 670 €  (por pessoa em quarto duplo / mínimo de 45 pessoas) *Quarto individual sujeito a acréscimo no valor final. 

OPCIONAL: Passeio de barco no rio Sena: 13 € Entradas na Disney: 72,50 € (para 2 parques) 

INSCRIÇÕES E PAGAMENTOS: Inscrições indicativas até 28 de fevereiro de 2017 (A inscrição só será confirmada com o pagamento da 1ª prestação) Pagamento: 1ª (250€ até 31 Março) / 2ª (250€ até 30 Abril) / 3ª (170€ + OPCIONAIS até 31 Maio) 

NOTA: As informações acima disponibilizadas podem sofrer alterações, uma vez que estão condicionadas ao número de participantes. Inclui: Taxa de Sejour, Autocarro de Turismo com 2 motoristas, Seguro de Viagem, Alojamento – Regime Meia Pensão (indicado) 
Para inscrições ou mais informações poderá contactar: 
P. Agostinho - 916 408 991(svpagostinho@gmail.com) 
Seminarista Francisco - 967 116 757 (francisco.s.vilhena@gmail.com)  

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VIAGEM DE AVIÃO: 30 DE AGOSTO A 6 DE SETEMBRO DE 2017 

Preço: 945 €  (por pessoa em quarto duplo* / mínimo de 40 pessoas) *Quarto individual sujeito a acréscimo no valor final. 

ALGUNS LOCAIS A VISITAR:  Rue du Bac (Capela da Medalha Milagrosa) | Rue de Sèvre (Capela de S. Vicente de Paulo) | Paróquia de Clichy | Chatillon-sur-Chalaronne (Châtillon-lès-Dombes) | Folleville | Santuário de Lourdes | Casa de S. Vicente (Dax) | Igreja de Baptismo de S. Vicente (Dax) | Notre Dame de Buglose | Chateau-l’Êveque | Túmulo de Frederico Ozanan e Rosália Rendu | Priorado Saint Lazare  

OUTROS LOCAIS OPCIONAIS: Torre Eiffel | Les Invalides | Sacré Coeur | Champs Elisyees | Arc du Triomphe | Catedral Notre Dame de Paris | Disneyland Paris Bateau Mouche | Église de la Saint Madeleine | Louvre | Moulin Rouge  
  
Dia 30 Avião: Lisboa 09.55h – 13.20h Paris Visita a Paris.  Alojamento: em Paris com jantar incluído. 

Dia 31 Pequeno-almoço no hotel.  Visita a Paris.  Passeio Noturno de Barco no Rio Sena. (OPCIONAL) Alojamento: em Paris com jantar incluído. 

Dia 1 Pequeno-almoço no hotel.  Visita a Paris.  Alojamento: em Paris com jantar incluído. 

Dia 2 Pequeno-almoço no hotel.  Visita à Disney. (OPCIONAL) Alojamento: em Paris. 

Dia 3 Pequeno-almoço no hotel.  Paragens: Folleville, Chatillon-sur-Chalaronne, Lyon. Alojamento: em Lyon com jantar incluído. 

Dia 4 Pequeno-almoço no hotel.  Paragens: Avignon, Lourdes. Alojamento: em Lourdes, com jantar incluído. 

Dia 5 Pequeno-almoço no hotel.  Visita a Lourdes e Dax. Alojamento: em Dax com jantar incluído. 

Dia 6 Pequeno-almoço no hotel. Paragens: Chateau L’Êveque, Bordéus. Avião: Bordéus 19.50h – 20.50h Lisboa. 

Preço: 945 €  (por pessoa em quarto duplo* / mínimo de 40 pessoas) *Quarto individual sujeito a acréscimo no valor final. 

OPCIONAL: Passeio de barco no rio Sena: 13 € Entradas na Disney: 72,50 € (para 2 parques) 

INSCRIÇÕES E PAGAMENTOS: Inscrições indicativas até 28 de fevereiro de 2017 (A inscrição só será confirmada com o pagamento da 1ª prestação) Pagamento: 1ª (250€ até 31 Março) / 2ª (250€ até 30 Abril) / 3ª (250€ até 31 Maio) / 4ª (195€ + OPCIONAIS até 30 Junho) 

NOTA: As informações acima disponibilizadas podem sofrer alterações, uma vez que estão condicionadas ao número de participantes. Inclui: Taxa de Sejour, Autocarro para percurso em França, Seguro de Viagem, Alojamento – Regime Meia Pensão (indicado). 
Para inscrições ou mais informações poderá contactar: 
P. Agostinho - 916 408 991(svpagostinho@gmail.com) 
Seminarista Francisco - 967 116 757 (francisco.s.vilhena@gmail.com)  

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Congregação da Missão e Viseu

1 – E tudo começou assim…
1.1 – O Fundador

Vicente de Paulo nasceu no século XVI (1581), mas a sua ação evangelizadora desenvolveu-se em pleno século XVII. Nasceu no meio rural, no entanto, a sua missão de sacerdote desenvolveu-se principalmente na grande cidade – Paris.
Até aos 13 anos ocupou-se nas atividades campestres, no seio duma família trabalhadora – uma família que não vivia na miséria, mas com algum desafogo. Após os estudos em Dax e em Toulouse, foi ordenado sacerdote aos 19 anos. De seguida, vive uma vida bem plena e feita de múltiplos compromissos: esmoler da rainha, pároco de Clichy, preceptor dos filhos dos Gondi e missionário nas suas terras, capelão das Galés do Rei de França, membro do Conselho de Consciência, formador do clero, evangelizador pela Palavra e pelo Pão e, acima de tudo, fundador de três grupos cristãos que perduram nos dias de hoje…

A 27 de Setembro de 1660, Vicente de Paulo parte para a “Casa do Pai”. Foi beatificado a 21 de agosto de 1729, e canonizado a 16 de junho de 1737. Mais tarde, em 1885, o Papa Leão XIII declarou-o “Padroeiro das Obras de Caridade da Igreja”.

1.2 – As Fundações

Sabemos que, nos dias de hoje, são cerca de duzentos os agrupamentos (congregações, institutos, movimentos, associações…) que têm este “Santo da Caridade” como patrono e inspiração. No entanto, apenas três fundações vêm diretamente dele, a saber: as “Caridades”, que hoje dão pelo nome de AIC (Associação Internacional das Caridades); as Filhas da Caridade, fundadas numa colaboração fecunda e profunda com Santa Luísa de Marillac; e a Congregação da Missão. Espiritualmente, a Congregação da Missão, ou Padres Vicentinos, nasceram no dia 25 de janeiro, na Igreja de Folleville, França, naquele que Vicente de Paulo denominou “o primeiro sermão da Missão”. Um acontecimento tão marcante, pela adesão das pessoas à conversão e à penitência, que não mais Vicente de Paulo descansado, voltando-o definitivamente para a missão de evangelizar e para o serviço dos mais pobres.

2 – E a Missão continua!...

2.1 – No mundo de hoje.
A Congregação da Missão está presente no mundo desta maneira:
- 39 províncias canónicas; 5 vice-províncias; 8 regiões.
- 3.187 membros, entre bispos; padres; diáconos; irmãos leigos; seminaristas
- 516 casas (comunidades).
- 45 são as nações onde estamos presentes, de maneira jurídica. Assim: 9 na África; 12 na América; 7 na Ásia; 15 na Europa; 2 na Oceânia.

2.2 – No Portugal de hoje.

Hoje em Portugal somos 39 padres, 3 seminaristas, e 6 missionários em Moçambique. Estamos em 7 dioceses e 9 Comunidades.

À Diocese de Viseu, a Congregação da Missão chegou em 1922.  As missões populares por toda a Diocese e dioce­ses vizinhas e outros trabalhos pastorais, foram a atividade primordial da ação dos Padres Vicentinos.
Algumas situações obrigaram a encerrar a Comunidade de Viseu, em Mar­ço de 1934, voltando novamente 30 anos depois, em 1964. A par­tir de janeiro de 1971, a Diocese entregou à comuni­dade o cuidado da paróquia de Orgens, e em 2014 a paróquia de S. Salvador, criando assim uma Unidade Pastoral.
Desde 1922 Comunidade viveu sempre em casas arrendadas (5) e só em 1990 é que passou a viver em Casa própria, a Casa de S. Vicente de Paulo, no Monte Salvado.

2.3 – Desafios e compromissos:


Em Portugal, dedicamo-nos prioritariamente às Missões Populares (muito voltadas, de momento, para a formação de pequenas comunidades cristãs que apostam na formação de jovens e adultos); estamos empenhados na pastoral paroquial, como espaço de encontro e de evangelização; temos outros campos de atividade, como seja a pastoral dos doentes, a animação dos vários ramos da Família Vicentina, a formação de leigos e de consagrados…  

sábado, 28 de janeiro de 2017

O Carisma dom de Deus para os homens
Já lá vão 400 anos(1617) quando se começou a escrever uma história bonita graças ao dom (carisma) que o P. Vicente de Paulo recebeu de Deus para o serviço da Igreja e da Sociedade.
Para serviço da Igreja, criando uma onda de renovação que passa pela formação do laicado(Missões Populares)e sua corresponsabilidade em serviços paroquiais (as Confrarias da Caridade),pela formação do Clero com a abertura deSemináriosretiros para Sacerdotes e leigos,e as Conferências das Terças feirascom a preocupação daquilo que nós hoje chamamos a formação permanente.
Para o serviço da Sociedade, sempre sob o impulso da Caridade, tudo o que era carência humana a necessitar de resposta e de intervenção urgentesesteve na mira do P. Vicente de Paulo: a fome e a paralisação da vida rural causadas pelas ondas sucessivas de pestes e pelas guerras; as vagas de refugiados dessas zonas em procura de abrigo nas cidades; a guerra civil resultado das ambições políticas e dos desentendimentos entre o primeiro-ministro (Mazarino) e o parlamento; a libertação dos escravos aprisionados pelos berbéres na costa mediterrânica de França e “armazenados”em Túnis, à espera de resgaste ou de venda; os condenados a remar nos barcos da armada francesa em condições infra-humanas; a falta de recursos, materiais e humanos que não permitia o tratamento das pessoas com eficiência e dignidade, nos hospitais…Nem a diplomacia escapou ao “olhar pastoral” de Vicente Paulo…
Para dar resposta a todas estas situações clamorosas,o S. Vicente de Paulo mobilizou o que de melhor e mais nobre tinha a sociedade francesa: homens e mulheres, ricos e pobres, clérigos e leigos, moças do campo e senhoras aristocratas da cidade, pessoas solteiras, casadas ou viúvas… Todos impelidos pela força do amor tal como se exprime no capítulo XXV de Mateus. Foi este dom recebido por Vicente que contribuiu para que se escrevesse esta história que constitui uma das páginas mais belas da Igreja de França…e faz com que ele, P. Vicente, seja considerado um dos precursores do estado social moderno de que a Europa de hoje tanto se orgulha.
Esta história começou a ser escrita em Português há trezentos anos(1717) com a chegada dos padres da Congregação da Missão a Portugal. E aqui o carisma do P. Vicente de Paulo revelou-se tão vivo e tão atuante como em França. Percorreu todo o País,ultrapassou fronteiras,chegou ao Brasil,a Goa e a Macau… e a Moçambique. Por duas vezes foi cortado cerce com garantias de extermínio(1834 e 1910), outras tantas vezes rebentou, floriu e deu frutos…A história continua a escrever-se e é tão bela como nos primórdios porque o conteúdo é o mesmo: incarnar o amor de Deus tornando-o percetível por cada homem e por cada mulher de hoje a quem o rosto misericordioso de Deus se quer manifestar. Duas coisas são urgentes, porém: novos agentes para continuar a escrita desta “história”e mudança de mentalidade para entender e ser entendido por esta sociedade no meio da qual vivemos e aquemsomos continuamente enviados. Garantia de que isso é possível,a frase do P. Vicente: “O amor é inventivo até ao infinito”. Eis o segredo do seu êxito. É certamente também o nosso.
P. José Augusto GonçalvesAlves, CM
Visitador

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terça-feira, 6 de dezembro de 2016

FAMÍLIA VICENTINA
Papa reconhece mártires da Guerra Civil Espanhola

O Vaticano publicou (2 de Dezembro) o decreto através do qual o Papa Francisco reconheceu o martírio de mais de 20 sacerdotes, religiosos e leigos assassinados por ódio à fé durante a guerra civil espanhola, entre 1936 e 1937.
De acordo com o comunicado da sala de imprensa da Santa Sé, Francisco promulgou um decreto respeitante ao "martírio dos Servos de Deus Vicente Queralt Lloret, sacerdote professo da Congregação da Missão" e de mais 20 companheiros".
"Entre os quais seis sacerdotes professos da mesma Congregação, cinco sacerdotes diocesanos, duas religiosas Filhas da Caridade e sete leigos da Associação Filhos de Maria da Medalha Milagrosa", pode ler-se.
Na sequência de um encontro com prefeito da Congregação das Causas dos Santos, o cardeal Angelo Amato, o Papa argentinou autorizou ainda o referido dicastério a promulgar decretos que reconhecem milagres, martírios e virtudes heróicas de mais uma dezena de pessoas, de diversos países.
Entre as quais dos Servos de Deus João Schiavo, sacerdote professo da Congregação de São José (Brasil); morto em 27 de janeiro de 1967; Teófilo Matulionis, arcebispo-bispo de Kaišiadorys (Lituânia); assassinado por ódio à fé em 20 de agosto de 1962; e Stanley Francesco Rother, sacerdote diocesano (EUA); assassinado por ódio à fé em 28 de julho de 1981.
Agência Ecclesia02 de Dezembro de 2016


sábado, 3 de dezembro de 2016

 S. Francisco Xavier – Padroeiro das Missões
Francisco Xavier nasce perto de Pamplona, Espanha, a 7 de Abril de 1506, quinto filho de D. João de Jassu, Senhor de Xavier e Ydocin, e de Dona Maria de Azpilcueta e Xavier. Aos 19 anos está em Paris, instalado no Colégio de Santa Bárbara, a estudar Humanidades. Forma-se depois em Filosofia e Teologia pela Sorbonne. Aí conhece Inácio de Loyola que viria a ser fundador da Companhia de Jesus. Torna-se seu amigo e seguidor.




A 15 de Agosto de 1534, na Capela de Montmartre, faz votos de pobreza e castidade perpétua. Recebe as Ordens Sacras em Veneza a 24 de Junho de 1537, seguindo depois para Roma onde se põe à disposição do Papa para o serviço da Igreja. A 15 de Março de 1540 parte de Roma com destino a Lisboa, onde chega três meses depois.

Enviado pelo Papa Paulo III, era a resposta de Roma aos apelos veementes do Rei de Portugal, D. João III, preocupado com a evangelização da Índia e a dilatação da Fé no Oriente.

De Portugal para o Oriente
Chegado a Lisboa, o Pe. Francisco Xavier refugia-se no Hospital de Todos-os-Santos onde de imediato se dedica aos enfermos e ao ensino da doutrina cristã. Ganha em pouco tempo a percepção do universalismo dos portugueses e de Lisboa larga, a 7 de Abril de 1541, na armada das índias, para ser Apóstolo e Santo. Antes da partida, o Rei D. João III entrega-lhe o Breve Papal nomeando-o Núncio Apostólico nas Partes da índia, com amplos poderes para estabelecer e manter a Fé em todo o Oriente.


Depois de uma breve passagem em Moçambique, chega a Goa a 6 de Maio de 1542. Logo se apresta a ir oferecer os seus serviços a D. João de Albuquerque que pastoreia a Diocese de Goa, na altura a mais dilatada da Cristandade. Rapidamente se apercebe de uma vida religiosa local muito precária, e carenciada de assistência. Os pouco mais de dez anos que se seguem até à sua morte, vai vivê-los de forma febril, andando por terra e por mar, sem nunca parar, num frenesim constante a espalhar a palavra Divina, a levar a Boa Nova.

Logo em Outubro de 1542 parte para o Sul da índia a evangelizar os pescadores da Costa da Pescaria. Visita Comorim, Manapar e Tuticorim. Em Outubro de 1543 regressa a Goa. Fundada canonicamente a Companhia de Jesus, o Padre Francisco Xavier é nomeado Superior de toda a Missão da índia Oriental, desde o Cabo da Boa Esperança até à China. Volta à Costa da Pescaria. Visita depois Cochim, Malaca, as Molucas, Macassare, Ceilão. Ensina, baptiza, e concilia príncipes desavindos.

Morte em Sanchoão
A 15 de Agosto de 1549, via Cochim e Malaca e navegando pelos mares da China, chega a Kagochima, na costa meridional do Japão. De regresso a Cochim envia cartas ao Rei D. João III. Solicita-lhe reforços missionários. Tentando a missionação na China, para lá se dirige a bordo da nau Santa Cruz. Em Singapura volta a escrever a D. João III. Em Setembro de 1552 desembarca na Ilha de Sanchoão, a dez léguas da Ilha de Macau, na China.

Aí adoece gravemente. Sofrendo vertigens e convulsões, minado por febres devoradoras, cheio de privações, morre só e pobre na noite de 2 para 3 de Dezembro de 1552. Havia percorrido milhares de quilómetros, cruzado várias vezes os mares do Índico e do Pacífico, visitado mais de cinco dezenas de reinos, fundado Igrejas, reorganizado as missões.

Exemplo de humildade e de solidariedade cristã, de amor ao próximo e de evangélica pobreza, era venerado por milhões de pessoas de todas as condições sociais, de todas as idades, de todas as etnias. A fama de Santo, o "Santo de Goa", tinha chegado a toda a parte, as suas virtudes eram exaltadas.

Em 17 de Fevereiro de 1553 o seu corpo é removido e levado para Malaca e daqui para Goa, onde chega a 16 de Março de 1554. A recebê-lo, numa impressionante manifestação de Fé, estão o Vice-Rei, o Clero, a Nobreza e o imenso Povo.

A subida aos altares
A devoção de que já gozava em vida vai crescer extraordinariamente depois da morte. Os seus milagres tornam-se conhecidos. A 25 de Outubro de 1605 Francisco Xavier é beatificado por Paulo V e Gregório XV canoniza-o a 12 de Março de 1622. A 24 de Fevereiro de 1748 Bento XIV proclama-o Padroeiro do Oriente.

Em 1904 Pio X coloca sob a sua protecção a Sagrada Congregação da Propagação da Fé. Em 1927, Pio XI constitui-o, com Santa Teresa do Menino Jesus, protector de todas as obras missionárias.
O seu corpo repousa numa riquíssima urna de prata, na Basílica do Bom Jesus, na Velha Goa.

Para lá se dirigem todos os anos milhares de peregrinos, crentes e mesmo não crentes, venerando o "Homem Bom", o Apóstolo incansável. A Igreja festeja-o todos os anos no dia 3 de Dezembro.


In “Paróquia de S. Francisco Xavier – Lisboa”

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Fórum Ecuménico Jovem

Atacar e matar todas as fomes

‘Dai-lhes vós de comer’ (Mt 14,16) foi a ordem de Jesus que se transformou em lema da XVIII edição do Fórum Ecuménico Jovem (FEJ 2016), realizado a 12 de Novembro no Seminário de S. Joana Princesa.

D. António Moiteiro, Bispo de Aveiro, cumpriu bem o seu papel de anfitrião dando as boas vindas e participando neste FEJ. D. Sifredo Teixeira, Presidente do Conselho Português das Igrejas Cristãs, também saudou os cerca de 300 jovens idos de muitos pontos do país.

O aprofundamento do tema coube ao P. João Gonçalves, responsável pela coordenação da pastoral prisional católica e por diversas obras sociais em Aveiro. Chamou a atenção para a tentação de ‘mandar a malta embora’ quando o que se exige é convidar a sentar e repartir o pão, como fez Jesus. É preciso ver a multidão com problemas, senti-los, ter compaixão e tentar resolver. O tema do FEJ surgiu do Ano Europeu contra o Desperdício Alimentar, proposto pela União Europeia.  Por isso, o P. João lembrou números da FAO /ONU que dizem que cada pessoa da Europa desperdiça 132 kgs de comida por ano! Evocou ainda outras fomes como a de escuta, de afectos e de valores. Concluiu que temos que ter olhos no coração e ser a voz e a vez dos sem vez e sem voz.

O tempo de reflexão em grupos (20) permitiu aprofundar o tema e reflectir a partir de questões e de objectos escolhidos pela organização.

Mantendo uma tradição que vem do I FEJ (1999), o almoço foi partilhado, sendo um tempo e  um espaço de  confraternização entre os jovens vindos de várias partes de Portugal e pertencentes a diversas Igrejas.

A tarde deveria ser de saída às ruas de Aveiro para descobrir muros e pontes construídas para unir ou separar as pessoas. Mas a chuva obrigou a alterar planos e os 20 grupos partilharam as reflexões, com o P. João comentar e complementar. Também houve tempo para se escutar a história dos XVII FEJs já realizados, bem como de outras iniciativas promovidas pela Equipa Ecuménica Jovem.

Momento alto foi o da Celebração Final com a participação das três centenas de jovens e de uma quinzena de hierarcas das Igrejas. Simbólica foi a partilha de um grande pão pelos jovens e a colocação, junto ao altar da Capela do Seminário, de numerosos produtos de higiene que os jovens ofereceram às Florinhas do Vouga, uma das Obras Sociais da Diocese de Aveiro.

Na hora da despedida era grande a cumplicidade que já se sentia entre os jovens e a gratidão especial aos departamentos de Aveiro da Pastoral Juvenil das Igrejas Católica e Metodista, anfitriões. As Igrejas organizadoras (Católica, Metodista, Lusitana e Presbiteriana) prometem já a edição do XIX FEJ em Novembro de 2017.
Obras Missionárias Pontifícias

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Nota Pastoral da CEP sobre os quatro séculos de evangelização
e três de presença em Portugal da Congregação da Missão


1. Carisma Vicentino

Completam-se em 2017 quatro séculos após S. Vicente de Paulo, animado de zelo apostólico, ter recebido a inspiração celeste que o chamava a fundar uma comunidade de missionários devotados à evangelização dos pobres e à criteriosa formação espiritual, doutrinal e pastoral do clero. Graças à fecundidade apostólica dessa intuição fundacional viriam a nascer a Congregação da Missão, a Companhia das Filhas da Caridade e a plêiade de instituições de serviço fraterno aos mais pobres e marginalizados, de que as Conferências Vicentinas são hoje uma das expressões sociais mais conhecidas. Celebra-se igualmente no ano de 2017 o terceiro centenário da entrada em Portugal do carisma vicentino trazido pelo instituto da Congregação da Missão.
A Conferência Episcopal Portuguesa congratula-se com a feliz efeméride e associa-se à ação de graças e louvor que toda a Família Vicentina eleva ao Senhor nesta data comemorativa. Com efeito, as duas datas evocam a missão eclesial de S. Vicente de Paulo e do carisma que o inspirou a favor dos pobres, da reforma do clero e da caridade que ele soube converter em inúmeros projetos sociais. E se altas figuras da aristocracia francesa de então encontraram nele conselho e assistência espiritual, foram os pobres do mundo rural e das cidades que mais o inquietaram, estimulando-o à prática das obras de misericórdia espirituais e corporais. Escolheu, por isso, servir pastoralmente a Igreja como pároco numa humilde aldeia rural e, pouco a pouco, foi descobrindo que a verdadeira dimensão da pobreza tanto diz respeito à falta de pão como à necessidade de uma fé viva e esclarecida. Daí a urgência que sentiu de promover três linhas de ação principais: organizar as caridades, grupos de cristãos leigos dedicados a servir os pobres; efetuar missões populares que despertem e eduquem na fé o povo humilde dos campos; dinamizar a formação cultural e pastoral do clero através de conferências e da organização dos seminários.
Da vasta obra caritativa do fundador da Congregação da Missão e das Filhas da Caridade, lembremos aqui duas lições notáveis. A guerra da Fronda, que devastou com os seus tentáculos de violência várias regiões da França, espalhando fome, doença e toda a espécie de misérias, gerou multidões de desalojados que, fugindo das frentes de batalha, acorriam às cidades. Em vez de melhorarem a situação, tornavam-na muitas vezes mais grave ainda. Com imaginação e empenho, logo cuidou de pôr em ação um projeto destinado a conter a desumanidade dessas migrações. Passou a enviar, por diversos caminhos, alimentos e outros bens de primeira necessidade, evitando que fossem os pobres a fazer longas caminhadas, tornando assim a vida do povo menos sofrida. Esta capacidade de mobilizar recursos materiais e humanos de forma bem organizada e, por isso, mais eficaz, descobriu-a ele muito cedo.
Alertado, quando se preparava para celebrar a missa dominical, para a existência, em lugar remoto, de uma família cujos membros estavam todos gravemente doentes, apelou do púlpito ao coração dos ouvintes para levarem ajuda a tão dolorosa situação. A resposta fraterna dos presentes foi generosa e rápida. Mas como assegurar continuidade a esse gesto episódico de caridade? Vicente de Paulo percebeu então, por experiência, que caridade sem organização pode resultar em falta de caridade. E tornou-se mestre na arte de organizar e gerir as caridades, sem jamais esquecer que a caridade de Cristo deve animar sempre a dedicação e serviço dos pobres. Ação social, evangelização, formação do clero, eis três campos fundamentais nos quais trabalhou S. Vicente de Paulo e em que continua vivo o carisma que imprimiu nas obras que fundou. Foi, por isso, com justiça e verdade, chamado por S. João Paulo II “homem de ação e de oração, de organização e de imaginação, de direção firme e de humildade, homem de ontem e de hoje” (Alocução à Assembleia Geral da Congregação da Missão, em 1986).
2. Presença em Portugal

Os filhos de S. Vicente de Paulo entraram em Portugal em começos do século XVIII. Foi apoiado num breve de Clemente XI que autorizava a erigir a Congregação da Missão no reino de Portugal que o padre José Gomes da Costa (1667-1725), natural de Torre de Moncorvo, e superior da casa de Monte Célio, em Roma, onde tinha ingressado na congregação vicentina, chegou a Lisboa, em novembro de 1716, para dar início à fundação. Tem a data de 20 de maio de 1717 o documento em que o Procurador do Supremo Tribunal da Justiça do Reino concede existência legal à Congregação da Missão. A Província de Roma, donde vinha o fundador, enviou de imediato quatro sacerdotes e um irmão para formarem a primeira comunidade. E, em 1720, era fundada a primeira casa da Missão, na quinta de Rilhafoles, em Lisboa, casa central donde irradiará intensa e frutuosa atividade votada à formação do clero e às missões populares. Até 1834, a vida da Congregação desenvolveu-se à volta de três grandes centros: Lisboa (casa de Rilhafoles); Braga (casa da Cruz) e Évora (Seminário). A par desta ação missionária dentro do país, ocorreu também intensa atividade apostólica no Oriente (seminários de Goa e Macau, missões em Pequim, Nanquim e Malaca), e ainda no Brasil, com a obra missionária do padre António Ferreira Viçoso, que será depois sétimo bispo de Mariana.
Após a extinção em 1834, a vida da Congregação da Missão começou a ser restabelecida a partir de 1857. Durante este segundo período, que se prolongou até à implantação da República, em 1910, as atividades principais da Congregação da Missão foram as missões populares, a formação da juventude em colégios, a fundação e acompanhamento de conferências vicentinas e associações religiosas, nomeadamente na Igreja de S. Luís dos Franceses, em Lisboa, na residência de Santa Quitéria, Felgueiras, e no Funchal, Madeira, onde, além da capelania do Hospício Princesa Dona Amélia, assumiram a direção do Seminário Maior da Diocese. Este surto de crescimento foi bruscamente interrompido em 1910, ano em que foram assassinados dois virtuosos missionários, os padres Alfredo Fragues, Provincial, e Bernardino Barros Gomes, ilustre homem de ciência.
Outra vez renascida das cinzas em 1927, os esforços dos res­ponsáveis da Província Portuguesa da Congregação da Missãoconcentraram-se na organização das comunidades e respetivas obras, e ainda na formação de novos missionários. Com essa finalidade, ergueram vários Seminários: Pombeiro e Oleiros (Felgueiras) e, mais tarde, Mafra e Braga. Novas condições e exigências de formação académica e pedagógica obri­garam à criação de Lares de Estudantes no Ameal, Porto, e na Luz, em Lisboa. Nova fase da Missão Ad Gentesteve início em 1940, com a fundação de comunidades missionáriasem Moçambique. Na década de 1960, metade dos seus membros, quase sempre os mais jovens, rumava a Moçambique. Esta situação exigiu a criação de uma estrutura jurídica mais ágil e bem inserida no terreno moçambicano. Nascia, assim, em 1965, a Vice-Província. Além da presença missionária junto das populações autóctones, assumiram, na linha do carisma do Santo Fundador e em condições de grande exigência e responsabilidade eclesial, a obra dos seminários. Dirigiram a formação do clero moçambicano em três seminários. Por estas instituições de formação passou a maior parte do clero local, bem como muitos dos bis­pos desse país.
Além de obras de apostolado missionário já existentes em Chaves, Viseu, Felgueiras, Lisboa e Funchal, o regresso de alguns missionários, após a independência de Moçambique, permitiu que fossem assumidas obras diocesanas, designadamente paróquias nas dioceses de Santarém, Beja e Portalegre-Castelo Branco. Voltou, depois, com renovada entrega e dinâmica evangelizadora a tradicional obra das missões populares. De norte a sul, equipas de Padres, Filhas da Caridade e Leigos, preparadas para anunciar a mensagem do Evangelho em novos contextos sociais e culturais, percorreram inúmeras paróquias, a convite dos respetivos bispos e párocos. Entre essas renovadas iniciativas de evangelização contam-se as Comunidades Familiares de Caridade, pequenos grupos de agentes pastorais disponíveis para assegurar continuida­de à evangelização realizada nas missões populares.
3. Desafios do carisma vicentino para o nosso tempo

O coração do carisma vicentino é o exercício da caridade cujo modelo foi dado pelo divino Mestre. S. Vicente de Paulo resumiu as virtudes do Filho de Deus a duas principais: união com o Pai e caridade para com os homens. A atualização deste carisma passa hoje pelo compromisso com os mais pobres, que de todos os cristãos exige ações concretas que, em espírito de missão e de serviço à Igreja, se hão de traduzir em obras mais do que em palavras. Urge, antes de mais, revisitar as origens e divulgar o pensamento e a obra do santo da caridade como imperativo de programas pastorais.
Este “vinho novo” do carisma terá, com certeza, consequências na atividade pastoral e na qualidade do serviço à Igreja em geral. Importa também perceber que as instituições estão chamadas a ser a expressão encarnada do carisma. Mas as instituições vivem mergulhadas na história de sociedades em acelerada transformação. É, por isso, necessário escutar os sinais dos tempos e discernir, nas situações difíceis e tão frequentemente desumanas, o que ao apelo dos pobres tem a dizer com obras de misericórdia o carisma vicentino. E há de ter a coragem de reajustar estruturas de outros tempos, como se reajustam as roupas que vestem um corpo que cresce e se transforma.
Neste processo de escuta e discernimento em ordem à tomada de decisão sobre a participação nas estruturas eclesiais, a visão profética de aggiornamento de S. João XXIII continua de plena atualidade. Abrir horizontes, reavivar o espírito missionário e estar disponível para ir mais longe, é próprio de homens chamados por Deus a continuar a obra salvífica de seu Filho. Sem otimismos ingénuos, vivemos tempos de abertura a projetos novos, reconhecendo que é sempre possível fazer-se ao largo e participar em iniciativas eclesiais que vão para além da nossa realidade geográfica. No mundo globalizado de hoje, as fronteiras são sobretudo a estreiteza do horizonte que acomodamos nas nossas mentes e que nos podem impedir de chegar mais longe.
O carisma vicentino é portador de um código genético de conteúdo espiritual que se transmite, de geração em geração, a todos os ramos da família. Esse núcleo de graça, que o Espírito anima, faz com que ela viva em saudável e contínua “inconformidade com as coisas do mundo presente” (Rm 12,12), num processo de busca constante.
Enquanto dom celeste, esse núcleo de graça tem a marca da intemporalidade e apela a uma renovação permanente. Com a coragem dos profetas, a visão dos místicos, o zelo dos missionários, a simplicidade dos homens de coração puro, e impelidos pela caridade, podem os filhos espirituais de S. Vicente de Paulo continuar a fazer o que o Filho de Deus fazia na terra. Chamados para evangelizar os pobres, têm como missão anunciar-lhes a paz e a justiça que vem com o Reino de Deus. Aos homens que, neste mundo de crise e desamparo, continuam marcados pelo infortúnio, como desempregados, refugiados, excluídos e vítimas de cada vez mais refinadas formas de pobreza, devem dar razões à esperança de um mundo mais justo e fraterno.
A Conferência Episcopal exorta, em Cristo, os herdeiros do carisma de S. Vicente de Paulo, em Portugal, a sentirem-se comprometidos com todas as situações que degradam a dignidade do homem. À luz da mensagem de misericórdia de que dá testemunho o pontificado do Papa Francisco, crentes e não crentes estão agora mais atentos à desumanidade das periferias humanas e existenciais. Caminha ao encontro dessa mensagem de amor misericordioso o carisma vicentino, que deve colocar o mundo dos pobres no centro de atenção de todos os cristãos e homens de boa vontade.


Fátima, 10 de novembro de 2016