quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Dia Mundial dos Pobres

No dia 19 de novembro deste ano, a Igreja Católica convida a refletir sobre o primeiro “Dia Mundial dos Pobres”. O tema da reflexão é “Não amemos com palavras, mas com obras”. O “Dia Mundial dos Pobres” foi instituído pelo Papa Francisco, por ocasião da conclusão do Ano Santo Extraordinário da Misericórdia, por meio da Carta Apostólica intitulada “Misericordia et Misera”. A celebração da data e as ações concretas sempre acontecerão no dia 19 de novembro de cada ano.

Para nós Vicentinos, a instituição do “Dia Mundial dos Pobres” ecoa profeticamente sobre o cuidado que devemos ter pelo ser humano empobrecido. A pobreza de muitos dos nossos semelhantes não é um assunto teórico, mas sim uma realidade gritante e palpável. Não podemos ter uma visão simplista desta realidade; a nossa visão deve ser holística, pois consiste na visão do ser humano feito à imagem e semelhança de Deus. Este dia sinaliza, fortemente, para que cuidemos concretamente com mais amor das nossas atividades vicentinas a favor dos menos afortunados, pois uma das maiores pobrezas existentes é justamente a falta de amor.
Para o Papa, a expectativa é que este dia sirva de estímulo para reagir à cultura da indiferença, do descarte, do desperdício e da exclusão, e a assumir a “cultura do encontro”, com gestos concretos de oração e de caridade. Para nós cristãos e para o mundo, é necessária uma maior evangelização dos pobres. Os pobres – diz Francisco – “não são um problema, mas um recurso para acolher e viver a essência do Evangelho”.
Segundo o Banco Mundial, a pobreza extrema chega a 766 milhões de pessoas. Para as organizações humanitárias, as questões sobre a desigualdade na distribuição da riqueza no mundo são conhecidas, mas a frieza dos números dá-nos uma perspetiva mais real e dramática deste tema: as 85 pessoas mais ricas do planeta acumulam a mesma riqueza que as 3,5 bilhões mais pobres; 46% da riqueza do mundo é detida por 1% das famílias mais ricas; 7 em cada 10 pessoas vivem em países onde a desigualdade na distribuição da riqueza se tem agravado nos últimos 30 anos (dados do Fórum Económico Mundial).
Além do aspeto material, não podemos deixar de mencionar o grande desafio que é a pobreza espiritual. Dos 7 bilhões de habitantes da Terra, somente 2 bilhões se declaram como cristãos. Talvez essa seja a razão de o mundo estar passando por tantas dificuldades, entre guerras, fome, perseguições, doenças e outros males modernos. “A maior das pobrezas é a falta de Cristo”, já nos ensinou o Papa Francisco.
A Igreja Católica sempre lutou, desde as suas origens, contra as formas geradoras de pobreza. O Papa Francisco aponta ainda, que a luta contra a miséria “material, moral e espiritual” deve ser a prioridade da Igreja. “Quando o poder, o luxo e o dinheiro se tornam ídolos, acabam por se antepor à exigência de uma distribuição equitativa das riquezas. Portanto, é necessário que as consciências se convertam à justiça, à igualdade, à sobriedade e à partilha”.
A mensagem do Papa sublinha que a miséria “não coincide com a pobreza”, mas é “a pobreza sem confiança, sem solidariedade, sem esperança”. “Quantas pessoas se veem constrangidas a tal miséria por condições sociais injustas, por falta de trabalho que as priva da dignidade de poderem trazer o pão para casa, por falta de igualdade nos direitos à educação e à saúde”, lamenta o Papa.
Nas relações humanas e sociais, a defesa dos direitos individuais pode deixar os pobres ainda mais distantes do reconhecimento dos seus direitos básicos e da sua dignidade humana. A pobreza é, em grande parte, consequência da falta de verdadeira solidariedade, justiça social e espírito cristão. O mesmo pode acontecer entre os povos. O Papa Paulo VI, na Encíclica “Populorum Progressio” (1966), sobre o desenvolvimento dos povos, já recomendava aos países “mais privilegiados” a renúncia a algumas de suas vantagens para porem, com mais liberalidade, os seus bens ao serviço dos “povos mais pobres”. Em vez de insistirem na afirmação dos seus próprios direitos, as economias mais abastadas deveriam estar atentas ao clamor das populações mais pobres (cf. nº 289).
Seria bom aproveitar a data do “Dia Mundial dos Pobres” para convidar todos os Vicentinos do mundo a refletirem sobre a situação da exclusão, vulnerabilidade e miséria – espiritual e material – em que estamos inseridos. Desde a origem do nosso carisma, os nossos fundadores deram-nos este fim e ação: rezar e trabalhar pela eliminação das diversas formas de pobreza, numa linha promocional e de dignidade dos pobres, para a integração da vida destes em comunidade, levando-lhes a alegria do Evangelho. Já nos dizia São Vicente de Paulo: “Dá-me uma pessoa de oração, e ela será capaz de tudo”.
Que o “Dia Mundial dos Pobres” não seja apenas um dia, mas uma ação de ajuda fraterna e solidária diária, constante, pelo bem da humanidade e pela honra e glória de Cristo.
Encerro esta mensagem citando um trecho muito interessante da mensagem do Papa Francisco sobre a celebração do “Dia Mundial dos Pobres” em 2017: “Não pensemos nos pobres apenas como destinatários de uma boa obra de voluntariado, que se pratica uma vez por semana, ou, menos ainda, de gestos improvisados de boa vontade para pôr a consciência em paz. Estas experiências, embora válidas e úteis (a fim de sensibilizar para as necessidades de tantos irmãos e para as injustiças que frequentemente são a sua causa), deveriam abrir-nos a um verdadeiro encontro com os pobres e dar lugar a uma partilha que se torne um estilo de vida”.


Autor: Renato Lima de Oliveira

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

JMV partilha a sua experiência no Simpósio em Roma

Decorreu em Roma nos dias 12 e 15 de outubro de 2017 o Simpósio Internacional da Família Vicentina. 
Durante estes dias cerca de 9000 membros dos vários ramos da Família Vicentina reuniram-se para debater o tema “Acolher o Estrangeiro”.
O encontro iniciou-se, no dia 12, com a oração da Medalha Milagrosa que se realizou na belíssima Basílica de São João de Latrão. Este foi o primeiro momento onde os participantes deste Simpósio estiveram juntos em comunhão.
Na sexta-feira dia 13 os participantes foram convidados a participar nas catequeses divididos pelas línguas de Português, Inglês, Espanhol, Italiano e Polaco.
No que toca às catequeses de língua portuguesa o dia foi dividido em três partes:
Espiritualidade Vicentina e o seu desafio profético; Formação Vicentina e a comunicação na era da informação e Os serviços vicentinos: a partir daqui…para onde?
Estes temas incidiram muito na questão da preparação do vicentino enquanto servente dos pobres. Devemos estar espiritualmente, catequeticamente e pessoalmente preparados para ajudar. E depois saber como agir perante situações de pobreza. 
No fim da formação a Juventude Mariana Vicentina ficou encarregue da animação litúrgica da Celebração da Palavra.
À noite, os jovens vicentinos do Simpósio reuniram-se em festa e cada país presente apresentou-se das mais diversas formas consoante o tema proposto pela organização. 
Talvez o momento mais aguardado deu-se no sábado dia 14. Logo bem cedo com vários testemunhos vicentinos. Possivelmente o mais marcante terá sido da Aida Baladi, presidente da JMV da Síria que falou sobre os problemas de ser jovem católico vicentino num país mergulhado numa profunda guerra. Um testemunho muito pessoal e emotivo que mostrou a todos os presentes o verdadeiro significado da devoção a Deus em plena guerra. Aida disse ainda que a JMV na Síria vive sobre o slogan “Viver, contemplar e Servir” e é com estas palavras que os jovens católicos na Síria “unem forças em favor do objetivo de uma caridade guiada pelo espirito de São Vicente de Paulo”.
A audiência com o Papa Francisco foi o momento alto do Simpósio com milhares de vicentinos a saudarem o Santo Padre.
De uma forma mais pessoal é gratificante e um orgulho muito grande poder ser recebido pelo Papa num encontro da Família Vicentina. Com este gesto o Papa mostra a importância deste grande grupo vicentino no mundo junto dos pobres.
Na sua mensagem o Papa Francisco propôs três verbos simples que ele acredita serem muito importantes para o espirito vicentino, mas também para a vida cristã em geral: adorar, acolher e ir.
No que toca ao verbo adorar, o Papa Francisco recordou que são imensos os convites de São Vicente a cultivar a vida interior e a dedicar-se à oração que purifica, abre o coração e permite chegar ao amor de Deus para depois o derramar sobre o mundo. Adorar – resumiu o Papa - é “pôr-se perante Deus, com respeito, com calma e no silêncio, dando-lhe o primeiro lugar, abandonando-se com confiança”.
Acolher, não necessariamente no sentido de fazer, mas do “redimensionar-se a si próprio, endireitar o próprio modo de pensar, compreender que a vida não é a minha propriedade privada e que o tempo não me pertence” – disse o Papa Francisco. “Quem acolhe renuncia ao eu e faz entrar na vida o tu e o nós”. “O cristão acolhedor é um verdadeiro dom para a Igreja, porque a Igreja é Mãe e uma mãe acolhe a vida e a acompanha” - acrescentou.
Depois Francisco recordou que o amor é dinâmico, daí o verbo ir. São Vicente dizia: “a nossa vocação é, portanto, ir não a uma paróquia, a uma diocese, mas por toda a terra”. E lançou a pergunta: “vou ao encontro dos outros como que quer o Senhor, levo este fogo da caridade ou fico fechado a aquecer-me em frente da lareira?”.
O Papa Francisco terminou agradecendo aos vicentinos por serem um movimento pelos caminhos do mundo e encorajando-os mais uma vez nessa caminhada, na adoração quotidiana do amor de Deus e a difundir esse amor pelo mundo através da caridade, disponibilidade e concórdia. O Papa abençoou a todos eles e aos pobres que encontram e pediu orações para ele.
Mais tarde e com o coração cheio das palavras do Santo Padre, os vicentinos congregados em Roma reuniram-se de novo, desta vez na Basílica de São Paulo Extramuros para viver uma vigília de oração. A JMV de Portugal participou ativamente nesta celebração com a presença de um jovem a transportar o andor com a relíquia do coração de São Vicente de Paulo e de uma jovem na liturgia.
No dia seguinte e na mesma Basílica deu-se o encerramento do Simpósio no dia 15 de outubro através de uma Eucaristia presidida pelo Superior Geral da Congregação da Missão, Padre Tomaz Mavric. Foi o terminar de um encontro de junta 400 anos de história do Carisma, mas também deixa presente o futuro de uma vocação de serviço que está muito viva e que tem a mensagem das bem-aventuranças no seu interior.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Milhares de pessoas na festa dos 400 anos da Família Vicentina, na Praça de São Pedro

O Papa Francisco celebrou no passado sábado, na Praça de São Pedro, o jubileu dos 400 anos da Família Vicentina, com cerca de 11 mil pessoas, elogiando o carisma de São Vicente de Paulo, na atenção aos mais desfavorecidos.
“Que São Vicente nos ajude a valorizar o ADN eclesial do acolhimento, da disponibilidade, da comunhão”, disse, durante o encontro que começou com momentos musicais e de testemunho.
A audiência realizou-se por ocasião do Ano Jubilar dos 400 anos de fundação da Congregação da Missão (Vicentinos), com o tema ‘Era estrangeiro e acolhestes-me’.
“São Vicente gerou um impulso de caridade que perdura nos séculos. Por isso, hoje, quero encorajar-vos a prosseguir este caminho, nas pegadas do vosso fundador”, declarou Francisco, que apresentou uma reflexão sobre três verbos, “adorar, acolher, ir”.
O discurso sublinhou a importância da oração e de sair de si mesmo.
“Agradeço-vos por estardes em movimento pelas estradas do mundo, como São Vicente vos pediria também hoje. Faço votos de que não pareis: continuai, através da adoração, a atingir o amor de Deus e a difundi-lo ao mundo, contagiando-o com a caridade, a disponibilidade e a concórdia”, desejou Francisco.
O Papa despediu-se dos membros da Família Vicentina concedendo a todos a sua Bênção Apostólica, que estendeu aos pobres que encontrarem.
Portugal esteve representado pelos 7 ramos da Família Vicentina (Congregação da Missão, Filhas da Caridade, Associação internacional de Caridade, Sociedade de São Vicente de Paulo, Associação da Medalha Milagrosa, Colaboradores da Missão Vicentina e Juventude Mariana Vicentina), num total de uma centena de peregrinos.
Em entrevista à Agência ECCLESIA, o provincial dos padres vicentinos em Portugal, padre José Alves, destacou a oportunidade deste evento numa altura em que importa olhar para o futuro da congregação e toda a sua ação pastoral, junto dos pobres, dos mais necessitados e também dos migrantes e refugiados, que estão no centro deste simpósio.
A peregrinação quis também assinalar os 300 anos da presença dos vicentinos em Portugal.
No Vaticano, foi anunciado o lançamento de uma campanha global para ajudar os sem-abrigo, envolvendo toda a Família Vicentina.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Família Vicentina peregrina a Fátima

É já amanhã, dia 5 de outubro, a Peregrinação a Fátima da Família Vicentina. Neste Ano Jubilar dos 400 anos do Carisma Vicentino e da«os 300 anos da presença da Congregação da Missão em Portugal, vamos todos participar, para agradecer ao Senhor este dom. 


PROGRAMA:

09h30 | Acolhimento | Cruz Alta 
10h30 | Eucaristia | Capelinha das Aparições 
11h30 | Tempo livre para oração, devoções pessoais e almoço 
14h00 | Acolhimento no Centro Paulo VI | Salão do Bom Pastor 
14h15 | Celebração comemorativa "Com São Vicente, na Caridade e na Missão"
16h00 | Momento Musical | Coral Vicentino de Chaves 
17h00 | Porto de Honra 
17h30 | Envio

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Carta do Santo Padre Francisco à Família Vicentina

Carta do Santo Padre Francisco à Família Vicentina para a festa de São Vicente de Paulo 27 setembro de 2017

Queridos irmãos e irmãs

Na ocasião do 4º centenário do carisma que deu origem à vossa Família, gostaria de
unir-me a vós com palavras de gratidão e incentivo e, ressaltar o valor e a atualidade de
São Vicente de Paulo.

Ele esteve sempre a caminho, aberto ao conhecimento de Deus e de si mesmo. A esta
busca constante se implantou a ação da graça: enquanto pastor, ele teve um encontro
fulgurante com Jesus Bom Pastor, na pessoa dos pobres. O que pode ser constatado
especialmente quando ele se deixou sensibilizar pelo olhar de um homem sedento de
misericórdia e pela situação de uma família em extrema precariedade. Neste momento,
ele percebeu o olhar de Jesus que o desnorteou e o convidou a não mais viver para si
mesmo, mas para servi-Lo sem reservas nos pobres, os quais, mais tarde, Vicente de
Paulo chamaria: “nossos senhores e mestres” (Correspondência, conferências,
documentos, XI, pág. 402). Então, sua vida se transformou em um serviço constante até
seu último suspiro. Uma Palavra da Escritura deu sentido para sua missão: “O Senhor
me enviou para evangelizar os pobres” (cf. Lc 4,18).

Com o desejo ardente de tornar Jesus conhecido aos pobres, ele se consagrou
intensamente ao anúncio, sobretudo através das missões populares, e prestou especial
atenção à formação dos Padres. Utilizava de forma natural um “método simples”: falar,
primeiramente por sua própria vida e, em seguida com uma grande simplicidade, de
modo familiar e direto. O Espírito fez dele um instrumento que suscitou um impulso de
generosidade na Igreja. Inspirado pelos primeiros cristãos que tinham “um só coração e
uma só alma” (At 4,32), São Vicente fundou as “Caridades”, a fim de cuidar dos mais
necessitados, viver em comunhão e colocar à disposição seus próprios bens, na alegria,
com a certeza de que Jesus e os pobres são os tesouros mais preciosos e que, como
gostava de repetir, “quando vais aos pobres, encontras Jesus”.

Este pequeno “grão de mostarda”, semeado em 1617, fez germinar a Congregação da
Missão e a Companhia das Filhas da Caridade, ramificou-se em outros Institutos e
Associações, tornou-se uma grande árvore (cf. Mc 4,31-32): vossa Família. Mas tudo
começou por este pequeno grão de mostarda: São Vicente jamais quis ser um
protagonista ou um líder, mas um “pequeno grão”. Ele estava convencido de que a
humildade, a doçura e a simplicidade são condições essenciais para encarnar a lei da
semente que morrendo gera vida (cf. Jo 12, 20-26), esta lei que, somente ela, torna a
vida cristã fecunda, esta lei pela qual é dando que se recebe, encontra-se perdendo e
irradia escondendo-se. Igualmente, ele tinha a convicção de que não era possível fazer
tudo sozinho, mas juntos, enquanto Igreja e Povo de Deus. Gosto muito de lembrar a
este respeito a sua intuição profética da valorização das qualidades excepcionais
femininas que se manifestaram na fineza espiritual e sensibilidade humana de Santa
Luísa de Marillac.

“Cada vez que o fizestes a um desses meus irmãos mais pequeninos, a mim o
fizestes” (Mt 25,40) diz o Senhor. No centro da Família Vicentina, há a busca pelos “mais
pobres e abandonados”, com a consciência profunda de ser “indignos de lhes prestar
nossos pequenos serviços” (Correspondência, conferências, documentos, XI, pág. 402).
Desejo que este ano de ação de graça ao Senhor e de aprofundamento do carisma seja
a ocasião de beber na fonte, de restaurar-se no manancial do espírito das origens. Não
esqueçais que das fontes de graças nas quais bebeis, brotaram corações sólidos e
firmes no amor, “modelos insignes de caridade” (Bento XVI, Carta Encíclica Deus caritas
est, 40). Levareis o mesmo vigor, tão somente voltando o olhar ao rochedo de onde
tudo brotou. Esta rocha é Jesus pobre, que pede para ser reconhecido naquele que é
pobre e sem voz. Pois ele está aqui. E vós, quando encontrardes existências frágeis,
despedaçadas por passados difíceis, por vossa vez, sois chamados a ser rochas: não a
parecer duros e inabaláveis, nem a mostrardes insensíveis aos sofrimentos, mas a
tornardes pontos seguros de apoio, sólidos diante das contingências do tempo,
resistentes às adversidades, porque “olhais para a rocha da qual fostes talhados, para a
cova de que fostes extraídos” (Is 51,1). Assim, sois chamados a ir às periferias da
condição humana para aí levar, não vossas capacidades, mas o Espírito do Senhor, “Pai
dos pobres”. Ele vos dissemina amplamente no mundo como sementes que crescem
em uma terra árida, como um bálsamo de consolação para aquele que está ferido,
como uma flama de caridade para aquecer tantos corações frios pelo abandono e
endurecidos pela rejeição.

Em verdade, todos nós, somos chamados a saciar nossa sede no rochedo que é o
Senhor e a saciar o mundo com a caridade que vem dele. A caridade está no coração
da Igreja, ela é a razão de sua ação, a alma de sua missão. “A caridade é a via mestra da
doutrina social da Igreja. As diversas responsabilidades e compromissos por ela
delineados derivam da caridade, que é – como ensinou Jesus – a síntese de toda a
Lei” (Bento XVI, Carta Encíclica Caritas in veritate, 2). É a via a seguir, a fim de que a Igreja
seja sempre mais, mãe e mestra da caridade, com um amor cada vez mais intenso e
transbordante entre vós e para com todos os homens (cf. 1Ts 3,12): concórdia e
comunhão no interior da Igreja, abertura e acolhimento no exterior, com a coragem de
renunciar o que pode ser uma vantagem, a fim de imitar em tudo seu Senhor e de
encontrar plenamente a si mesmo, fazendo da aparente fraqueza da caridade a única
razão de seu orgulho (cf. 2Cor 12,9). De uma grande atualidade, as palavras do Concílio
ressoam em nós: “Cristo Jesus [...] ‘sendo rico, fez-se pobre’. Assim também a Igreja,
embora necessite dos meios humanos para o prosseguimento da sua missão, não foi
constituída para alcançar a glória terrestre, mas para divulgar a humildade e abnegação,
também com o seu exemplo. Cristo foi enviado pelo Pai ‘a evangelizar os pobres’ [...].
De igual modo, a Igreja abraça com amor todos os afligidos pela enfermidade humana;
mais ainda, reconhece nos pobres e nos que sofrem a imagem do seu fundador pobre
e sofredor, procura aliviar as suas necessidades, e intenta servir neles a Cristo. (Concílio
Ecumênico Vaticano II, Cost. Dogm. Lumen gentium, 8).

Foi o que São Vicente realizou durante toda a sua vida e ele fala ainda hoje a cada um e
a todos nós, enquanto Igreja. Seu testemunho nos convida a estar sempre a caminho,
prontos a nos deixar surpreender pelo olhar do Senhor e por sua Palavra. Ele nos pede
a pobreza de coração, uma total disponibilidade e uma dócil humildade. Ele nos
impulsiona à comunhão fraterna entre nós e à missão corajosa no mundo. Ele nos pede
para nos libertar das linguagens complicadas, dos discursos egocêntricos centrados
sobre nós mesmos e de apegos aos bens materiais que podem nos tranquilizar de
imediato, mas não nos dão a paz de Deus e, muitas vezes, são um obstáculo na missão.
Ele nos exorta a investir na criatividade do amor, com autenticidade de um “coração
que vê” (cf. Bento XVI, Carta Encíclica Deus Caritas est, 31). De fato, a caridade não se
contenta com os bons costumes do passado, mas sabe transformar o presente. Ela é
cada vez mais necessária hoje, na complexa mudança de nossa sociedade globalizada
onde certas formas de auxílio e de ajuda, mesmo que justificados por intenções
generosas, podem alimentar formas de exploração e de ilegalidade e, não produzir
progressos reais e sustentáveis. Por esta razão, imaginar a caridade, organizar a
proximidade e investir na formação são os ensinamentos atuais que nos vêm de São
Vicente. Mas seu exemplo nos encoraja ao mesmo tempo a dar espaço e tempo aos
pobres, aos novos pobres do nosso tempo, aos demasiados pobres de hoje, a fazer
nossos seus pensamentos e suas dificuldades. O cristianismo sem contato com aquele
que sofre se torna um cristianismo desencarnado, incapaz de tocar a carne de Cristo.
Encontrar os pobres, preferir os pobres, dar voz aos pobres a fim de que sua presença
não seja reduzida ao silêncio pela cultura do transitório. Espero sinceramente que a
celebração do Dia mundial dos Pobres de 19 de novembro próximo nos ajude em
nossa “vocação a seguir Jesus pobre”, tornando “cada vez mais e melhor sinal concreto
da caridade de Cristo pelos últimos e os mais carenciados” e reagindo “à cultura do
descarte e do desperdício” (Mensagem para o 1º Dia Mundial dos Pobres “Não amemos
com palavras, mas com obras”, 13 de junho de 2017).

Peço para a Igreja e para vós a graça de encontrar no irmão faminto, sedento,
estrangeiro, despojado de suas vestes e de sua dignidade, doente e preso, ou ainda,
indeciso, ignorante, obstinado no pecado, afligido, grosseiro, mal-humorado e
importuno, o Senhor Jesus; de encontrar nas feridas gloriosas de Jesus, a força da
caridade, a felicidade do grão que, morrendo, gera vida, a fecundidade da rocha de
onde jorra a água, a alegria de sair de si e de ir ao mundo, sem nostalgia do passado,
mas com a confiança em Deus, criativos diante dos desafios de hoje e do amanhã, pois,
como dizia São Vicente, “o amor é inventivo ao infinito”.

Do Vaticano, 27 de setembro de 2017

Memória de São Vicente de Paulo

terça-feira, 26 de setembro de 2017

27 setembro, Festa São Vicente de Paulo

Carisma Vicentino

Completam-se neste ano de 2017 os 400 anos do início do Carisma Vicentino. S. Vicente de Paulo, animado de zelo apostólico, fundou uma comunidade de missionários dedicados à evangelização dos pobres e à formação espiritual, doutrinal e pastoral do clero. Graças à sua atividade apostólica viriam a nascer a Congregação da Missão. Celebra-se igualmente no ano de 2017, os 300 da entrada em Portugal do carisma vicentino trazido pela Congregação da Missão.

O centro do carisma vicentino é o exercício da caridade cujo modelo se apoia na dinâmica do Evangelho: amor a Deus e ao próximo. A atualização deste carisma passa hoje pelo compromisso com os mais pobres, que exige ações concretas de caridade.

A Viseu, a CM chegou em 1922.  As missões populares por toda a Diocese e Dioceses vizinhas e outros trabalhos pastorais, foram a atividade primordial da ação dos Padres Vicentinos. Algumas situações obrigaram a encerrar a Comunidade de Viseu, em mar­ço de 1934, voltando novamente 30 anos depois, em 1964. A partir de janeiro de 1971, a Diocese entregou à comunidade o cuidado da paróquia de Orgens, e em 2014 a paróquia de S. Salvador, criando assim uma Unidade Pastoral.
Desde 1922 Comunidade viveu sempre em casas arrendadas (5) e só em 1990 é que passou a viver em Casa própria, a Casa de S. Vicente de Paulo, no Monte Salvado.

Este ano vamos celebrar o nosso Fundador na Paróquia de S. Salvador, estando convidados todos os nossos paroquianos, bem como os membros dos vários Ramos da FamVin. A Eucaristia será às 21h, seguindo-se um convívio.

Que S. Vicente de Paulo intercede por nós junto do bom Deus!


Pe Álvaro Cunha, CM

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Jornadas Missionárias reuniram 250 pessoas em Fátima

O diretor das Obras Missionárias Pontifícias (OMP) disse à Agência ECCLESIA que a missão acontece “do coração ao coração” e requer “diálogo, proximidade e relação”.

O tema esteve em debate nas Jornadas Missionárias 2017, que se realizaram em Fátima entre os dias 16 e 17 de setembro, sobre o tema ‘Missão do coração ao coração’.
“Não se trata de coração a nível de sentimentalismo, não é isso, é deste coração aberto onde cabem todos. A missão tem de ser assim”, afirmou o diretor das OMP.

Em declarações à Agência ECCLESIA, o padre António Lopes explica que “só se abre o coração do outro” quando o coração do missionário “também está aberto”.
“A missão é feita sempre de diálogo, desta proximidade e desta relação. Só assim, quando me aproximo, quando me relaciono com o outro ele pode estar aberto à mensagem que quero transmitir porque sente em mim que há esta canal transmissor”, desenvolve o sacerdote.
Segundo o padre António Lopes, a missão do coração ao coração também tem “dificuldades” porque “nem sempre o coração está em condições” e nem sempre a vida está em condições de “levar essa mensagem e nem sempre o coração do outro está aberto a receber”.

A organização das Jornadas Missionárias 2017 é da responsabilidade da Comissão Episcopal Missão e Nova Evangelização, das Obras Missionárias Pontifícias e da CIRP – Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal.
O encontro juntou no Centro Pastoral Paulo VI, em Fátima, novos e experientes protagonistas da missão.
Para o superior geral dos Missionários da Boa Nova, hoje “as pessoas estão saturadas de palavras vagas, abstratas” e, por exemplo no Japão, onde esteve durante 20 anos, “dão muita importância à experiência da própria pessoa e ao testemunho”.
“No encontro com o outro é fundamental que tenhamos a capacidade de sair de nós próprios. Porque senão sairmos de nós próprios não tenhamos ilusões não se realiza o verdadeiro encontro”, observa o padre Adelino Ascenso.

Já Ludimila Silva, dos Jovens Sem Fronteiras, que esteve em Cabo Verde durante o mês agosto, destaca que a missão do coração ao coração é “deixar que a vontade seja a do Senhor. “Quando fazemos o que Deus quer somos felizes e conseguimos fazer o outro feliz. Conseguimos unir dois corações e fazer um só e dois corações felizes”, partilhou a jovem do movimento ligado aos Missionários Espiritanos.
Da missão em Cabo Verde a “maior riqueza” que trouxe foi a “fé” de um povo católico e de jovens que “dão-se para a paróquia totalmente” com não se vê em Portugal.
“Quando estão na paróquia estão agarrados às pessoas e se calhar não tanto à fé ou aquilo que deveriam estar e lá não, vemos os jovens completamente a darem-se à paróquia e às pessoas da paróquia”, desenvolve Ludimila Silva.

Segundo o presidente da Comissão Episcopal Missão e Nova Evangelização, a Igreja tenta “congregar” as pessoas na diversidade das suas circunstâncias de vida e “animá-las a todas com este sentido da missão”, que não implica partir para outras geografias.
“Hoje temos mais gente, por ventura, que parte em missão mas por menos tempo. Pode não haver aquele entrosamento na realidade da vida, na realidade que a antiga permanência de muitos anos gerava. […] Não sei qual poderá deixar mais marcas mas ainda acredito muito na antiga”, comenta D. Manuel Linda.

Com cerca de 250 participantes, as Jornadas Missionárias 2017 foram integradas na peregrinação nacional das Obras Missionárias Pontifícias ao Santuário de Fátima no âmbito do centenário das aparições.
                                                                                     Fátima, 18 setembro 2017 (Ecclesia) 

domingo, 10 de setembro de 2017

JORNADAS MISSIONÁRIAS

PROGRAMA

Sábado - 16 de Setembro

10h00 – Oração
10h15 – Abertura (D. Manuel Linda)
10h30 – “Sim… Faça-se…” (Lc 1,38)
          – Aceitação da Missão. Acreditar no impossível -  (Drª Isabel Varanda)
11h30 – “Feliz porque acreditaste…” (Lc 1,45)
          – Participação do missionário no mistério de Cristo -  (D. António Couto)
13h00 – Almoço
15h00 – “A minha alma engrandece o Senhor…”(Lc 1,46)
          – Da experiência de Deus às experiências do missionário - (P. Adelino Ascenso)


16h00 – “Apareceu no céu um grande sinal…” (Ap 12,1)
          – Missão como promessa e realidade - (Drª Margarida Cordo))
17h00 – Intervalo
17h30 às 18h30 – Missão e Acção
19h00 – Eucaristia
20h00 – Jantar
21h30 – Terço e procissão de Velas – Capelinha das Aparições

Domingo -  17 de Setembro
09h00 – Oração
09h15 –Exaltou os humildes…”(Lc 1, 52)
          – Missão como denúncia e acolhimento. Trafego humano e refugiados -  (Dr André Costa Jorge )
11h00 – Eucaristia no Santuário
13h00 – Almoço
15h00 – “Magnificat”(Lc 1,46-55)
          – Cântico missionário para hoje - (Frei João Lourenço)
16h30 – Envio e Conclusões

As Jornadas Missionárias  realizar-se-ão de 16 a 17 de Setembro de 2017, no Centro Pastoral Paulo VI, em Fátima.
A organização é da responsabilidade da Comissão Episcopal Missões, Obras Missionárias Pontifícias e CIRP.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Encontro Nacional da JMV

Movimento católico combina a educação social e na fé com o desafio do voluntariado


A Juventude Mariana Vicentina promoveu o seu 33.º encontro nacional em Lagares, no concelho de Felgueiras, Diocese do Porto.
Num comunicado enviado hoje à Agência ECCLESIA, aquele movimento destaca a importância do evento para o estreitar de laços entre os jovens que nele estão inseridos e reforçar a aprendizagem feita ao longo do ano.
“Foi o culminar de um ano cheio de atividades e formações que visam proporcionar o crescimento pessoal dos jovens mas também na fé e no amor ao próximo”, pode ler-se.
Durante a atividade, que decorreu no Centro Vicentino de Evangelização em Lagares, os participantes tiveram oportunidade de escutar o testemunho de quatro voluntários que estiveram em Moçambique inseridos no projeto ‘Renascer p'ra Esperança’, da Juventude Mariana Vicentina.
Em 2018, mais dois voluntários serão enviados no âmbito do trabalho que o movimento católico está a promover junto das populações mais necessitadas, naquele país lusófono.
O encontro nacional serviu também para a “passagem de testemunho” dos corpos dirigentes da JMV, a nível nacional e regional, com a eleição de novos responsáveis para os próximos três anos.
A Juventude Mariana Vicentina está em Portugal há 33 anos e conta atualmente com 26 grupos, para além de uma presença mundial em mais de 66 países, nos cinco continentes.
Iniciado em Paris, é um movimento juvenil com objetivo acompanhar os jovens cristãos no crescimento da sua fé, até à maturidade cristã, e é fruto de um “desejo revelado” nas aparições de Nossa Senhora a Santa Catarina Labouré, Filha da Caridade, em 1830.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Encontro Nacional da Família Vicentina

PROGRAMA:


09h30 | Acolhimento | Cruz Alta 
10h30 | Eucaristia | Capelinha das Aparições 


11h30 | Tempo livre para oração, devoções pessoais e almoço 
14h00 | Acolhimento no Centro Paulo VI | Salão do Bom Pastor 
14h15 | Celebração comemorativa "Com São Vicente, na Caridade e na Missão"
16h00 | Momento Musical | Coral Vicentino de Chaves 
17h00 | Porto de Honra 
17h30 | Envio

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Missão Jovem da Juventude Mariana Vicentina em São Tomás de Aquino e Salzedas


Este ano, pela segunda vez, a Juventude Mariana Vicentina está a realizar a Missão Jovem JMV. As paróquias escolhidas para esta atividade missionária foram a Paróquia de São Tomás de Aquino, no Patriarcado de Lisboa, e a Paróquia de Salzedas, na Diocese de Lamego.

Durante uma semana, cerca de 30 jovens da Juventude Mariana Vicentina, divididos em dois grupos, acompanhados por dois Padres da Congregação da Missão (Padres Vicentinos) e por duas religiosas da Companhia das Filhas da Caridade, estarão a desenvolver atividades missionárias em cada uma destas paróquias.

A primeira valência de missão, definida num projeto de evangelização, relembra o papel dos primeiros discípulos, que num ato de coragem e convicção partiram na partilha da Boa Nova. O objetivo desta missão é despertar a Comunidades para a Fé, aproveitando a alegria e a ousadia da juventude para atrair crianças, jovens, adultos e idosos para o caminho do Pai.

As Missões Jovem JMV em São Tomás de Aquino e Salzedas estão a decorrer entre os dias 8 e 16 de julho e são compostas por várias atividades de diversa índole, sempre com o escopo de despertar nos irmãos a chama da Fé e proporcionar uma experiência de encontro com Jesus Cristo. Durante esta semana, os jovens realizam vigílias de oração, celebrações marianas, rezam o rosário, animam as Eucaristias, organizam atividades e catequeses com crianças e jovens, proporcionam aos idosos momentos de animação, encontro e escuta, visitam as casas das famílias das paróquias, em especial, onde habitam pessoas idosas e doentes, ... Tudo para que esta semana seja marcante, não só para a Comunidade que acolhe, mas também para os jovens que, “saindo do sofá” e “rumando às periferias” fazem deste período de férias um tempo de partilha e de testemunho missionário.

O que é a Juventude Mariana Vicentina

A Juventude Mariana Vicentina é um movimento juvenil que tem por objetivo acompanhar os jovens cristãos no crescimento da sua fé, até à maturidade cristã. Também o leva a viver comunitariamente a fé inspiradora nos testemunhos de Maria e São Vicente de Paulo.

A Juventude Mariana Vicentina é o fruto de um desejo revelado nas aparições de Nossa Senhora, em 1830, a Santa Catarina Labouré, Filha da Caridade, que a encarregou de uma missão: organizar uma associação - a Confraria de Filhas de Maria - para as quais “as graças serão abundantes para os que as pedirem com confiança e fervor”. No mesmo ano a Santíssima Virgem aparece novamente a Catarina e pede que se faça “cunhar uma medalha” que diria “Ó Maria concebida sem pecado rogai por nós que recorremos a vós”. A esta medalha são atribuídas muitas curas/conversões. É a chamada “Medalha Milagrosa”.

Tendo sido iniciado em Paris, nos colégios internos das Filhas da Caridade com o objetivo de ajudar a juventude, o movimento foi crescendo dentro de França e fora desta, levado pelas Filhas da Caridade e pelos Padres Vicentinos espalhados pelo mundo e existe hoje nos 5 continentes. Está presente em mais de 66 países. Em Portugal existe há 33 anos e existem grupos por todo o país. Atualmente existem 26 grupos JMV em Portugal.

Seguimos o exemplo de São Vicente de Paulo, que é o patrono de todas as obras de caridade. Somos jovens que se dedicam a ajudar o próximo, que veem no pobre o rosto de Jesus Cristo. Por outro lado, o “pão” que damos é acompanhado da “palavra”, tal como São Vicente de Paulo, que dedicou grande parte da sua vida à Evangelização. São Vicente de Paulo iniciou, na Igreja, um estilo novo seguimento de Cristo e de incarnar o Evangelho: viver a fé no serviço do pobre.

Desta dupla nascente, Nossa Senhora e Vicente de Paulo, brotam as notas características da JMV: Mariana, Vicentina e Missionária.

400 anos carisma vicentino

Celebramos este ano (2017) o jubileu dos 400 anos do nascimento do carisma vicentino. Para São Vicente de Paulo, 1617 é o ano em que tudo começou. Neste ano viveu duas experiências que transformaram a sua vida.

A primeira, em Folleville, no norte de Paris, quando foi chamado para visitar um camponês, que estava a morrer. Ele tinha a reputação de ser um santo homem, mas, na realidade, escondia pecados graves. São Vicente de Paulo incentivou-o a fazer uma confissão geral. A sua confissão sincera tocou profundamente o coração de São Vicente. De seguida, no dia 25 de janeiro, Vicente fez um sermão tão potente e de fácil compreensão, que fez com que as confissões se tornassem muito numerosas, sendo difícil serem atendidas por um só padre. Foram obrigados a procurar outros confessores para o ajudar. São Vicente de Paulo considerou este sermão como o início da Congregação da Missão (Padres Vicentinos).

No mesmo ano, em Châtillon, no mês de agosto de 1617, São Vicente de Paulo teve uma segunda experiência que mudou a sua vida. Soube que os membros de uma família da sua paróquia estavam bastante doentes. No seu sermão fez um apelo aos fiéis a fim de ajudá-los. Mais tarde, no caminho, encontrou numerosas mulheres que regressavam da casa dos doentes. Ele descobriu que a caridade devia ser melhor organizada. Fundou as Damas da Caridade, conhecidas hoje com o nome de Associação Internacional da Caridade.

Missão (Folleville) e Caridade (Châtillon) estavam no meio da ação de São Vicente de Paulo para com os pobres. Desde 1617, mais de 300 ramos germinaram na árvore da Família Vicentina, na qual também germinou e floresceu a Juventude Mariana Vicentina.


Fotos da Missão Jovem estão disponíveis em: https://www.facebook.com/jmvportugal