quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

AS 10 FRASES-CHAVE DO PAPA FRANCISCO NAS JMJ PANAMÁ


Para todos aqueles que já participaram em Jornadas Mundiais da Juventude, são tantas e tão fortes as memórias de todos os momentos vividos. É um encontro feito de encontros a todo o momento. O encontro com milhares de jovens provenientes de todos os cantos do mundo, o encontro com a comunidade que nos recebe e o encontro com o Papa. Todos estes encontros nos levam a algo maior, mais verdadeiro e mais importante: o encontro com Cristo! Ao longo destes dias todo o discurso tem como pano de fundo a relação dos jovens com Cristo e com a sua Igreja. Este ano, no Panamá, fomos guiados pela mão de Maria com o tema: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra (Lc 1, 38)”. Todas as mensagens do Papa Francisco durante as Jornadas Mundiais da Juventude são de tamanha riqueza e profundidade, que serão certamente merecedoras da nossa leitura, releitura, meditação e oração. Deixo-vos um “aperitivo”, com a seleção das 10 frases-chave que, segundo a minha opinião, marcaram o ritmo destas Jornadas.
        O discípulo não é apenas aquele que chega a um lugar, mas quem começa com decisão, quem não tem medo de arriscar e pôr-se a caminho. Se alguém se põe a caminhar, já é um discípulo. Se ficas parado, perdeste… Começar a caminhar, estar a caminho: esta é a alegria maior do discípulo. Vós não tendes medo de arriscar e caminhar. (Cerimónia de Acolhimento e Abertura JMJ 2019)
        Um amor que une é um amor que não se impõe nem esmaga, um amor que não marginaliza nem obriga a estar calado nem silencia, um amor que não humilha nem subjuga. É o amor do Senhor: amor diário, discreto e respeitador, amor feito de liberdade e para a liberdade, amor que cura e eleva. É o amor do Senhor, que se entende mais de levantamentos que de quedas, de reconciliação que de proibições, de dar nova oportunidade que de condenar, de futuro que de passado. É o amor silencioso da mão estendida no serviço e na doação; é o amor que não se vangloria nem se pavoneia, é o amor humilde que se dá aos outros sempre com a mão estendida. (…) Não tenhais medo de amar, não tenhais medo deste amor concreto, deste amor que tem ternura, deste amor que é serviço, deste amor que dá a vida. (Cerimónia de Acolhimento e Abertura JMJ 2019)
        Maria soube dizer «sim». Teve a coragem de dar vida ao sonho de Deus. E o mesmo nos é pedido a nós hoje: queres encarnar com as tuas mãos, os teus pés, o teu olhar, o teu coração o sonho de Deus? Queres que seja o amor do Pai a abrir-te novos horizontes e levar-te por sendas nunca imaginadas nem pensadas, sonhadas ou esperadas, que alegrem e façam cantar e dançar o coração? Temos a coragem de responder ao anjo, como Maria, «eis-nos aqui, somos os servos do Senhor, faça-se em nós…»? (Cerimónia de Acolhimento  Abertura JMJ 2019)
        A jovem de Nazaré não aparecia nas «redes sociais» de então; Ela não era um «influencer» mas, sem querer nem procurá-lo, tornou-Se a mulher que maior influência teve na história. E poderíamos, com confiança de filhos, defini-La: Maria, a influenciadora [às ordens] de Deus. Com poucas palavras, teve a coragem de dizer «sim», confiando no amor, confiando nas promessas de Deus, que é a única força capaz de renovar, de fazer novas todas as coisas. E, hoje, todos temos algo para renovar dentro de nós. Hoje devemos deixar que Deus renove algo no nosso coração. (Vigília Com Os Jovens, JMJ 2019)
        Sonhar o futuro é aprender a responder não só porque vivo, mas também para quem vivo, por quem vale a pena gastar a minha vida. (…) É sempre possível começar de novo quando há uma comunidade, o calor duma casa onde criar raízes, que oferece a confiança necessária e prepara o coração para descobrir um novo horizonte: horizonte de filho amado, procurado, encontrado e dedicado a uma missão. O Senhor torna-Se presente por meio de rostos concretos. (Vigília Com Os Jovens, JMJ 2019)
        A grandeza não é apenas possuir o último modelo de carro ou adquirir a última tecnologia do mercado. Fostes criados para algo maior? Maria compreendeu-o e disse: «Faça-se em Mim». (...) O mundo será melhor quando forem mais as pessoas que estiverem dispostas e tiverem a coragem de levar no ventre o amanhã e acreditar na força transformadora do amor de Deus. (…) Não tenhais medo de dizer a Jesus que vós também quereis fazer parte da sua história de amor no mundo, que sois para um «mais»! (Vigília Com Os Jovens, JMJ 2019)
        Vós, jovens, deveis lutar pelo vosso espaço hoje, porque a vida é hoje. Ninguém te pode prometer um dia do amanhã: a tua vida é hoje, o teu desafio é hoje, o teu espaço é hoje. (...) Vós sois o presente! Não sois o futuro de Deus; vós, jovens, sois o agora de Deus. (...) Poderemos ter tudo; mas, queridos jovens, se falta a paixão do amor, faltará tudo! A paixão do amor hoje! Deixemos que o Senhor nos faça enamorar e nos leve para o amanhã! (...) Jesus não é um «entretanto» na vida nem uma moda passageira: é amor de doação que convida a doar-se. É amor concreto, de hoje, próximo, real; é alegria festiva que nasce da opção de participar na pesca miraculosa da esperança e da caridade, da solidariedade e da fraternidade frente a tantos olhares paralisados e paralisadores por causa dos medos e da exclusão, da especulação e da manipulação. (Santa Missa Da Celebração Da Jornada Mundial Da Juventude, JMJ 2019)
        Que as nossas limitações, as nossas fraquezas não nos paralisem! Continuar para diante, com os nossos defeitos – depois corrigimo-los –, com as nossas fraquezas... avançar e tal é a maravilha de nos sentirmos enviados, a alegria de saber que, apesar de todos os inconvenientes, temos uma missão a cumprir. Não deixemos que as limitações, as fraquezas e mesmo os pecados nos bloqueiem e impeçam de viver a missão, porque Deus chama-nos a fazer o que podemos e a pedir o que não podemos, sabendo que o seu amor nos agarra e transforma progressivamente. Não vos assusteis à vista das vossas fraquezas; não vos assusteis sequer à vista dos vossos pecados: levantai-vos e continuai para diante, sempre para diante! Não fiqueis caídos por terra, não vos fecheis, continuai para diante com o que tendes de mais importante, continuai para diante; Deus sabe como perdoar tudo! (Encontro Com Os Voluntários JMJ 2019)
        Se for rezada, sente-se e vive-se a realidade em profundidade. A oração dá espessura e vitalidade a tudo o que fazemos. (Encontro Com Os Voluntários JMJ 2019)
        Agora chega o momento do envio: ide e contai, ide e testemunhai, ide e transmiti o que vistes e ouvistes. E isso, não o façais com muitas palavras, mas – como fizestes aqui – com gestos simples, com gestos do dia-a-dia, aqueles que transformam e fazem novas todas as coisas, aqueles gestos capazes de criar «algazarra», uma «algazarra» construtiva, uma «algazarra» de amor. (Encontro Com Os Voluntários JMJ 2019)
Francisco Vilhena

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

SEMANA DO CONSAGRADO

A propósito da Semana do Consagrado, uma reflexão do Pe Jaime Cruz


SÃO VICENTE DE PAULO E A VIDA CONSAGRADA

“ É próprio dos grandes corações descobrir a principal necessidade dos tempos em que vivem e consagrar-se à sua solução”.

Aplicando a S. Vicente de Paulo esta densa afirmação de Lacordaire e mergulhando o mais possível em suas raízes, seremos surpreendidos pela rara envergadura do Santo da Caridade e pela profundidade e novidade de suas intuições e realizações no campo da evangelização dos pobres.

A presença e compreensão da tríade: Cristo, Igreja, Pobre, é condição indispensável para abarcar e penetrar no âmago das suas muito e oportunas obras. É o que faremos ao considerar o tema em epígrafe.

Um privilegiado observador da Vida Consagrada

Pela natural maneira de ser, bem como por todo o seu itinerário sócio- religioso, S. Vicente era um homem profundamente aberto à sociedade, atento à marcha da Igreja, preocupado com a fidelidade ao Espírito. É este que, em cada momento da história, desperta formas de vida que atestam a presença de Deus e faz surgir homens privilegiados, capazes de interpretar e assumir a vontade divina, encarnando-a na realidade concreta e na marcha da salvação.

O carisma dos Fundadores revive a Instituição à qual deu início. Homem de amplo saber e largo círculo social, o nosso santo depressa se deu conta de que a instituição da Vida Consagrada, na sua maioria, vivia muito alheia ao momento presente, “monasticisada” em demasia.

Foi particularmente enriquecedor este contacto. Por dever de ofício e sobretudo como membro do Conselho de Consciência, contribuiu para a renovação de várias ordens. O elemento principal, constitutivo do estado religioso, era o compromisso de viver de acordo com os conselhos Evangélicos, assumidos mediante votos solenes. Esta solenidade canónica dos Votos reduzia a pluralidade das Instituições e dificultava a resposta adequada aos “sinais dos tempos”.

Abelly confirma a estima e apreço que o Senhor Vicente sentia pelo estado religioso.

A necessidade de algo diferente

Na Conferência de 07.11.1659, ao tratar dos votos, sublinha S. Vicente os valores constitutivos do tradicional estado religioso. Quase a meio da conferência, lança a pergunta: é esse o estado a que Deus nos chama? Não. Porque somos sacerdotes seculares que nos colocamos no estado que Nosso Senhor escolheu para si mesmo. Temos tudo o que têm os religiosos. Como bom canonista, adianta: - Os religiosos comprometem-se mediante votos solenes, enquanto os missionários não os emitem.

Quando, após aturadas diligências, consegue aprovação dos votos sem que a congregação seja considerada como “religiosa”, escreve: “A Divina Providência de Seus inspirou finalmente à companhia esta santa invenção de nos colocar no estado em que, tendo a felicidade do estado religioso, graças aos votos simples, continuamos no entanto entre o clero e em obediência aos Senhores Bispos, como os mais humildes sacerdotes de suas dioceses, em referência aos nossos trabalhos”. (III,224)

Noutra parte, pede se dê graças por nos encontrarmos na religião de S. Pedro, ou melhor de Jesus Cristo. “Salvador meu! Esperastes 1600 anos para suscitar uma companhia que fizesse profissão expressa de continuar a missão que o Pai vos confiou na terra”. (XI,639)

Na perspectiva da dimensão cristocêntrica, a dos compromissos, prorrompe em júbilo: “Não é para nós irmãos, uma felicidade imitar, de maneira tão simples, a vocação de Jesus Cristo? Quem continua, melhor que os missionários, a vida que Jesus Cristo levou na terra?”
Surge um instituto verdadeiramente original que dá pelo nome de Congregação da Missão. Afirma-se ainda maior ousadia na instituição das filhas da Caridade.

Enamorado de Cristo, discípulo da realidade, com profundo sentido eclesial e rara visão do pobre, também na sua fundação, entendemos as motivações e a finalidade a partir da tríade: Cristo, Igreja, Pobre. A estrutura religioso-jurídica é flexibilizada em proveito da finalidade apostólica. Mantém-se, no entanto, uma genuína espiritualidade, dado que a CM deve fazer suas as disposições de Cristo: amor e reverência ao Pai, caridade compassiva e eficaz com o pobre, docilidade à divina Providência.

Basta, para tanto, que se vivam as virtudes peculiares.

Muito antes de surgirem as Sociedades de Vida Apostólica, já Vicente de Paulo avançava – e de que maneira! – nesse caminho…
Aos Institutos de Vida Consagrada (no sentido jurídico) assemelham-se as Sociedades de Vida Apostólica cujos membros, sem votos religiosos, buscam o fim apostólico próprio da Sociedade e, levando vida fraterna em comum, segundo o modo próprio, aspiram à perfeição da caridade, pela observância das Constituições.

Entre estas, existem sociedades cujos membros abraçam os Conselhos Evangélicos mediante um vínculo determinado pelas Constituições. É fundamental, para S. Vicente, incidir no Cristocentrismo e no ter presente e no ter presente a finalidade apostólica, evangelizadora, devendo esta condição imprimir a tudo uma dinâmica de encarnação e de abertura.

Se não há atenção à finalidade, se a mesma não é actualizada constantemente, a Sociedade em questão perde a sua razão de ser. Daqui a quase obsessão do Santo em lembrar a identificação com Cristo, Enviado do Pai, Evangelizador e Servo dos pobres.

É, aliás, o próprio Direito Canónico a afirmar como primeiro elemento constitutivo de tais Sociedades a finalidade apostólica própria. “Nosso Senhor veio ao mundo, enviado pelo Pai a evangelizar os pobres – evangelizare pauperibus misit me -, como, pela graça de Deus, trata de fazer a pequena Companhia, pois esta é a nossa finalidade.” (IX,323)

A expressão “demo-nos a Deus”, tão utilizada pelo santo, exprime o insistente convite a uma consagração total à missão de Jesus Cristo que, para cumprir a vontade do Pai, levando a Boa nova aos pobres, foi até à Cruz.

Uma palavra-chave

“Estado de caridade” é uma expressão particularmente querida a S. Vicente de Paulo, e, com ela, pretende traduzir, de modo feliz, a novidade de suas grandes fundações. Diríamos que, ao modo de exercer a entrega a Deus para viver a caridade para com Deus e o pobre, à forma de tornar efectivo o Evangelho anunciado o Reino de Deus e prolongamento a missão de Cristo, chama o Santo “estado de caridade”.

Torna-se assim uma expressão identificadora, que aglutina o conteúdo da Caridade-Missão, tão marcante na caminhada do santo e manifestação completa do carisma que nos legou.

Os Padres da Missão e as Filhas da Caridade tornar-se-ão discípulos de Jesus Cristo e viverão a Castidade, Pobreza e Obediência, emprestando-lhes o estilo próprio do “Estado de Caridade” que é o seu e S. Vicente define sempre em perfeita fidelidade ao Evangelho.
“Dos religiosos, diz-se que estão num estado de perfeição. Nós não somos religiosos, mas podemos dizer que estamos num “estado de Caridade”, já que estamos continuamente ocupados na prática efectiva do amor ou em tensão para ele” (XI, 654)

Não há dúvida de que, tendo presente a prática do Fundador e o melhor do seu legado, Cristo encarnado para evangelizar e servir preferentemente os pobres, Missionário do Pai e Caridade Perfeita, é a fonte, o princípio dinamizador e o eixo unificador do modo de ser vicentino no mundo.

Não admira que assim seja, visto que, desde a sua ascensão na “conversão”, se deixou mobilizar, interpelar e conduzir pelo Cristo…

- Adorador do Pai,
- Servo do Seu desígnio de amor
- E portador da Boa Nova aos pobres.

Foi Cristo que levou este homem a fazer da sua vida uma história de doação em expansão. Foi o seu Espírito que o fez passar da defesa do religioso à paixão do Histórico, da nostalgia do passado à contemplação do futuro.

Nunca se cansou de proclamar o primado absoluto de Deus, vivido no serviço e na missão, cujas linhas de acção e estatuto jurídico definiu com tanta inspiração e êxito.

Nele a conformidade, tão perfeita quanto possível, com a vontade de Deus, exprime-se essencialmente por meio da caridade que vai ao encontro das necessidades dos homens e particularmente dos pobres na sua situação concreta.

Finalizando…

Vicente de Paulo avançou com projectos cuja ousadia e frescura ainda hoje nos encantam.
Teve uma imensa influência no evoluir da Via Consagrada; também nisso é um “santo moderno”.

À sua comunidade deixou o melhor de si: uma espiritualidade toda assumida em função da reprodução de Cristo evangelizador dos pobres, fonte e modelo de toda a Caridade.

Na referência a Cristo e aos pobres, num mundo a fermentar evangelicamente, temos a origem da espiritualidade vicentina.

É uma mina riquíssima a explorar com muito proveito.
Pe Jaime Cruz

Nota: Na elaboração deste trabalho consultei preferencialmente DICIONÁRIO DE ESPIRITUALIDAD VICENCIANA da editorial - CEME.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Jornadas Mundiais JMJ e EV no Panamá


Aproxima-se o grande momento do Encontro Internacional de Jovens Vicentinos e das Jornadas Mundiais da Juventude. A JMV de Portugal estará representada com 5 jovens, e pelo Assessor Regional da Zona Centro, o Diácono João Soares. Estes encontros são sempre um espaço para fazerem uma nova experiência de fé e vos animardes no serviço da Missão, a exemplo de Maria, que vai guiar toda esta caminhada.
Certamente que na bagagem estão muitas inquietações e esperanças. Mas acima de tudo uma vontade grande de estar com uma grande multidão de jovens, unidos pelo mesmo ideal, de mostrar o rosto jovem da Igreja nestes tempos de descrença.
Que Maria, s Serva do Senhor, vos acompanhe e que sejais nossos dignos representantes.
Boa peregrinação rumo ao Panamá! Rezarei por vós!

Pe Álvaro Cunha, CM

sábado, 22 de dezembro de 2018

E NOVAMENTE É NATAL!!!



Ninguém se cansa de ler, sempre com renovada emoção, a página de S. Lucas, onde um anjo de Deus vem anunciar aos pastores que guardavam os seus rebanhos: "Eis que vos anuncio uma grande alegria, que será para todo o povo: hoje, na cidade de David, nasceu para vós um Salvador, que é o Messias Senhor. E eis o sinal que vos é dado: encontrareis um recém-nascido envolto em panos, deitado numa manjedoura” (Lc 2, 10-12). E a esse anjo logo se juntou uma multidão de seres celestes, que louvavam a Deus, dizendo: "Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade". E eles partiram, e encontraram tudo como o anjo havia dito. O Menino recém-nascido. A Virgem Maria a seu lado. E José. E a pobreza e a simplicidade da gruta. Mas aí, no mais banal dos acontecimentos, acabava de nascer um mundo novo!

Gostaríamos, certamente, que a celebração do Natal viesse reforçar em nós o propósito de uma vida nova. E, lamentando embora que a chegada desta festa em cada ano se vá transformando sempre mais numa gigantesca movimentação do grande comércio, que faz esquecer o verdadeiro sentido de amor e de fraternidade que deveria estar subentendido nos presentes que se dão e que se recebem, não podemos ignorar que o Natal traz ao mundo um clima de alegria, de esperança e de paz. No Natal o mundo fica diferente. Reaparece uma nova vontade de fazer o bem. Criam-se expressivas mensagens, convidando o mundo a transformar-se numa terra de paz e de amor.

Ele é o Emanuel, que significa “Deus connosco”. A celebração do Natal recorda-nos que Deus não está longe, mas muito perto de nós. No Natal, celebramos o menino Jesus, que é Filho de Deus. Nele, Deus mostrou-nos o seu rosto humano, para nos mostrar o seu amor, para nos salvar.

Que saibamos, mais uma vez, acolher nas nossas vidas este Deus que se revela, que quer vir até nós. Façamos do nosso coração o Seu presépio! BOAS FESTAS!!!

                                     Pe Álvaro Cunha


terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Fotos da Ordenação Diaconal

Apresento uma série de fotos da Ordenação do Diácono João Soares.






Ordenação Diaconal do João Miguel Silva Soares, CM


Filho de João Soares e Maria Goreti Vaz da Silva, nasceu na Freguesia de Creixomil, Guimarães, a 13 de maio de 1993. É natural da Paróquia de Santa Maria de Vila Fria, Felgueiras, Diocese do Porto. Entrou no Seminário menor na Casa do Amial, no Porto, a 13 de setembro de 2009, onde fez o Secundário e os dois primeiros anos do curso de Teologia na Universidade Católica do Porto. Iniciou o Seminário Interno (Noviciado) a 14 de setembro de 2013 em Nápoles, Itália. Fez o seu estágio pós Seminário Interno em Santiago do Cacém, onde se dedicou sobretudo ao acompanhamento de atividades missionárias. Desde setembro de 2014 a 2017 esteve colocado na Comunidade de Salamanca, onde estudou Teologia na Universidade Pontifícia, desta mesma cidade. No ano de 2016 realizou uma experiência missionária em Moçambique, em colaboração com os Padres Vicentinos de Moçambique.  No Ano de 2017 foi colocado na Casa de Viseu, para realizar o seu estágio Pastoral e concluir os estudos teológicos, nomeadamente a dissertação em Teologia. Emitiu Votos Perpétuos no dia 17 de março de 2018. Neste momento prepara-se para a receção a Ordenação Diaconal, que terá acontecerá no dia 9 de dezembro, às 15,30h, na Sé Catedral de Viseu.


Mensagem do Advento Superior Geral

A todos os membros da Família Vicentina

A graça e a paz de Jesus estejam sempre connosco!
Na minha primeira carta para a festa de São Vicente, há dois anos, escrevi sobre São Vicente de Paulo, místico da Caridade. Quando refletimos sobre São Vicente como um místico da Caridade e, neste sentido, tentamos seguir o seu exemplo, devemos nos lembrar que ele não foi um místico tal como a Igreja costuma descrever no sentido comum do termo. Vicente de Paulo foi místico, mas um místico da Caridade. Com os olhos da fé, ele viu, contemplou e serviu Cristo na pessoa dos pobres. Quando tocava as feridas das pessoas marginalizadas, acreditava estar tocando as chagas de Cristo. Quando atendia as mais profundas necessidades deles, estava convicto de que adorava ao seu Senhor e Mestre.
Neste tempo do Advento, falarei sobre uma das principais fontes na qual, como místico da Caridade, Vicente bebeu: a oração diária. Ele exortou todos os grupos que fundou ou frequentou: os membros leigos da Confraria da Caridade, os Padres e os Irmãos da pequena Companhia da Congregação da Missão, as Filhas da Caridade, as Damas da Caridade e os Padres das Conferências das terças-feiras, a beber diariamente na fonte da oração.
Uma das frases mais citadas de São Vicente, tirada de uma conferência dada aos membros da Congregação da Missão, expressa com eloquência a atitude de Vicente:
Dai-me um homem de oração e ele será apto para tudo. Poderá dizer com o Santo Apóstolo: “Tudo posso naquele que me sustenta e me conforta” (Fl 4,13). A Congregação da Missão subsistirá enquanto o exercício da oração nela for fielmente praticado, porque a oração é como uma fortaleza inexpugnável que protegerá os missionários contra toda a sorte de ataques” 
Vicente falava da oração quotidiana. Ele afirmou aos seus seguidores:
Ora, avante, demo-nos todos à prática da oração, pois, por meio dela nos vêm todos os bens. Se perseveramos na vocação, será graças à oração. Se tivermos bom êxito em nossos encargos, será graças à oração. Se não cairmos no pecado, será graças à oração. Se permanecermos na caridade, se nos salvarmos, tudo isso será graças a Deus e à oração. Assim como Deus nada recusa à oração, quase nada concede sem a oração.
Para encorajar seus filhos e filhas a fazer a oração, ele utilizou muitas metáforas comumente empregadas por autores espirituais de sua época, dizia-lhes que a oração é para a alma o que o alimento é para o corpo. Ela é uma “fonte de juventude” onde somos revigorados. É um espelho no qual vemos todas as nossas imperfeições e nos ajustamos para nos tornarmos mais agradáveis a Deus. É um refrigério em meio a nossa difícil luta quotidiana no serviço dos pobres. Ela é uma pregação que fazemos a nós mesmos, disse Vicente aos missionários. É um livro de recursos para o pregador, no qual pode-se encontrar as verdades eternas e transmiti-las ao povo de Deus. Ela é um doce orvalho, que refresca a alma a cada manhã, disse Vicente às Filhas da Caridade.
Vicente aconselhava Santa Luísa de Marillac a formar bem as Irmãs jovens para a oração. Ele deu muitas conferências práticas sobre esse assunto. Assegurava as Irmãs que, de fato, a oração é muito fácil, é como se conversássemos com Deus durante meia hora. Ele dizia que se alguns são felizes pelo fato de falar com o rei, deveríamos nos alegrar em poder falar com Deus, de coração para coração, todos os dias.
Para Vicente, a oração é uma conversa com Deus, com Jesus, na qual expressamos nossos sentimentos mais profundos (ele chamou esta oração de “afetiva”) e buscamos saber o que Deus nos pede a cada dia, particularmente, em nosso serviço aos pobres. Ela se caracteriza por uma profunda gratidão a Jesus pelas inúmeras dádivas recebidas, especialmente, pela nossa vocação de servir os pobres. Da oração brotam resoluções sobre a maneira como poderíamos melhor servi-los no futuro. Para alguns, e até mesmo para muitos, ela dá lugar a uma contemplação silenciosa do amor que Jesus tem por nós e de seu amor pelos pobres e, isto nos impulsiona a lançar “raios de amor” que “penetram os céus” e tocam o coração de Nosso Senhor.
Para Vicente, o principal assunto da oração era a vida e o ensinamento de Jesus. Ele enfatizou que deveríamos voltar-nos incessantemente aos “mistérios” da humanidade de Jesus: seu nascimento, seu relacionamento com Maria e José, os acontecimentos do seu ministério público, seus milagres, seu amor preferencial pelos pobres. Vicente nos exortava a meditar as ações e os ensinamentos de Jesus nas Escrituras. Entre os ensinamentos de Jesus, Vicente chama a atenção especialmente para o Sermão da Montanha. Acima de tudo, recomendou a oração centrada na paixão e na cruz de Jesus.
O método que São Vicente ensinou foi o de São Francisco de Sales, fazendo apenas leves modificações. Vicente era mais sóbrio que Francisco de Sales quando falava sobre a utilização da imaginação. Embora valorizasse a oração afetiva, insistiu vigorosamente na necessidade de resoluções práticas. Em particular, nas conferências às Filhas da Caridade, ele mesclava de modo agradável a sabedoria espiritual e o bom senso. Ele alertou as Irmãs sobre o cultivo de “belos pensamentos” que não levam a nada. Preveniu os sacerdotes contra a utilização da oração como um período para o estudo especulativo.
O método proposto por São Vicente de Paulo comporta três etapas:
1. Preparação
  1. Primeiramente, colocar-se na presença de Deus. Isso pode ser feito de diferentes maneiras: considerar Nosso Senhor presente no Santíssimo Sacramento, pensar em Deus como Rei do universo, refletir sobre a presença de Deus em nosso coração.
  2. Depois, pedir ajuda para rezar bem.
  3. Finalmente, escolher um assunto para a oração, tal como um mistério da vida de Jesus, uma virtude, uma passagem das Escrituras ou um dia de festa.
2. Corpo da oração
  1. Meditar sobre o assunto escolhido.
  2. Se o assunto é uma virtude, buscar os motivos para amar e praticar esta virtude. Se for um mistério da vida de Jesus, por exemplo, a paixão, imaginar o que aconteceu e meditar sobre o seu significado.
  3. Ao meditar, expressamos a Deus o que está em nosso coração (por exemplo, o amor de Cristo que tanto sofreu por nós, o dissabor do pecado, a gratidão). Basicamente, Vicente encorajou seus seguidores a:
  • Refletir sobre o assunto da oração,
  • Identificar as motivações da escolha,
  • Tomar resoluções concretas para praticá-lo.
3. Conclusão
Agradecer a Deus pelo momento de oração e pelas graças recebidas. Apresentar a Deus as resoluções tomadas. Depois, pedir ajuda para realizá-las.
A oração diária é um elemento indispensável da nossa espiritualidade. São Vicente tinha absoluta convicção da sua importância em nossa vida e serviço junto aos pobres. Ele a qualificou como “alma de nossas almas” e pensava que sem a oração, seríamos incapazes de perseverar diante das dificuldades inerentes ao nosso serviço aos mais abandonados.
Através desta carta do Advento, quero encorajar cada membro da Família Vicentina a se comprometer ou a continuar a se empenhar na oração diária. Cada Instituto de Vida Consagrada dentro da Família Vicentina tem suas próprias Constituições e Estatutos, onde estão descritas as práticas da sua vida de oração, inclusive o tempo a ser consagrado à oração diária. Gostaria também de estimular os ramos leigos da Família Vicentina para empenharem-se quotidianamente a fazer a oração, mesmo que seja por um curto período de cinco a dez minutos.
Vicente reconheceu que existem várias maneiras de fazer a oração e incentivou a sua prática. Certamente, alguns utilizarão outros métodos, além do ensinado com frequência por ele e que descrevi anteriormente. Muito embora possamos empregar outros métodos de oração, faz-se necessário conhecer e guardar na mente o método que São Vicente de Paulo nos deixou. Afinal, o mais importante é envolver a mente e o coração na conversa meditativa com Jesus e, que a façamos quotidianamente e com perseverança.
  • A lista dos assuntos frequentes de meditação que São Vicente de Paulo nos deixou é longa:
  • a relação de Jesus com Deus Pai
  • seu amor efetivo e compassivo pelas pessoas marginalizadas
  • o Reino que anunciou
  • a comunidade que formou com os Apóstolos
  • sua oração
  • a presença do pecado no mundo e em nós
  • a prontidão de Jesus em perdoar
  • o poder de curar
  • a atitude de servo
  • o amor pela verdade/simplicidade
  • a humildade
  • a sede de justiça
  • o profundo amor humano por seus amigos
  • o desejo de trazer a paz
  • o combate contra a tentação
  • a cruz
  • a ressurreição
  • a obediência de Jesus à Vontade do Pai
  • a mansidão de Jesus
  • a mortificação
  • o zelo apostólico
  • a pobreza
  • o celibato
  • a obediência
  • a alegria e ação de graças de Jesus.
Todos esses assuntos estão relacionados a nossa missão junto aos pobres. Todos eles nos ajudarão a seguir Vicente, místico da Caridade. Que maravilhosa oportunidade nos foi dada para reavivar a oração diária que, a partir deste Advento, permanecerá como parte da nossa vida espiritual até a nossa partida desta terra para a eternidade!
Que nossa oração seja sempre fundamentada na Bíblia, nas leituras da liturgia diária. Não passemos o tempo da oração a ler um livro espiritual. Temos a possibilidade de fazer nossa leitura espiritual em outro momento do dia.
Meditar, significa colocar-se diante de Deus, diante de Jesus, através de sua Palavra. Significa colocar o nosso coração totalmente à disposição de Jesus, permitindo-Lhe que fale connosco enquanto O ouvimos. Significa permanecer em atitude de escuta ao que Jesus quer nos comunicar diariamente. Significa confiar na Providência para lutar contra todas as tentações de evitar ou omitir a oração quotidiana. Significa simplesmente estar com Jesus todos os dias no silêncio da nossa mente e do nosso coração, mesmo que nossa mente permaneça vazia e que tenhamos a impressão de que nada aconteceu, de que perdemos meia hora sem nada fazer, pois Jesus não nos comunicou nenhuma ideia, nenhum sentimento ou mensagem. Significa simplesmente acreditar no modo de comunicação de Jesus com Deus Pai. Muitas vezes, Jesus passou a noite inteira em oração. Significa simplesmente manifestar a Jesus nosso amor total por Ele, pelo simples fato de estar em sua presença, prontos para acolher a qualquer momento e conforme a Providência julgar oportuno, a mensagem que Jesus quer nos comunicar. Significa simplesmente estar lá todos os dias, prontos, para o momento que Jesus julgará apropriado, para não deixar passar o momento da graça, para não perder a visita de Jesus.
Durante os seus últimos anos, Vicente pronunciava, cada vez mais, palavras entusiasmadas sobre o amor de Deus. Claramente, elas emanavam da sua oração. No dia 30 de maio de 1659, ele rezou em voz alta durante uma conferência aos missionários:
“Consideremos o Filho de Deus. Oh! Que coração de caridade! Que chama de amor! Meu Jesus, dizei-nos vós mesmo, um pouco, por bondade. Quem vos tirou do céu para virdes sofrer a maldição da terra, tantas perseguições e tormentos que aqui sofrestes? Ó Salvador! Ó fonte de amor descido até a nós e humilhado até a um infame suplício. Quem assim mais amou o próximo do que vós? Viestes expor-vos a todas as nossas misérias, tomar a forma de pecador, levar uma vida de sofrimentos e sofrer uma morte vergonhosa. Existe, por acaso, um amor semelhante ao vosso? Mas quem poderia amar de um modo tão eminente e nobre como vós? Só Nosso Senhor amou as criaturas a esse extremo de deixar o trono do seu Pai para vir tomar um corpo sujeito às enfermidades. E para que? Para estabelecer entre nós, por seu exemplo e por sua palavra, a caridade para com o próximo. Foi esse amor que o crucificou e que gerou esse fruto admirável de nossa redenção. Ó meus Senhores, se tivéssemos um pouco desse amor, permaneceríamos de braços cruzados? Deixaríamos morrer aqueles aos quais pudéssemos assistir? Oh! Não, a caridade não pode ficar inativa. Aplicai-nos à salvação e consolação do próximo” .
Poucos santos foram tão ativos como São Vicente, contudo, suas ações brotavam de sua profunda imersão em Deus, em Jesus. Quão afortunados somos por ter um Fundador tão extraordinário!
Que Deus os cubra com suas bênçãos durante este tempo do Advento.
Seu irmão em São Vicente,
Tomaž Mavrič, CM
Superior geral