Mostrar mensagens com a etiqueta Família Vicentina. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Família Vicentina. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Faleceu o P. António Fonseca Soares, CM


Nascido em Idães, Felgueiras, a 4 de Setembro de 1931, o Pe. António da Fonseca Soares, faleceu no Hospital de São João, no Porto, no dia 30 de Outubro de 2013.
Entrou para o Seminário de Oleiros – Felgueiras, a 27 de Setembro de 1942, dando entrada no Seminário Interno, em Pombeiro - Felgueiras, no dia 14 de Agosto de 1948, fazendo os votos a 3 de Outubro de 1952.
Foi ordenado Presbítero, na Sé do Porto, a 20 de Março de 1955. Em Setembro desse ano, parte para Moçambique, para Magude, como professor, indo depois para a Missão de Mapai onde esteve até Agosto de 1965.
Na Naamacha esteve desde essa data até 1975, passando daí para o Seminário de São Pio X onde foi professor.
Em princípios de Setembro de 1976, regressou a Portugal onde exerceu a missão de professor, nos seminários de Oleiros e Pombeiro. Em 1984 foi colocado em Chaves como Superior exercendo outros ministérios.
Em 1990, vai para Almodôvar para, em 1991, ir para Santiago do Cacém, exercendo as funções de ecónomo e diversos ministérios.
Em Setembro de 1997, é colocado em Santa Quitéria onde exerceu o ministério de Reitor do Santuário, de Superior e de ecónomo.
Na manhã de ontem foi chamado pelo Pai do céu para a última e definitiva comunidade, a dos santos no céu.
PPCM
 Província Portuguesa

da Congregação da Missão

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

27 de Setembro: Vicente de Paulo – O Santo da Caridade e da Missão


"Voltemos a nossa mente e o nosso coração para São Vicente de Paulo, homem de acção e de oração, de organização e de imaginação, de comando e de humildade, homem de ontem e de hoje. Que aquele camponês das Landes, convertido pela graça de Deus em génio da caridade, nos ajude a todos nós a pôr mais uma vez as mãos no arado - sem olhar para trás - para o único trabalho que importa, o anúncio da Boa Nova aos pobres..."
(João Paulo II)


Vicente de Paulo nasceu na cidade de Pouy, na França, a 24 de Abril de 1581. Filho de pobres camponeses, manifestou o desejo e gosto para o estudo. Entrou para o seminário e foi ordenado padre ainda muito novo, com apenas 19 anos de idade.

O início da sua vida sacerdotal foi marcado por muitas dificuldades e desacertos. Inicialmente, estava muito preocupado em ajudar a sua família e em conseguir alguma estabilidade financeira. Diante de uma série de fracassos, foi amadurecendo e, sobretudo a partir de 1612, lançou-se inteiramente no serviço aos pobres.

Em contacto com os camponeses, conheceu o estado de abandono religioso e a miséria em que viviam as populações do campo. Percebeu que os pobres tinham necessidades urgentes e que, para ser fiel a Cristo, era preciso servi-los. Começou, então, a pregar missões entre os pobres e a organizar diversas obras de caridade.


Passando a residir em Paris e enfrentando uma época de guerra, confusão política, de grandes problemas sociais e, também, de desorganização da Igreja, o padre Vicente de Paulo passou a dedicar-se inteiramente à evangelização e ao serviço dos pobres.

Para este fim, fundou a Congregação da Missão e a Companhia das Filhas da Caridade. De muitas maneiras e com criatividade, desenvolveu uma intensa acção caritativa e missionária, sempre contando com os padres e irmãos de sua Congregação, com as irmãs de Caridade e com muitos leigos generosos.

Entendia que o pobre é a imagem de Cristo desfigurado a quem devemos servir. E a Igreja deve estar ao seu serviço. Por isso, actuou na reforma da Igreja, sobretudo, na formação do clero e dos seminários.

Morreu em Paris, a 27 de Setembro de 1660. Foi beatificado a 13 de Agosto de 1729 e canonizado a 16 de Junho de 1737. A 2 de Maio de 1885, o Papa Leão XIII declarou S. Vicente de Paulo patrono de todas as obras de caridade que dele derivam ou nele se inspiraram.
Das Conferências de São Vicente de Paulo,
às Filhas da Caridade.

“Não devemos considerar os pobres segundo o seu exterior, nem segundo o que aparece ao alcance do seu espírito, pois, geralmente, não têm nem o semblante nem o espírito de pessoas racionais, tão grosseiros e terrenos que são. Não obstante, virai a medalha e vereis, à luz da fé, que o Filho de Deus, que quis ser pobre, é representado por estes pobres; que, na sua paixão, ele quase não tinha aparência de um homem e que passava por louco aos olhos dos gentios e por pedra de escândalo para os judeus.

Com tudo isso, ele é o evangelizador dos pobres: “Enviou-me a anunciar a Boa Nova aos pobres”. Devemos revestir-nos desses sentimentos e fazer o que Cristo fez, isto é, cuidar dos pobres, para curá-los, consolá-los, socorrê-los e ampará-los.

O próprio Cristo quis nascer pobre, escolheu discípulos pobres, quis servir os pobres, colocar-se no lugar dos pobres, chegando a dizer que o bem ou mal que fizermos aos pobres os considerará como feitos a Si próprio: “Tudo o que fizerdes ao mais pequenino dos meus irmãos, é a mim que o fazeis!”

Se Deus ama assim os pobres, ama por consequência todo aquele e aquela que ama os pobres, sendo, desse modo, seus amigos e seus servos. Deste modo, temos razões para esperar que, pelo amor aos pobres, Deus nos ama também.

Portanto, quando formos ver os pobres, esforcemo-nos por penetrar nos sentimentos deles, para sofrer com eles, para termos as mesmas disposições do grande Apóstolo, que dizia: “Fiz-me tudo para todos”.
Vicente de Paulo

Serviço da Missão Popular da PPCM


quarta-feira, 4 de setembro de 2013

IX ENCONTRO DA FAMÍLIA VICENTINA





Iremos celebrar no próximo dia 21 de Setembro, em Fátima, o IX ENCONTRO DA FAMÍLIA VICENTINA em Portugal. Tudo decorrerá no Centro Pastoral Paulo VI, com exceção da Eucaristia que será celebrada na Basílica da Santíssima Trindade.
Uma vez que festejamos, neste ano de 2013, o bicentenário do nascimento de Frederico Ozanam, a temática do nosso encontro andará muito à volta deste insigne vicentino e Fundador da Sociedade de S. Vicente de Paulo (SSVP) – o Bem-aventurado Frederico Ozanam.
Importante que todos os “ramos” da Família Vicentina se vão empenhando, desde já, no sentido de se organizarem para disponibilizar esse dia para este evento. Não deixem, também, de motivar outras pessoas que ainda não pertençam a esta nossa “família”, no sentido de participarem.
Pode ser bela oportunidade para dar a conhecer a outras pessoas o carisma vicentino, de serviço “afetivo e efetivo” aos que mais precisam.
Aqui se indica o PROGRAMA do dia elaborado pelo grupo de reflexão da Família Vicentina em Portugal que tem promovido estes encontros. Importante que ele seja divulgado, quanto antes, pelos órgãos informativos dos diversos “ramos”.



       10h – Acolhimento (2 elementos de cada ramo)
10,30h – Apresentação… Boas vindas…
10,45h – Frederico Ozanam - SSVP
12h – Ida para a Santíssima Trindade
12,30h - Eucaristia
14h – Almoço… Devoções particulares…
15,30h – Diversas facetas de Frederico Ozanam
                     (15 minutos para cada ramo):
JMV: Frederico Ozanam na primeira pessoa
CM: Frederico Ozanam, homem de Fé
FC: A Caridade em Frederico Ozanam
CMV: Vicente de Paulo e Frederico Ozanam
AMM: O hoje de Frederico Ozanam
       16,45h – Conclusão… Envio… Cântico final…

      Saudações cristãs e vicentinas, dos representantes dos vários “ramos” da FV.

terça-feira, 4 de junho de 2013

VICENTE DE PAULO – “UMA DESCOBERTA”



Os primeiros dias de Missão, em Longomel, foram gastos no contacto com as pessoas, em suas casas, nas ruas ou em lugares públicos. “A Missão está na rua!” é o lema do início da Missão.
Foram percorridos os centros habitacionais de Longomel (centro da paróquia), Vale do Arco (localidade onde ficou instalada a equipa missionária), Tom, Escusa, Rosmaninhal, Sete Sobreiras e Monte Novo. O encontro com as pessoas, a troca de impressões, o convite para a participação nas comunidades, bem como a localização das casas onde iam reunir as assembleias deram motivo a que se fizesse uma descoberta muito significativa e importante que aguçou a curiosidade à equipa missionária e a motivou para “ir à fonte”, ou seja, ao Sermão de Folleville, de 25 de Janeiro de 1617.
Na localidade da Escusa, fora da rua mais movimentada, em zona agrária e um pouco escondida, fica situada a Rua Vicente de Paulo. Só tem uma casa (uma bela casa!). Essa casa tem a figura de Vicente de Paulo, em azulejo. Não foi uma “aparição”, mas foi uma descoberta que, em outros tempos não muito eu longínquos não tinha feito. Ignorava, simplesmente, a sua existência pois nunca por lá tinha passado e ninguém me tinha falado de tal.
A equipa questionou-se sobre a razão de tal “descoberta”. Falamos com várias pessoas, mas ninguém tinha reparado ou sabia a razão. Ainda procuramos os donos da casa, mas não os encontramos. Disseram-nos que um dos donos se chamava Vicente. Talvez esteja aqui a razão do nome da rua e do azulejo.
Com esta “descoberta”, durante a Missão, fizemos duas reflexões complementares: a primeira, sermos fiéis ao espírito do impulsionador das Missões Populares, a partir da experiência fundante de 1617 e que o Santo iria ser inspirador nos trabalhos desta Missão; a segunda, mais abrangente e desafiante: o nome de uma pessoa, levou a que esta quisesse perpetuar a memória do Santo da Caridade.
Os que seguem o seu carisma e fazem parte da grande família vicentina, mais que o dono daquela casa, têm por obrigação e imperativo dar a conhecer a sua obra, a sua marca original, o seu amor a Cristo e ao irmão. Não serão precisos nomes de ruas ou azulejos ilustrativos, mas exemplos de vida, de entrega e de paixão pela Missão de Jesus Cristo.
Às vezes, o nome de uma rua ou um azulejo, também ajudam a ver outras realidades!
P. Agostinho, CM



quinta-feira, 7 de março de 2013

P. Manuel Henriques da Silva, CM



O Padre Manuel Henriques da Silva nasceu em Campia, Vouzela, em 8 de Março de 1930. Ordenado presbítero em 20 de Março de 1955, na Sé Catedral do Porto, foi destinado às Missões em Moçambique. Aí trabalhou durante 20 anos seguidos, na formação do clero e também na Pastoral de evangelização. Voltando a Portugal, licenciou-se em Humanidades pela Universidade Católica de Braga, em 1985. Esteve no Seminário de Pombeiro e posteriormente, em Santa Quitéria, ambas em Felgueiras. Voltou mais duas vezes a Moçambique em serviço e uma terceira de férias. Pelo meio, fez parte das comunidades de Salvaterra de Magos, diocese de Santarém e do Amial (Casa dos Estudantes), no Porto.

No seu regresso definitivo de Moçambique, foi convidado a exercer o seu ministério em terras de Nisa, Diocese de Portalegre-Castelo Branco. Daí foi para Viseu, colocado pelos Superiores em Monte Salvado, pertencente à Paróquia de Orgens. Entretanto, fez parte de comunidade vicentina de Santiago do Cacém, diocese de Beja, tendo regressado a Viseu, onde continuou a exercer o seu ministério sacerdotal e onde a doença o foi consumindo, fazendo com que várias vezes tivesse de ser internado no Hospital de S. Teotónio, em Viseu.

Já muito debilitado, passou os seus últimos dias entre nós, no Lar vicentino de Santa Quitéria (Felgueiras). A irmã morte chamou-o na véspera do seu aniversário natalício, a 07 de Março de 2013. As exéquias serão celebradas, em Campia-Vouzela, sua terra natal, pelas 15h30, no dia 8 de Março. Não cantando os parabéns pela vida, damos graças a Deus pela vida e sacerdócio do Padre Manuel Henriques da Silva e acreditamos que ele goza da Vida nova, junto de Deus.

 A sua actividade regular eram as Missões Populares, a primeira actividade do carisma vicentino. Jovial e bem disposto, gostava da literatura e de fazer versos ao correr da pena. Homem simples e já maduro, habituou-se a ser próximo de toda a gente. Perito em rubricas, sabia muito de liturgia. Não se afastava muito das normas canónicas e cultivava a sã piedade com esmerado cuidado. Gostava de escrever. Tinha por costume estar muito atento a tudo e a todos. Escreveu um livro com o título “Pedaços de vida”.

P. Agostinho Sousa


domingo, 3 de fevereiro de 2013

A Páscoa de um Missionário Vicentino




O Pe. Joaquim Modesto Coelho Fernandes, nasceu em Regilde, concelho de Felgueiras. Após ter concluído a instrução primária em Revinhade, foi para a Escola Apostólica, em Oleiros, Felgueiras.

Começou o noviciado a 19 de Julho de 1949, em Pombeiro e Espanha. Foi ordenado sacerdote, na Sé do Porto, a 4 de Agosto de 1957, pelo bispo D. António Ferreira Gomes. Partiu para Moçambique a 1 de Setembro de 1957, onde permaneceu até 2006.

Em Moçambique foi professor em Magude, missionário em Chilembene, Wanetze e Sabié, entre 1958 e 1976, viveu com as populações de Magude e Mapulanguene os anos da Revolução e da guerra, e depois os tempos de paz entre 1977 e 2001. Integrou a equipa missionária do Chókwe até 2004, tendo sido depois Director das Filhas da Caridade.

Em Junho 2006 deu entrada no hospital Egas Moniz, em Lisboa, doente. Em Dezembro desse mesmo ano veio para o Lar Vicentino de Santa Quitério. O ano de 2007 marca o seu Jubileu: 50 anos como Missionário Vicentino, todos vividos em Moçambique. Em Agosto regressa lá para celebrar as Bodas de Ouro Sacerdotais.

A 2 de Fevereiro, Festa da Apresentação do Senhor no Templo e dia do Consagrado partiu para a Casa do Pai. Terminou com muita coragem umaluta contra a doença. O seu corpo esteve em repouso na Capela do Lar Vicentino de Santa Quitéria-Felgueiras, de onde foi transladado para Santa Comba, Regilde, neste domingo, para aí ser celebrada Missa exequial. O seu corpo ficou sepultado no cemitério local, segundo sua vontade expressa.
Em Memória do P. Modesto

Apresentamos uma entrevista dada ao Lar dos Estudantes Vicentinos da estrada da Luz, Lisboa, quando em 2006, em tempo de recuperação, o P. Modesto com força e determinação, “aguentou” os tratamentos que o ajudaram a voltar a Moçambique, a sua terra de Missão. Foi entrevistador o seminarista, agora P. Bruno. O Senhor da Vida, concedeu-lhe mais 7 anos para viver e testemunhar a sua vocação missionária.

O P. Modesto encontra-se há algum tempo em Portugal, a recuperar das suas “maleitas”. É na casa Central dos Irmãos de S. João de Deus, em Lisboa, que se encontra a viver neste momento a, trabalhando duramente com as fisioterapeutas e enfermeiros, os quais o ajudam na sua recuperação. Por esta e outras razões achamos interessante fazer-lhe uma entrevista. Aqui fica o que o P. Modesto partilhou connosco.

Bruno - Que idade tem e de onde é?
P. Modesto - Nasci a 18 de Dezembro de 1931, na freguesia de Regilde, do concelho de Felgueiras. Caminho a passos largos para os 75 anos.

Bruno - Há quantos anos é sacerdote e quando foi para Moçambique?
P. Modesto - Fui ordenado presbítero a 4 de Agosto de 1957, já lá vão 49 anos! Nesse mesmo ano, a 1 de Novembro, cheguei a Moçambique, à Missão de S. Jerónimo de Magude.

Bruno - Que significa Moçambique para si?
P. Modesto - Para mim, Moçambique, o nosso campo missionário «Ad Gentes», foi a concretização de um sonho que alimentei desde os tempos da Escola Apostólica de Oleiros. À medida que os anos iam passando, cheios de acontecimentos que, directamente, vivi na carne e no espírito (sobretudo nos períodos da Revolução e da guerra), mais descobri a presença e a protecção de Deus e os apelos da Igreja no sofrimento do povo.
Se o meu sonho, desde os meus primeiros anos de formação, foi a evangelização «Ad Gentes», esse sonho nunca deixou de crescer e só atingirá a sua plenitude no descanso da eternidade no meio do povo que me acolheu e a quem dedico todos os sentimentos do meu coração.
Faço deste sonho a expressão da minha última vontade, cuja alteração livremente aceito se houver sinais legitimamente interpretados pela legítima autoridade que outra é a vontade de Deus.

Bruno - Que acha da recepção e tratamento que está a ter aqui em Portugal, de modo particular, no Hospital Egas Moniz?
P. Modesto - Agradeço o acolhimento e as atenções que todos os confrades me têm dedicado. Na verdade, o sofrimento é um laço de união e de fraternidade, de comunhão e de partilha do mesmo “sonho” missionário que nos anima na fidelidade a Cristo. Sem o vosso apoio, acredito que não teria a força de espírito para fazer esta caminhada que, para mim, é tão difícil como dolorosa. A cruz é para carregar até ao cimo do monte e, depois descansar, na certeza da fé, mesmo que seja em túmulo emprestado, no meio do povo que o Senhor me confiou ao longo de tantos anos.
Obrigado, irmãos, de cá e de lá, pela vossa solidariedade no amor de Cristo e espírito vicentino.
Cheguei na manhã de 26 de Junho e fui acolhido pelo Hospital Egas Moniz. À direcção do Hospital, corpo clínico e de enfermagem, terapeutas e auxiliares, a expressão da minha gratidão e muito obrigado. Além do profissionalismo de cada um, encontrei um amigo que muito me ajudou a fortalecer as minhas esperanças de, num futuro, mais ou menos próximo, poder regressar ao campo missionário, a razão e a força do meu “sonho”.

Bruno - E, aqui, nos Irmãos de S. João de Deus? A fisioterapia está a ajudá-lo?

P. Modesto - No dia 18 de Agosto, à noite, dei entrada na Residência de S. João de Deus, para um tratamento mais intensivo de fisioterapia. De 2ª a 6ª, praticamente, os dias estão cheios com exercícios terapêuticos. Graças ao profissionalismo e ao interesse que demonstram na minha recuperação, embora lenta e dolorosa, espero voltar a andar. Deixo, aqui, a expressão dos meus sentimentos de gratidão por todos os serviços e atenções que me têm dispensado.

Bruno - Uma mensagem que queira deixar para a PPCM...

P. Modesto - Como mensagem aos jovens que, porventura, tenham sonhado com uma aventura missionária, apenas lhes direi que os sonhos da juventude não são para esquecer nem, muito menos, para abandonar como inúteis ou impossíveis. A História da Salvação é precisamente, a concretização dos sonhos dos nossos pais na fé – os patriarcas, e das promessas e bênção que Deus fez aos filhos de Jacob, o Povo de Deus. Os nossos sonhos, como chamamento de Deus, alimentados na fé e crescidos com a esperança, certamente nos dão o sentido da vida e as razões da nossa doação ao serviço dos outros, sobretudo, dos pobres e do Reino de Deus. Não tenhamos medo de “sonhar” até ao limite das nossas forças!...
28 de Setembro de 2006

Agradecemos ao P. Modesto a sua disponibilidade para partilhar connosco os seus sentimentos e tudo aquilo que está a viver desde que regressou a Portugal. Bem-haja P. Modesto!

Bruno
(in Estudantes Vicentinos da Luz – Lisboa)

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

25 de Janeiro: Nasce uma Congregação enviada a evangelizar os pobres



A 24 de Abril de 1581 na aldeia de Pouy, Dax - França, nascia Vicente de Paulo. Faleceu a 27 de Setembro de 1660, em Paris, sendo canonizado em 16 de Junho de 1737. Em 1885, o Papa Leão XIII declarou-o patrono de todas as obras de caridade.

Os santos, ainda em vida e, sobretudo depois da sua morte, são para o mundo, ao longo dos séculos, testemunhas da presença de Deus que ama e da Sua acção salvadora. Celebrá-los ou fazer memória de acontecimentos-chave nas suas vidas são preciosas oportunidades para meditar nas maravilhas de um Deus de ternura e de misericórdia por meio de alguém que a Ele se entregou sem reserva através dos compromissos irrevogáveis do sacerdócio.

Para a Congregação da Missão (Padres Vicentinos), celebrar o dia 25 de Janeiro, dia da sua fundação, remete-nos para o sermão histórico de Folleville (25 de Janeiro de 1617) que deu início à obra das Missões e tornou-se o segredo revelado para o início da própria Congregação. A coincidência com a celebração da festa da conversão de S. Paulo, apóstolo dos gentios, é estímulo (“Para mim viver é Cristo!”), desafio (“Ai de mim se eu não evangelizar!”) e compromisso (“O amor de Cristo nos impele!”).



Itinerário espiritual

A vocação deste genial iniciador da acção caritativa e social ilumina ainda hoje a estrada dos seus filhos e filhas, dos leigos que vivem do seu espírito, dos jovens que buscam a chave de uma existência útil e radicalmente consumida no dom de si. É fascinante o itinerário espiritual de São Vicente de Paulo. Depois da ordenação sacerdotal e da estranha aventura de escravidão em Túnis, dá-nos a impressão que ele volta as costas ao mundo dos pobres, rumando para Paris na expectativa de adquirir um benefício eclesiástico. Conseguiu colocar-se ao serviço da rainha Margarida. Tal posto fê-lo aproximar-se da miséria humana, especialmente no novo Hospital da Caridade. São os desígnios da Providência.

Transitando continuamente com a grande, rica e célebre Família dos Gondi pelos seus castelos e propriedades do interior, Vicente de Paulo descobriu a terrível realidade da miséria material e espiritual do "pobre povo do campo". Num domingo de Agosto de 1617, foi chamado para atender a uma família, cujos membros estavam todos doentes. Ele assume a organização da generosidade dos vizinhos e das pessoas de boa vontade: era o nascimento da primeira "Caridade" que ia servir de modelo a tantas outras. E, daquele momento até ao último suspiro, não o abandonaria mais a convicção de que o serviço dos pobres era a sua vida. Este resumo do "itinerário interior" do padre Vicente nos primeiros anos de sacerdócio mostra-nos um presbítero extremamente atento aos problemas do seu tempo, deixando-se guiar pelos acontecimentos ou, antes, pela Providência divina, sem jamais se lhe antecipar, sem "lhe passar por cima", como gostava de dizer.



Missões Populares

Para melhor servir os pobres, Vicente decidiu "reunir um grupo de padres que, livres de quaisquer compromissos, se aplicassem inteiramente, sob a orientação dos Bispos, à salvação do pobre povo do campo, por meio da pregação, da catequese, das confissões gerais, sem disso auferir retribuição alguma, qualquer que fosse a sua natureza ou modalidade". Este grupo sacerdotal cresceu rapidamente e implantou-se em cerca de quinze dioceses para missões paroquiais e a fundação das "Caridades". A Congregação da Missão depressa se estende até à Itália, à Irlanda, à Polónia, à Argélia, a Madagáscar. Vicente não cessa de inculcar nos seus companheiros "o espírito de Nosso Senhor", que ele compendia nas cinco virtudes fundamentais: a simplicidade, a mansidão, a humildade, a mortificação e o zelo. As exortações por ele dirigidas aos que partiam para pregar o Evangelho eram cheias de sabedoria espiritual e de realismo pastoral: trata-se, não de se fazer amar, e sim, de fazer amar Jesus Cristo. Num tempo de tantos pregadores de complicados sermões, com citações em grego e latim, ele exigia, em nome do Evangelho, a simplicidade e uma linguagem convincente.



Seminários e retiros

No decorrer das missões, tornou-se evidente que os frutos de tal método de evangelização dependiam da permanência de padres instruídos e zelosos nas paróquias missionadas. Assim, bem cedo, os "padres da missão" começaram a dar à formação sacerdotal a atenção que davam às missões, fundando, para isso, seminários em conformidade com os urgentes apelos do Concílio de Trento.

O primeiro retiro de ordinandos, animado pelo próprio São Vicente, em 1628, a pedido do Bispo de Beauvais, foi o ponto de partida, não apenas dos "exercícios preparatórios" à ordenação, mas também da formação permanente do clero, graças às "Conferências das terças-feiras" para os Eclesiásticos, em São Lázaro. A este clero de Paris e do interior, Vicente de Paulo comunicou o espírito evangélico e ardor missionários, orientando-o para a exigência da fraternidade sacerdotal e da ajuda mútua no serviço dos pobres, sob filial dependência dos Bispos. "Como revelar ao mundo o amor de Deus, gostava de repetir, se os mensageiros deste amor não se unem entre si?". Não seria, para todos os padres de hoje, um convite de São Vicente a viverem o sacerdócio em equipas fraternas, indissoluvelmente orantes e apostólicas; a um só tempo, abertas à colaboração com os leigos e penetradas do sentido do sacerdócio ministerial que vem de Cristo para o serviço das comunidades cristãs?



Filhas da Caridade e “Caridades”

Outro aspecto do dinamismo e do realismo de Vicente de Paulo foi dotar as "Caridades", já numerosas, de uma estrutura de unidade e eficiência. Luísa de Marillac, foi enviada para visitar e estimular as "Caridades". Cumpriu maravilhosamente a missão, cujos ecos contribuíram muito para que várias "boas moças do campo" que colaboravam com as "Caridades", se decidissem a seguir-lhe o exemplo de oblação total a Deus e aos pobres. A 29 de Novembro de 1633, nascia a Companhia das Filhas da Caridade, recebendo de Vicente de Paulo um regulamento original e exigente: "Tereis por mosteiros a sala dos doentes; por cela, um quarto de aluguer; como capela, a igreja paroquial; como claustro, as ruas da cidade; como clausura, a obediência; como grade, o temor de Deus; como véu, a santa modéstia". O espírito da Companhia foi assim resumido: "Deveis fazer o que o Filho de Deus fez na terra; a estes pobres doentes, deveis dar a vida do corpo e a vida da alma".



Nos dias de hoje

Este olhar contemplativo sobre a epopeia vicentina, levar-nos-ia facilmente a dizer que São Vicente de Paulo é um santo moderno. Sem dúvida, se ele aparecesse hoje, não teria o mesmo campo de acção. Foram superadas muitas doenças que ele ensinou a curar. Entretanto, ele encontraria infalivelmente, o caminho dos pobres, dos novos pobres, nas concentrações urbanas do nosso tempo, como outrora nos campos, bem como os desempregados e outras vítimas do sistema materialista em que vivemos.

Imagine-se o que este arauto da misericórdia e da ternura de Deus seria capaz de empreender, utilizando com sabedoria, todos os meios modernos à nossa disposição! Numa palavra, a sua vida assemelhar-se-ia ao que sempre foi: um evangelho generosamente aberto, com o mesmo cortejo de pobres, de doentes, de pecadores, de crianças infelizes e, também, de homens e mulheres a dedicarem-se, generosamente, ao amor e ao serviço dos pobres. Todos, famintos de verdade e de amor, tanto quanto de alimento material e de cuidados corporais! Todos, a escutar Cristo que continua a dizer-lhes: "Vinde e aprendei de Mim que sou manso e humilde de coração!" (Mt 11, 29).

A Congregação da Missão e as Províncias que a compõem, ao longo dos tempos, procura identificar-se com o fundador e o seu carisma e, na última Assembleia, trataram o tema “Fidelidade criativa para a Missão”. Nesse sentido, está trabalhar na sua reconfiguração e no modo como levar por diante a missão que lhe está confiada.

Nesta última semana, mais concretamente de 16 a 19, em Piacenza-Itália, houve um Encontro de formação a nível europeu, subordinado ao tema: “Transmissão da Fé”. Neste tempo forte em que participei com outro sacerdote vicentino, foram trabalhados vários sub-temas, tais como: “A missão na Europa”, “A formação do Clero”, “O diálogo inter-religioso”, “A Igreja transmite a fé da qual ela vive”, “O diálogo ecuménico-litúrgico entre católicos e ortodoxos”, “A caridade” e “A Missões Populares”. Foram momentos ricos e intensos de partilha e de abertura, de testemunhos e de desafios.

Atentos aos sinais dos tempos e à realidade onde estamos inseridos sejamos bons discípulos de Vicente de Paulo, apoiados em dois dos seus pensamentos mais conhecidos - “Dai-me um homem de oração e ele será capaz de tudo!” e “O amor é inventivo até ao infinito!”

P. Agostinho Sousa, CDM/Beja


domingo, 20 de janeiro de 2013

P. João Sevivas deixou a sua missão entre nós e partiu para a casa do Pai!



O Pe. João dos Reis Sevivas, nasceu em Bustelo, Chaves, a 17 de Junho de 1936. O mais velho dos dez filhos que o Senhor da Vida concedeu a Francisco Sevivas e Maria Rosa dos Reis. Completada a instrução primária (1º ciclo) ingressou, em 1947, no Seminário de São José (Felgueiras), para fazer o 2º e 3º ciclo. Em 1954 foi para o Seminário de Sta. Teresinha, Pombeiro (FLG), onde completou toda a formação filosófica e teológica, concluída em 1961. Entre 1952-1954 frequentou o Seminário Interno (Noviciado), em Limpias (Espanha) e Pombeiro, onde viria a emitir votos perpétuos a 27 de Setembro de 1957. Em Pombeiro, ainda, recebeu as ordens menores e foi ordenado sacerdote a 23 de Julho de 1961.
Ao longo destes mais de 50 anos de sacerdócio exerceu vários serviços missionários na Igreja em Portugal e na PPCM: Professor, Director e Responsável da formação inicial, bem como, Director do Seminário Interno (Noviciado); Superior e Ecónomo, bem como, em dois períodos, Conselheiro Provincial; pároco em Pombeiro, Almodôvar, S. Tomás de Aquino (Lisboa) e Salvaterra de Magos, onde esteve até ao verão de 2011. Por motivos de doença, em Setembro desse ano veio para a Comunidade do Amial (Porto), onde colaborou, quanto a saúde lhe permitiu, nos vários ministérios da comunidade.
Nos últimos meses esteve na Maia, em casa da família, onde foi tratado e estimado, por todos, com um carinho inigualável e onde veio a falecer a 18 de Janeiro 2013. O seu carácter firme (como ele gostava de dizer, com orgulho: “transmontano”), a profunda sensibilidade poética e aceitação humana para com todos, foi verdadeiramente notada e notável. Continuará, por isso, a ser um “mestre” para quantos o estimam.
(Do livrinho do ofício da missa exequial do Padre Sevivas)

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Comunicação do Superior GERAL DOS PADRES VICENTINOS - Sínodo


Momentos de Presença, Escuta, Serviço e Acção: Chaves para a Nova Evangelização



Comunicação no Sínodo dos Bispos para a Nova Evangelização do Superior Geral da Congregação da Missão (CM)



O documento Instrumentum Laboris para a Nova Evangelização oferece uma verdade central: “Uma semelhante tarefa de anúncio e de proclamação não está reservada apenas a alguns, a poucos eleitos. É um dom oferecido a todo o homem que responde ao chamamento da fé” (IL, 92).



Esta verdade tornou-se clara para mim 30 anos atrás, quando fui chamado para a missão vicentina na República do Panamá. Eles experimentavam uma Igreja viva, uma Igreja que fazia esforços sinceros para trazer os ensinamentos do Concílio Vaticano II para a realidade da vida na América Latina. A formação dos leigos foi realizada através dos esforços de congregações religiosas, do clero diocesano e dos bispos. Ao experimentar a Palavra de Deus viva nas Comunidades Eclesiais de Base, eu testemunhei muitas pessoas simples participando entusiasmadas com a sua fé.


Então eu disse, “Esta é a Igreja do desejo de fazer parte. Esta é a Igreja imaginada pelo Concílio Vaticano II.” Tive o privilégio de trabalhar por mais de duas décadas nesta parte do mundo. Trabalhar colegialmente com os bispos, o clero diocesano, homens e mulheres religiosos e leigos para alcançar um bem comum no serviço da Igreja e do mundo, não foi apenas uma promessa, mas também o dom do Concílio Vaticano II para mim. A Igreja na América Latina continua inculturação do Evangelho, como visto nos seus documentos de Medellín até Aparecida, o mais recente e frequentemente mais citado documento neste Sínodo. Esse tempo deu-me energia e vida como missionário de uma congregação religiosa e, agora, como seu Superior Geral.


Para proclamar o dom da fé e fortalecer a renovação da Igreja, há três momentos de encontro e dois caminhos críticos para a nova evangelização.



- Um momento de presença

A presença tem duas dimensões: a primeira é a presença que chamamos Deus e outra é a presença que encontramos quando nos abrimos aos outros. Aqueles que Deus coloca no nosso caminho revelam a pessoa de Jesus Cristo, especialmente os pobres, marginalizados e abandonados. Na presença de Deus, temos a força para estar presente a todos os membros do Corpo de Cristo de uma maneira corajosa e profética.


- Um momento de escuta

Escutar também tem dois momentos contemplativos: um interior e outro exterior. O tempo interior é dado à Palavra de Deus, à Eucaristia, à oração da Igreja e à experiência do pobre. Neste “espaço interior” de nossa alma, nós permitimos a pessoa de Jesus entrar no silêncio dos nossos corações para se juntar a nós na nossa jornada diária. Isto leva a espaços de relacionamento mais profundo com o mundo e com os outros. Antes de ensinar e pregar, devemos escutar.


- Um momento de serviço

A presença e a escuta permitem que a graça de Deus nos guie para o serviço. A Nova Evangelização nos chama e nos une com um elemento indelével de nossa fé: o amor de Deus e o serviço ao próximo. “Que vos ameis uns aos outros como eu vos amei” (João 13, 34). O serviço em nome de Jesus é de acção e defesa, não só em nome do pobre, mas também com o pobre. No cadinho do serviço, a Igreja encontra a sua verdadeira identidade e salvação.


- Um caminho para o serviço através da virtude

Nós evangelizamos quando entramos no mundo dos pobres e crescemos nas virtudes da humildade, simplicidade, caridade e justiça. Este é o coração da nossa herança Vicentina. A opção preferencial pelos pobres é a chave para a nova evangelização. Na experiência da comunidade, nós tornamos visível e credível a pessoa de Jesus, a promoção de uma civilização do amor. Ao viver essas virtudes, aproximamo-nos de Deus, uns dos outros e dos pobres, nossos senhores e mestres.


- Um caminho para a acção

Com o amor a Deus e aos pobres, que representam o seu Filho Jesus, podemos produzir bons na nova evangelização revitalizando as missões populares. Colaborar com os religiosos, clérigos e leigos, evangelizar com a nossa presença, ouvindo e servindo no estilo de Jesus Cristo, o primeiro evangelizador. Seguindo os caminhos da virtude, da ação e da defesa, não apenas pregamos e ensinamos a Boa Nova, mas nos tornamos uma Boa Notícia para o mundo. As palavras de Jesus ao jovem curado também serão verdade para nós: “Vai para casa e diz à tua família o que o Senhor fez por ti e como teve misericórdia de ti.” (Marcos 5, 19)


Humildemente, confio estes pensamentos e os nossos esforços neste Sínodo a Jesus Cristo, evangelizador dos pobres e a Maria, sua Mãe, Nossa Senhora da Medalha Milagrosa.





G. Gregory Gay, Superior Geral da CM
Roma, Outubro 2012